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De volta às sete


Márcio Maio
da TV Press

21/09/2008 | 07:07


Cláudia Abreu não faz a menor questão de esconder seu desconforto com entrevistas. Direta em suas respostas e com restrições a certos assuntos, a intérprete da perua fútil Dora de Três Irmãs, parece mesmo querer evitar problemas. Mas assume que a principal razão de sua volta à TV depois do nascimento da filha mais nova Filipa, agora com um ano, foi o convite de Dennis Carvalho. "É um amigo muito querido. A maior parte dos meus trabalhos na TV foi com ele", explica.

Apesar de se sentir motivada em reaparecer no horário das 19h - a última novela de Cláudia nessa faixa foi Que Rei Sou Eu?, em 1989 - a atriz confessa que não é fácil voltar à rotina de gravações de uma novela. Ainda mais porque está se formando em Filosofia pela PUC/RJ. Mas faz questão de dizer que não pretende se afastar de novo dos grandes folhetins, como aconteceu na década de 1990, quando participou apenas de Barriga de Aluguel, Pátria Minha e Força de um Desejo, com espaços de até cinco anos entre elas. "Sou contratada da Globo e não tenho nada contra as novelas. Se me chamarem para fazer um papel instigante, certamente não vou recusar", avisa.

Aos 37 anos, Cláudia já acumula uma experiência de fazer inveja em muitos atores mais velhos. A atriz surgiu na TV timidamente em Hipertensão e, em seguida, em O Outro. Começou a se destacar como a jovem Ana Paula, de Fera Radical, e garantiu, assim, o papel da divertida Juliette no sucesso de Cassiano Gabus Mendes Que Rei Sou Eu?, em 1989. As críticas em relação à atuação da atriz foram tão positivas que já no ano seguinte assumia o posto de protagonista da novela Barriga de Aluguel. "Eu era muito nova e ainda não sabia como me desligar dos dramas da personagem. Foi uma fase de muita tensão, mas foi um dos meus melhores trabalhos na TV", elogia.

Dois anos depois, marcou presença na minissérie Anos Rebeldes na pele da revolucionária Heloísa. A volta às novelas só aconteceu em 1994, quando protagonizou Pátria Minha ao lado do ator Fábio Assunção, na pele da adolescente rebelde Alice. Cada vez mais distante das novelas, a atriz começou a se dedicar a outros produtos da Globo, como as séries A Comédia da Vida Privada e A Vida Como Ela É. Foi nesse período também que Cláudia começou a ingressar no cinema, nos filmes Ed Mort, Tieta do Agreste, O Que É Isso, Companheiro? e Guerra de Canudos. "Gosto de estar em todos os veículos. O cinema e o teatro sempre me reciclam", valoriza.

Em 1998, a convite de Gilberto Braga, Cláudia participou da minissérie Labirinto e, já no ano seguinte, interpretou a escrava Olívia em Força de um Desejo, do mesmo autor. E foi ele também quem a fez aparecer de novo nos folhetins em 2003, quando encarnou a diabólica Laura de Celebridade. "Foi um marco na minha carreira", reconhece. O resultado agradou tanto que, dois anos depois, Cláudia voltou ao ar, na pele da doce Vitória, de Belíssima, que assim como Dora, também ficava viúva. "Mas as semelhanças entre as duas terminam aí", frisa.

Fora dos palcos - Apesar do sucesso na carreira, Cláudia lamenta não ter possibilidades mais concretas para atuar no teatro. O último espetáculo adulto que contou com a atriz no elenco, coincidentemente, foi Três Irmãs, do russo Anton Tchekhov. "Esse nome tem me dado sorte", brinca. O grande problema da atriz para subir aos palcos é ter tempo e disposição para correr atrás de um texto que lhe agrade, equipe para trabalhar junto e patrocínio para a montagem. "Sinto falta de um grupo de amigos que se reúna para colocar isso em prática. De repente no futuro eu me organize melhor e corra atrás disso. Porque é complicado esperar um bom convite para atuar no teatro", justifica.

Três Irmãs marca seu retorno à TV e ao horário das 19h, que não faz há quase 20 anos. Sentiu falta de trabalhar personagens humorísticos na TV durante esse tempo?
CLÁUDIA ABREU - É verdade. É muito tempo sem fazer uma novela das sete. Não é que eu tenha sentido falta de fazer um personagem mais leve, até porque sempre peguei excelentes papéis na televisão. Mas é bom retornar de uma licença-maternidade em uma trama mais leve. Acho que tem muito a ver com o que estou buscando na minha vida atualmente, que é um frescor, uma certa leveza. Eu não ia gostar de trabalhar todo dia chorando ou com muita carga dramática.

Mas sua personagem vive uma relação conturbada com a sogra e tem trauma da morte do marido. É complicado dosar o humor e o drama nas cenas da Dora?
CLÁUDIA - Interpreto uma viúva que já viveu toda a depressão da morte do marido. Existe sim a chantagem da sogra, cobrança porque ela estava dirigindo o carro no dia em que houve o acidente. Mas a história já começa com a Dora tentando sair da viuvez e voltar a viver a vida sem medos ou paranóias. São poucos os momentos de drama que ela vive em função da viuvez. Fica claro que essa fase existiu, mas não chega a ganhar muito espaço no ar. Além disso, os embates dela com a sogra são muito reativos. Dei sorte porque ganhei uma personagem que não se vitimiza.

Você tem aparições quase que bissextas na televisão. O que a fez aceitar o convite para Três Irmãs?
CLÁUDIA - O Dennis Carvalho. É um amigo muito querido e a maior parte dos trabalhos que fiz na televisão foram com ele. Voltar nesse ambiente contou muito e gostei do fato de ser um trabalho bem diferente dos últimos. Em Belíssima, vivia em uma tragédia constante. Em Celebridade, fiz a vilã assassina. Agora eu posso fazer uma interpretação mais sutil, até porque a principal característica da Dora é a força do lado perua dela. É uma volta bastante instigante. Mas não gosto de usar a palavra ‘volta'.

Por quê?
CLÁUDIA - É completamente diferente de quando eu fiquei afastada da televisão porque estava envolvida em outros projetos. Fiquei fora porque tive uma filha, estava em casa, cuidando de duas meninas, uma de sete e outra de um ano. Já fiz um filme com o Domingos de Oliveira depois disso, mas é outro clima. Não é uma reciclagem profissional, e sim pessoal. São complicações diferentes.

Qual é a sua maior dificuldade nesse retorno?
CLÁUDIA - São muitas mudanças ao mesmo tempo. Agora tenho outra vida em casa, com duas filhas de idades diferentes. Além disso, estou me formando em Filosofia pela PUC. Atualmente, só tenho tempo para ser mãe, ler o texto da novela e os livros que preciso para minha monografia. Nem sei como consigo me organizar para fazer tudo isso. Minha vida está esquizofrênica. E novela tem um ritmo muito acelerado. Estou vindo da calmaria, existe também uma adaptação mais difícil a toda essa correria. Por isso mesmo eu fiquei feliz por ser uma novela mais leve.

Você precisou de algum tipo de preparação para interpretar a Dora?
CLÁUDIA - A preparação vem muito da observação diária do ator. É lógico que você busca referências na literatura ou em filmes, mas observar o cotidiano é sempre o maior estudo. Sou minha principal fonte de pesquisa. Não estou diminuindo nada, só acho que não existe um estudo específico para esse papel. E tem tantas peruas por aí para eu me inspirar. O clima da novela também é bem tranqüilo para mim, porque fui uma adolescente que adorava o mar e vivia na praia. Não interpreto uma surfista, mas se precisasse, poderia tentar alguma coisa. Eu pegava onda de body board, quando era garota.

Apesar dos seus 22 anos de carreira, você tem apenas dez novelas no currículo e metade delas na década de 1980 ainda. Por que você se afastou da TV durante longos períodos depois que alcançou o sucesso?
CLÁUDIA - Gosto de trabalhar em todos os veículos: teatro, cinema e TV. Passei um período mais dedicado a outras áreas, mas estou mais assídua ultimamente.

Como contratada da Globo, você pode dizer "não"?
CLÁUDIA - Tenho excelente diálogo com a emissora. Quando tiverem um bom personagem, vou querer fazer. Não tenho nada contra a televisão. Comecei adolescente nela e sempre me deu frutos bons. Todas as vezes que a emissora me chamar para fazer um papel instigante, vou aceitar.

Você estava escalada para viver as gêmeas de Paraíso Tropical quando ficou grávida. Como foi ver outra pessoa assumir as personagens?
CLÁUDIA - Teve um lado meu que obviamente ficou triste, porque estava muito motivada com a oportunidade de fazer um papel duplo. Mas não tinha como ficar mal sabendo o que ia receber depois. Ter uma filha é uma dádiva. E tem outra coisa: quando o personagem não está mais com você, o desligamento acontece naturalmente. Aquele trabalho já pertencia a uma outra pessoa. Enxerguei de outro modo, como se ele nunca tivesse me pertencido.

Gilberto Braga comentou que se você tivesse feito a novela, todos os prêmios seriam seus, e não da Camila Pitanga. Como você recebeu essas observações do autor?
CLÁUDIA - Eu adoro a Alessandra Negrini e não tenho interesse em falar sobre isso. Acho que ela é uma atriz interessante e pouco óbvia. Sempre gostei muito do que ela fez em Paraíso Tropical. E isso é tudo que tenho a dizer. Vejo a Alessandra como uma das grandes atrizes da nossa geração.



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