Política Titulo Representação feminina

Jessica Cormick se torna a sexta prefeita empossada no Grande ABC

Entretanto, Grande ABC segue com somente dois exemplos de mulheres eleitas encabeçando chapas com voto direto da população

Bruno Coelho
18/08/2025 | 07:18
Compartilhar notícia
FOTO: André Henriques 23/12/24
FOTO: André Henriques 23/12/24 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Eleita pela primeira vez a um cargo eletivo na vida no fim de outubro de 2024, Jessica Cormick (Avante) não imaginaria que, em poucas horas, deixaria de ser vice-prefeita para assumir a cadeira de prefeita em exercício de São Bernardo, no gabinete do 18º andar do Paço Municipal. De uma carreira construída na Polícia Militar, a nova chefe do Executivo registrou duas marcas na história política da região: ser a segunda mulher a administrar o município, depois de Tereza Delta em 1947, e a sexta no Grande ABC.

No entanto, das seis mulheres que chegaram ao cargos de prefeitas em suas cidades, apenas duas alcançaram o posto encabeçando uma chapa eleitoral e por meio de votos diretos da população. Pioneira na região, Tereza Delta, por exemplo, governou São Bernardo em uma época em que o prefeito era nomeado pelo governador do Estado. No ano seguinte, exerceu a função de vereadora e presidente da Câmara, onde hoje tem o seu nome homenageado no plenário. Ela também foi duas vezes deputada estadual.

O primeiro exemplo de uma prefeita eleita por meio do voto vem de 1972, quando a população de Rio Grande da Serra elegeu pela terceira vez em sua história um representante do Executivo, depositando confiança em Irinéia José Midolli, para o mandato 1973-1977. Após administrar o Paço, ela entraria na história mais uma vez, ao ser a primeira mulher vereadora no município.

DGABC

Em 1996, a vizinha Ribeirão Pires elegeria a professora Maria Inês Soares, filiada ao PT, com 18.964 votos, superando os 13.708 sufrágios de Jorge Mitidiero (PSDB), e outros cinco candidatos, todos homens. Quatro anos depois, a petista registraria um feito inédito, até hoje não alcançado na região, ao se tornar a primeira mulher reeleita ao cargo, com a aprovação de 27.076 eleitores (51,03% dos votos válidos), vencendo a disputa contra Valdírio Prisco, figura histórica na cidade por conquistar antes três vezes o mandato de prefeito.

Entre 2018 e 2019, Mauá trilharia um dos momentos mais turbulentos de sua trajetória, com duas prisões e um impeachment de Atila Jacomussi - hoje deputado estadual pelo União Brasil. O então prefeito foi alvo da Operação Prato Feito, deflagrada pela Polícia Federal a fim de investigar esquema de favorecimentos a empresas para serviços voltados à Educação, e detido pela primeira vez sob suspeita de lavagem de dinheiro, depois da apreensão de R$ 87 mil em notas vivas e não declaradas, encontradas na sua residência. Daí ascende o nome de Alaíde Damo (MDB), de vice para cadeira de prefeita.

A relação entre Atila, preso em Tremembé, e Alaíde, detentora da caneta que emanava o poder na cidade, não demorou para se deteriorar, com a prefeita em exercício demitindo a equipe ligada ao seu parceiro de chapa. Em uma longa disputa judicial e um vai e vem que estava apenas começando, Atila voltaria a ser o chefe do Executivo, mas foi preso pela segunda vez em dezembro de 2018, alçando Alaíde novamente ao comando do Executivo.

Após ser solto pela segunda vez, por meio de liminar acatada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, e regressar ao cargo, o prefeito sofreu impeachment em abril de 2019 na Câmara, e a emedebista o substituiu de novo. Alaíde ficaria na função de prefeita, desta vez, até setembro daquele ano, quando o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) anulou a cassação de Atila.

Em julho de 2022, a Câmara de Rio Grande da Serra cassou o então prefeito Claudinho da Geladeira (PSDB) por permitir que uma servidora da Secretaria da Saúde furasse a fila de vacinação contra a Covid-19. Em seu lugar, a vice Penha Fumagalli (PSD) se tornou a segunda prefeita da história do município. No entanto, o mandato da pessedista não foi aprovado pela população e sua reeleição foi naufragada, ficando em terceira, com 3.554 votos, atrás de Marcelo Akira (Podemos, 4.182 eleitores) e o eleito Akira Auriani (PSB, 17.508).

Em São Bernardo, Marcelo Lima (Podemos) foi afastado do cargo de prefeito por meio da Operação Estafeta, realizada pela Polícia Federal na última quinta-feira, a fim de investigar suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro na administração pública. No mesmo dia, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) notificou a Prefeitura da determinação e, com isso, Jessica passou a administrar o Executivo, sem saber por quanto tempo será a responsável por conduzir a vida de mais de 800 mil moradores do município.

LEIA TAMBÉM

Jessica Cormick assume oficialmente cargo de prefeita de São Bernardo




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;