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Compostagem reduz resíduos orgânicos

Solução é apontada por especialista para diminuir envio de detritos aos aterros sanitários


Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

10/08/2014 | 07:00


A maior parte do lixo gerado no Brasil é matéria orgânica, principalmente restos de comida. No País, cada residência gera, em média, um quilo de resíduos sólidos por dia, sendo que 60% desse total não teria a menor possibilidade de ser reaproveitado não fosse a compostagem. A ação, que consiste em transformar restos de alimentos em adubo, possibilita reduzir pela metade a produção desse tipo de material, evitando o envio aos aterros. A decomposição provoca o aparecimento do chorume, líquido extremamente tóxico.

Em Diadema, por exemplo, a coleta de lixo domiciliar gira em torno de 9.500 toneladas ao mês, sendo que 4.560 toneladas (48%) são de itens orgânicos. Na vizinha Santo André, das 650 toneladas geradas por dia, 43,96% referem-se a restos de alimentos. Em São Caetano, dos 5.600 toneladas mensais de resíduos, 2.600 são de orgânicos. As demais cidades não informaram.

Na compostagem, podem ser utilizadas cascas de ovos, de frutas e legumes, verduras, grãos, sementes e borra de café. “O segredo é a relação entre carbono e nitrogênio. O primeiro refere-se a tudo o que é seco: serragem, varredura de jardim, bagaço de cana e gravetos. O segundo representa as cascas de frutas, legumes. Os organismos responsáveis pela fermentação do material orgânico necessitam de 30 partes por peso de carbono para cada parte de nitrogênio usada”, explica o bioconstrutor e ambientalista Edgard Moreno.

Há quatro anos, a dona de casa Sueli Barduzzi Tavares, 58 anos, de Mauá, aprendeu a técnica em um curso promovido pelo Parque Escola de Santo André. Amante das plantas, o espaço em que ela as cultiva em ficou ainda mais verde após o conhecimento do processo.

“Separei um espaço de mais ou menos um metro em um canteiro de terra, cerquei e passei a jogar as cascas e folhas lá. Cobri o buraco para evitar moscas e outros insetos, mas essa cobertura precisa ser feita de modo a deixar os resíduos respirarem. Durante o processo, é preciso mexer os detritos para oxigenar a mistura. Em dois meses, tudo estará seco, tornando-se um adubo que é uma maravilha.”

Para quem não tem uma área que permita desenvolver a compostagem diretamente no solo, ela pode ser feita em um recipiente no qual será necessário fazer alguns furos para que o chorume passe para outro vasilhame, que não pode ficar em contato direto com o primeiro, pois o líquido deve ter um espaço para escorrer sem contaminar o adubo.

“O lixo úmido é o grande vilão e ninguém está fazendo nada acerca dele. Esse resíduo gera gás metano, que é 21 vezes mais prejudicial do que o gás carbônico. Seria importante que todas as cidades incentivassem essa prática”, ressalta Moreno.

Na Capital, a prefeitura lançou no mês passado projeto inédito de compostagem doméstica que irá distribuir 2.000 composteiras em caráter experimental. Após período de experiência, os hábitos da população serão estudados para avaliar possível ampliação da iniciativa.

Consumo consciente gera menos lixo

Com tanto lixo produzido dia após dia, os aterros sanitários estão com o tempo de vida contado. Se a compostagem é uma medida para redução dos resíduos orgânicos, reflexão e ação em relação ao modo de consumo colabora também na diminuição de outros materiais. “Não existe jogar algo fora. Quando fazemos isso, estamos jogando para dentro do planeta. Por isso, precisamos repensar a forma como consumimos”, fala Silvia Frei de Sá, gerente de Educação do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente.

A escolha dos itens a serem adquiridos é um ponto a ser avaliado. “Prefira os que têm menos embalagem, menos material a ser descartado para gerar o mínimo de resíduo possível e analise as empresas que estão mais preocupadas com a responsabilidade social e com a geração de produtos mais sustentáveis.”

O destino do lixo antes de chegar ao aterro – as sacolas plásticas, que demoram mais de 100 anos para se decompor –, também pode ser repensado. “É possível fazer saquinho para o banheiro utilizando folha de jornal que você já leu, já que o papel é biodegradável e não vai gerar tanto impacto. Sites na internet ensinam como preparar.”

A representante do instituto ressalta que a ida dos resíduos para os aterros sanitários promove o desperdício de inúmeros recursos naturais que foram utilizados na fabricação do produto. “Hoje estamos enfrentando um problema da escassez hídrica e tudo o que jogamos fora é água também, que foi usada no processo produtivo. Diminuir o resíduo é reduzir o consumo dos recursos naturais.” 



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