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Futebol é instrumento para inclusão de jovens carentes de Mauá


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

01/12/2013 | 07:11


A paixão nacional usada como instrumento de inclusão de crianças e adolescentes carentes de Mauá. Foi com esse propósito que o projeto Biggs nasceu, em 2006. Desde então, a escolinha de futebol oferece aulas a cerca de 190 moradores da cidade. Além de incentivar a prática de atividade física, a ação se destaca ao despertar nos participantes sentimentos como cidadania e respeito ao próximo.

Apesar de qualquer pessoa com idade entre 7 e 17 anos poder participar do programa, só se mantêm nas aulas aqueles que seguem as regras. É preciso apresentar bom desempenho escolar e cumprir os princípios considerados básicos.

“Aqui a gente ensina que é preciso ter respeito ao próximo e humildade, para que não esqueçam suas origens”, observa o professor de Educação Física e instrutor idealizador do projeto, Aldair Antunes do Santos, 48 anos.

O objetivo inicial do Biggs era tirar crianças e jovens das ruas e, com isso, promover melhoria de qualidade de vida e do rendimento escolar. A ação também contribui para que os jovens aprendam a importância do trabalho coletivo, para a formação de caráter e fortalecimento da autoestima, segundo Santos. “Sabemos que qualquer atividade esportiva auxilia o desenvolvimento motor das crianças e traz benefícios à saúde”, destaca.

A dedicação dos participantes é tamanha que nem mesmo a lama resultante de uma semana de chuva é capaz de afastá-los da aula. O projeto utiliza o campo distrital localizado na Vila Assis para oferecer as atividades às quartas e sextas-feiras pela manhã e à tarde.

Segundo o instrutor, a Prefeitura tem planos de melhorar o espaço, com a colocação de alambrado no entorno e gramado. As melhorias são bem-vindas, tendo em vista a necessidade de buscar a bola nos estabelecimentos vizinhos todas as vezes em que um dos meninos se empolga e dá um chute mais alto.

Além das atividades no campo distrital, o projeto atua aos sábados pela manhã em escolas estaduais da cidade, dentro do Programa Escola da Família, com aulas de futsal. São beneficiados estudantes e moradores do entorno das seguintes unidades de ensino: EE Francisca Lopes Negri e EE José Daniel da Silveira, no Jardim Zaíra, e EE Clorinda Ciampitti Perella, no Jardim Mauá. Neste caso, o Biggs conta com auxílio de seis estudantes universitários de Educação Física que recebem ajuda de custo.

Apesar de a manutenção dos trabalhos não ter custo alto – gira em torno de R$ 2.000 por mês com despesas de material esportivo e ajuda de custo para voluntários, o projeto conta com ajuda de parceiros, como escritório de contabilidade, gráfica e empresa de reciclagem de óleo de cozinha para se manter de pé. “Recebemos doações de óleo dos alunos em garrafas PET e repassamos para a reciclagem”, comenta Santos.

Com parte de sua meta atingida – tirar as crianças e jovens das ruas – o Biggs já tem planos de evolução. Para 2014, o projeto providenciará a entrega de uniformes para os participantes. “Trabalhamos para realizar nossos sonhos por etapas e um dia queremos nos tornar um time de futebol profissional, o Biggs Futebol Clube, para representar a cidade, além de manter nosso projeto social”, revela o instrutor.

Mãe faz questão de acompanhar aula

A empregada doméstica desempregada Natalina Julia dos Santos Barboza, 37 anos, faz questão de acompanhar o filho único, Wesley, 12, às aulas duas vezes por semana. Além de incentivar o garoto a lutar pelo sonho de se tornar jogador de futebol profissional, ela destaca a felicidade de manter o garoto debaixo de seus olhos.“É melhor estar aqui do que correndo pela rua atrás de pipa ou bola, com o risco de se
machucar”, revela.

O único problema, segundo a mãe, é ter de lavar o uniforme do estudante do 6º ano do Ensino Fundamental, tomado pelo barro. “Já compro roupas coloridas porque sei que vão ficar todas manchadas”, brinca Natalina, enquanto aproveita o horário vago de espera para fazer as unhas da mão.

Moradora do Jardim Zaíra 4, a desempregada destaca a importância de manter os jovens em atividades que os afastem do “mau caminho”. “Hoje a gente vê crianças cada vez mais novas envolvidas no mundo do crime, por isso, os pais devem estar sempre por perto e abertos ao diálogo”, aconselha.

Jovem sonha com futuro no esporte

O sonho do estudante do 7º ano do Ensino Fundamental, Rafael Mendes dos Santos, 13 anos, é ser jogador de futebol profissional.

Para alcançar seu objetivo, o jovem se espelha no ídolo, o zagueiro do Paris Saint- Germain e da Seleção Brasileira, Thiago Silva, e treina diariamente há sete anos. “Não tenho uma segunda opção”, afirma o tímido morador do Jardim Zaíra 6.

Junto do irmão mais velho, Gabriel, 15, ele enfrenta uma hora de caminhada para chegar ao treino no Projeto Biggs às quartas e sextas-feiras. “É o que mais gosto de fazer, sem dúvida”, observa o garoto.

A rotina cansativa não é encarada com peso, pelo contrário. O sorriso nos lábios acompanha não só Rafael, como a turma toda. Além de ter feito amigos nas aulas de futebol, o jovem destaca a importância de ter atividade para ocupar a cabeça no contraturno escolar. Segundo ele, nem todos os seus conhecidos, colegas de bairro, tiveram essa oportunidade e, por isso, hoje estão em situação difícil, envolvidos com a criminalidade ou drogas.
 



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Futebol é instrumento para inclusão de jovens carentes de Mauá

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

01/12/2013 | 07:11


A paixão nacional usada como instrumento de inclusão de crianças e adolescentes carentes de Mauá. Foi com esse propósito que o projeto Biggs nasceu, em 2006. Desde então, a escolinha de futebol oferece aulas a cerca de 190 moradores da cidade. Além de incentivar a prática de atividade física, a ação se destaca ao despertar nos participantes sentimentos como cidadania e respeito ao próximo.

Apesar de qualquer pessoa com idade entre 7 e 17 anos poder participar do programa, só se mantêm nas aulas aqueles que seguem as regras. É preciso apresentar bom desempenho escolar e cumprir os princípios considerados básicos.

“Aqui a gente ensina que é preciso ter respeito ao próximo e humildade, para que não esqueçam suas origens”, observa o professor de Educação Física e instrutor idealizador do projeto, Aldair Antunes do Santos, 48 anos.

O objetivo inicial do Biggs era tirar crianças e jovens das ruas e, com isso, promover melhoria de qualidade de vida e do rendimento escolar. A ação também contribui para que os jovens aprendam a importância do trabalho coletivo, para a formação de caráter e fortalecimento da autoestima, segundo Santos. “Sabemos que qualquer atividade esportiva auxilia o desenvolvimento motor das crianças e traz benefícios à saúde”, destaca.

A dedicação dos participantes é tamanha que nem mesmo a lama resultante de uma semana de chuva é capaz de afastá-los da aula. O projeto utiliza o campo distrital localizado na Vila Assis para oferecer as atividades às quartas e sextas-feiras pela manhã e à tarde.

Segundo o instrutor, a Prefeitura tem planos de melhorar o espaço, com a colocação de alambrado no entorno e gramado. As melhorias são bem-vindas, tendo em vista a necessidade de buscar a bola nos estabelecimentos vizinhos todas as vezes em que um dos meninos se empolga e dá um chute mais alto.

Além das atividades no campo distrital, o projeto atua aos sábados pela manhã em escolas estaduais da cidade, dentro do Programa Escola da Família, com aulas de futsal. São beneficiados estudantes e moradores do entorno das seguintes unidades de ensino: EE Francisca Lopes Negri e EE José Daniel da Silveira, no Jardim Zaíra, e EE Clorinda Ciampitti Perella, no Jardim Mauá. Neste caso, o Biggs conta com auxílio de seis estudantes universitários de Educação Física que recebem ajuda de custo.

Apesar de a manutenção dos trabalhos não ter custo alto – gira em torno de R$ 2.000 por mês com despesas de material esportivo e ajuda de custo para voluntários, o projeto conta com ajuda de parceiros, como escritório de contabilidade, gráfica e empresa de reciclagem de óleo de cozinha para se manter de pé. “Recebemos doações de óleo dos alunos em garrafas PET e repassamos para a reciclagem”, comenta Santos.

Com parte de sua meta atingida – tirar as crianças e jovens das ruas – o Biggs já tem planos de evolução. Para 2014, o projeto providenciará a entrega de uniformes para os participantes. “Trabalhamos para realizar nossos sonhos por etapas e um dia queremos nos tornar um time de futebol profissional, o Biggs Futebol Clube, para representar a cidade, além de manter nosso projeto social”, revela o instrutor.

Mãe faz questão de acompanhar aula

A empregada doméstica desempregada Natalina Julia dos Santos Barboza, 37 anos, faz questão de acompanhar o filho único, Wesley, 12, às aulas duas vezes por semana. Além de incentivar o garoto a lutar pelo sonho de se tornar jogador de futebol profissional, ela destaca a felicidade de manter o garoto debaixo de seus olhos.“É melhor estar aqui do que correndo pela rua atrás de pipa ou bola, com o risco de se
machucar”, revela.

O único problema, segundo a mãe, é ter de lavar o uniforme do estudante do 6º ano do Ensino Fundamental, tomado pelo barro. “Já compro roupas coloridas porque sei que vão ficar todas manchadas”, brinca Natalina, enquanto aproveita o horário vago de espera para fazer as unhas da mão.

Moradora do Jardim Zaíra 4, a desempregada destaca a importância de manter os jovens em atividades que os afastem do “mau caminho”. “Hoje a gente vê crianças cada vez mais novas envolvidas no mundo do crime, por isso, os pais devem estar sempre por perto e abertos ao diálogo”, aconselha.

Jovem sonha com futuro no esporte

O sonho do estudante do 7º ano do Ensino Fundamental, Rafael Mendes dos Santos, 13 anos, é ser jogador de futebol profissional.

Para alcançar seu objetivo, o jovem se espelha no ídolo, o zagueiro do Paris Saint- Germain e da Seleção Brasileira, Thiago Silva, e treina diariamente há sete anos. “Não tenho uma segunda opção”, afirma o tímido morador do Jardim Zaíra 6.

Junto do irmão mais velho, Gabriel, 15, ele enfrenta uma hora de caminhada para chegar ao treino no Projeto Biggs às quartas e sextas-feiras. “É o que mais gosto de fazer, sem dúvida”, observa o garoto.

A rotina cansativa não é encarada com peso, pelo contrário. O sorriso nos lábios acompanha não só Rafael, como a turma toda. Além de ter feito amigos nas aulas de futebol, o jovem destaca a importância de ter atividade para ocupar a cabeça no contraturno escolar. Segundo ele, nem todos os seus conhecidos, colegas de bairro, tiveram essa oportunidade e, por isso, hoje estão em situação difícil, envolvidos com a criminalidade ou drogas.
 

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