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Uma em cada três
mulheres nunca fez
o exame preventivo

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

O Papanicolau é a principal maneira de detectar lesões que podem levar à doença


Thaís Moraes
Do Diário do Grande ABC

19/05/2013 | 07:00


Uma em cada três brasileiras (31%) nunca realizou ou fez apenas uma vez o exame de Papanicolau, principal recurso para detectar lesões que podem levar ao câncer de colo do útero.

É o que mostra pesquisa feita pela ABPTGIC (Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia) em parceria com o Ibope para avaliar o conhecimento das mulheres em relação à doença. O levantamento foi realizado com 700 mulheres, de 16 a 55 anos, moradoras de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e Recife.

Outro dado que chama a atenção é que 66% das entrevistadas não relacionam o HPV (papilomavírus humano) com o câncer de colo do útero, quando na realidade a chance de desenvolver a doença é até 100 vezes maior em pacientes infectadas.

A pesquisa também revela que 76% das representantes do sexo feminino não sabem que a vacinação contra o HPV é forma de prevenção do câncer, e 40% delas não associam a necessidade de exames de rotina para prevenir a doença.

"A desinformação ainda paira sobre o câncer uterino. As pessoas não sabem que se trata de doença, que pode ser prevenida, atribuída a um vírus passível de vacinação. O que é um problema porque, ao contrário de outros cânceres, em que a cura baseia-se em diagnóstico precoce, o de colo do útero tem dois métodos de prevenção: pela vacina e pelo exame, cujo objetivo é descobrir lesões", afirma o presidente da associação, Garibalde Mortoza Junior.

O HPV é uma DST (Doença Sexualmente Transmissível). No entanto, como sua transmissão é feita em cadeia, não é possível saber quem é o foco de contaminação. "A mulher foi infectada por um homem que, por sua vez, recebeu o vírus de outra mulher, e assim vai. O câncer de pênis é raro, e somente cerca de 40% dos casos são causados pelo vírus. A diferença entre os dois é que no de colo do útero existem células muito mais suscetíveis ao HPV", explica o ginecologista.

Quando o HPV entra no organismo, mulheres com boa imunidade conseguem eliminá-lo, o que pode levar de nove a 16 meses. Já em outras pacientes, o vírus permanece e, por existirem condições favoráveis, podem aparecer lesões ao longo do tempo que desencadeiem o câncer. "O processo é longo e dura, em média, de oito a dez anos. Mas, em algumas pacientes, a evolução é mais rápida", esclarece o chefe do departamento de Tocoginecologia da Universidade Federal do Paraná, Newton Sérgio Carvalho.

SINTOMAS - De acordo com o professor da Universidade Federal de São Paulo José Focchi, não existem sintomas característicos do câncer de colo do útero. "Quando existe dor, e a paciente tem sangramento espontâneo, o caso é considerado avançado. Já quando tem sangramento no ato sexual, o tumor pode estar em estágio inicial", explica.

A funcionária pública Denise Gaspar, 51 anos, descobriu o câncer por meio do Papanicolau. "O exame salvou minha vida. Tive medo de não poder ver minhas três filhas crescerem. Tive depressão, mas com o apoio do meu marido, conseguimos superar", recorda, emocionada.

Vacinação deve ocorrer a partir dos 10 anos

Ao contrário de outros vírus mutáveis, como os da gripe, o HPV é estável, apesar de existirem mais de 100 tipos. De acordo com Newton Sérgio Carvalho, para fazer a vacina foram pesquisados quais agentes mais causavam o câncer de colo do útero. "O resultado mostrou que os tipos 16 e 18 eram os principais, e a imunização foi feita baseada neles. Entretanto, ao longo dos anos, a vacina se mostrou capaz de atingir parentes desses tipos", explica.

O ideal é que a imunização seja iniciada na puberdade, em meninas a partir de 10 anos. "Ela é eficiente ao extremo antes do início da vida sexual, mas isso não significa que aos 23 anos não seja suficiente para impedir a ação do vírus", afirma o professor da Universidade Federal de São Paulo José Focchi.

Estudos mundiais revelam que 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum momento da vida. "Se o vírus entrou na célula, a vacina não protege mais. Mas a imunização também serve para outros tipos", diz Focchi.

De acordo com os especialistas, a vacina não é capaz de infectar o organismo, pois a partícula utilizada para a imunização não é infectante, apesar de o corpo reconhecê-la como HPV e produzir anticorpos.

O SUS (Sistema Único de Saúde) não a oferece. Mas, segundo o ginecologista Garibalde Mortoza Junior, a ABPTGIC (Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia) enviou recomendações e carta ao Ministério da Saúde para pedir a implementação da vacina no calendário oficial brasileiro. Em laboratórios particulares, as três doses obrigatórias para total imunização custam de R$ 800 a R$ 1.000.

Campanha é lançada para conscientizar população

A ABPTGIC (Associação Brasileira de Patologia doTrato Genital Inferior e Colposcopia) lançou a campanha Mulheres Semeiam Vida na internet para conscientizar a população sobre o câncer de colo do útero.

"Queremos que haja disseminação maior dos conhecimentos sobre as formas de prevenção desse câncer que é um dos poucos que podem ser prevenidos", afirma o presidente da associação Garibalde Mortoza Junior.

Interessadas em buscar mais informações podem acessar o site www.mulheressemeiamvida.com.br ou acessar a fanpage (www.facebook.com/mulheressemeiamvida). A cada 25 curtidas na página, uma árvore será plantada no Brasil pela IBF (Instituto Brasileiro Florestal).



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Uma em cada três
mulheres nunca fez
o exame preventivo

O Papanicolau é a principal maneira de detectar lesões que podem levar à doença

Thaís Moraes
Do Diário do Grande ABC

19/05/2013 | 07:00


Uma em cada três brasileiras (31%) nunca realizou ou fez apenas uma vez o exame de Papanicolau, principal recurso para detectar lesões que podem levar ao câncer de colo do útero.

É o que mostra pesquisa feita pela ABPTGIC (Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia) em parceria com o Ibope para avaliar o conhecimento das mulheres em relação à doença. O levantamento foi realizado com 700 mulheres, de 16 a 55 anos, moradoras de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e Recife.

Outro dado que chama a atenção é que 66% das entrevistadas não relacionam o HPV (papilomavírus humano) com o câncer de colo do útero, quando na realidade a chance de desenvolver a doença é até 100 vezes maior em pacientes infectadas.

A pesquisa também revela que 76% das representantes do sexo feminino não sabem que a vacinação contra o HPV é forma de prevenção do câncer, e 40% delas não associam a necessidade de exames de rotina para prevenir a doença.

"A desinformação ainda paira sobre o câncer uterino. As pessoas não sabem que se trata de doença, que pode ser prevenida, atribuída a um vírus passível de vacinação. O que é um problema porque, ao contrário de outros cânceres, em que a cura baseia-se em diagnóstico precoce, o de colo do útero tem dois métodos de prevenção: pela vacina e pelo exame, cujo objetivo é descobrir lesões", afirma o presidente da associação, Garibalde Mortoza Junior.

O HPV é uma DST (Doença Sexualmente Transmissível). No entanto, como sua transmissão é feita em cadeia, não é possível saber quem é o foco de contaminação. "A mulher foi infectada por um homem que, por sua vez, recebeu o vírus de outra mulher, e assim vai. O câncer de pênis é raro, e somente cerca de 40% dos casos são causados pelo vírus. A diferença entre os dois é que no de colo do útero existem células muito mais suscetíveis ao HPV", explica o ginecologista.

Quando o HPV entra no organismo, mulheres com boa imunidade conseguem eliminá-lo, o que pode levar de nove a 16 meses. Já em outras pacientes, o vírus permanece e, por existirem condições favoráveis, podem aparecer lesões ao longo do tempo que desencadeiem o câncer. "O processo é longo e dura, em média, de oito a dez anos. Mas, em algumas pacientes, a evolução é mais rápida", esclarece o chefe do departamento de Tocoginecologia da Universidade Federal do Paraná, Newton Sérgio Carvalho.

SINTOMAS - De acordo com o professor da Universidade Federal de São Paulo José Focchi, não existem sintomas característicos do câncer de colo do útero. "Quando existe dor, e a paciente tem sangramento espontâneo, o caso é considerado avançado. Já quando tem sangramento no ato sexual, o tumor pode estar em estágio inicial", explica.

A funcionária pública Denise Gaspar, 51 anos, descobriu o câncer por meio do Papanicolau. "O exame salvou minha vida. Tive medo de não poder ver minhas três filhas crescerem. Tive depressão, mas com o apoio do meu marido, conseguimos superar", recorda, emocionada.

Vacinação deve ocorrer a partir dos 10 anos

Ao contrário de outros vírus mutáveis, como os da gripe, o HPV é estável, apesar de existirem mais de 100 tipos. De acordo com Newton Sérgio Carvalho, para fazer a vacina foram pesquisados quais agentes mais causavam o câncer de colo do útero. "O resultado mostrou que os tipos 16 e 18 eram os principais, e a imunização foi feita baseada neles. Entretanto, ao longo dos anos, a vacina se mostrou capaz de atingir parentes desses tipos", explica.

O ideal é que a imunização seja iniciada na puberdade, em meninas a partir de 10 anos. "Ela é eficiente ao extremo antes do início da vida sexual, mas isso não significa que aos 23 anos não seja suficiente para impedir a ação do vírus", afirma o professor da Universidade Federal de São Paulo José Focchi.

Estudos mundiais revelam que 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum momento da vida. "Se o vírus entrou na célula, a vacina não protege mais. Mas a imunização também serve para outros tipos", diz Focchi.

De acordo com os especialistas, a vacina não é capaz de infectar o organismo, pois a partícula utilizada para a imunização não é infectante, apesar de o corpo reconhecê-la como HPV e produzir anticorpos.

O SUS (Sistema Único de Saúde) não a oferece. Mas, segundo o ginecologista Garibalde Mortoza Junior, a ABPTGIC (Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia) enviou recomendações e carta ao Ministério da Saúde para pedir a implementação da vacina no calendário oficial brasileiro. Em laboratórios particulares, as três doses obrigatórias para total imunização custam de R$ 800 a R$ 1.000.

Campanha é lançada para conscientizar população

A ABPTGIC (Associação Brasileira de Patologia doTrato Genital Inferior e Colposcopia) lançou a campanha Mulheres Semeiam Vida na internet para conscientizar a população sobre o câncer de colo do útero.

"Queremos que haja disseminação maior dos conhecimentos sobre as formas de prevenção desse câncer que é um dos poucos que podem ser prevenidos", afirma o presidente da associação Garibalde Mortoza Junior.

Interessadas em buscar mais informações podem acessar o site www.mulheressemeiamvida.com.br ou acessar a fanpage (www.facebook.com/mulheressemeiamvida). A cada 25 curtidas na página, uma árvore será plantada no Brasil pela IBF (Instituto Brasileiro Florestal).

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