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Inadimplência cresce
em R$ 1 bi em julho

Contas em atraso viram armadilha contra consumidores;
a tendência de calotes, porém, é que índice tenha queda


Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

08/09/2012 | 07:23


A inadimplência das famílias brasileiras aumentou em julho. De acordo com o último boletim de operações de crédito do BC (Banco Central), o indicador que mensura os calotes mudou a curva e subiu de 7,8%, em junho, para 7,9% em julho. Na prática, isso significa que mais consumidores estão devendo parcelas de seus empréstimos com atraso superior a 90 dias. Esse acréscimo percentual é o equivalente a, aproximadamente, R$ 1 bilhão a mais de dívidas não pagas.

Apesar da alta de julho, a tendência é de que o índice comece a resfriar e, gradativamente, até o fim do ano, atinja patamares próximos a 7%. "É um resultado próximo à média histórica. Se levarmos em consideração que quedas de um ponto percentual são relevantes na inadimplência, isso é positivo. O menor nível histórico foi de 5,7%", avalia o economista do Serasa Experian Luiz Rabi.

O aumento da inadimplência proporciona três problemas básicos para os consumidores: crédito mais caro, restrição ao acesso e saída do mercado. Um deles, porém, ainda está controlado. É o caso do encarecimento dos empréstimos. A expectativa de atrasos é um dos fatores utilizados na precificação dos financiamentos, mas com a pressão do governo federal para que os bancos reduzissem suas taxas, a fera está, teoricamente, controlada.

A restrição é o segundo problema. Os bancos só emprestam para quem realmente entendam que não apresentarão atrasos no pagamento. E, por fim, deixar de pagar as contas tira o consumidor do mercado. As instituições financeiras não liberam dinheiro para essas pessoas e lojas não abrem crediário, por exemplo.

O acréscimo da inadimplência entre junho e julho, de R$ 1 bilhão, pode ser ainda maior. O cálculo do BC é sobre o chamado crédito referencial, montante do saldo total utilizado como referência para calcular evoluções mensais e anuais, e que representou 54% dos empréstimos. Sobram 46% que podem ter vestígios de inadimplência.

Com base no crédito referencial, em junho, o BC apurou R$ 42,5 bilhões atrasados por mais de 90 dias. Em julho, último resultado publicado, o valor subiu para R$ 43,5 bilhões.

Na avaliação da equipe de análises econômicas da Serasa Experian, o caminho da inadimplência será gradativo e em descida até o fim do ano. Só no começo de 2013 que atingirá patamares mais baixos. "Dessa maneira o crédito terá leve aceleração", prevê Rabi. Ele fala sobre menos restrições, como vem ocorrendo com os financiamentos de veículos, em que cinco em cada dez operações são liberadas pelas instituições, em média. Isso deve melhorar. Por outro lado, sobre o custo dos empréstimos, Rabi não arrisca. "A inflação é que vai definir o comportamento dos juros."

O consultor da PPS-Net Mário Amigo, também professor da área de Finanças na Fipecafi, Fipe, FIA e Saint Paul Escola de Negócios, acredita na diminuição da inadimplência. "Temos uma série de dados econômicos positivos sinalizando recuo. Temos redução do custo do crédito, que contribui para a diminuição do endividamento, a renda do brasileiro está bem e o emprego com bons resultados", destaca.

Amigo aponta que a carteira nacional de crédito para veículos é uma das mais afetadas pelos calotes, o que é revertido ao consumidor com a não aprovação da operação. "Muitas vezes as pessoas que pedem o crédito não têm vinculo algum com a instituição, que não tem um histórico (para avaliar se é um bom pagador)", explica. Ele acrescenta que a restrição dos bancos por causa das dívidas em aberto também afeta, diretamente, o cheque especial. "Os limites são reduzidos." Quem realmente precisa do dinheiro, em caso de emergência, pode ficar sem o suficiente.

Em concessões, a carteira do cheque especial foi a que teve mais movimento no mercado de crédito de julho. Dos R$ 81 bilhões concedidos para os consumidores naquele mês, 33% foram por meio da modalidade.

 



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