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Biquíni completa seis décadas


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

23/06/2006 | 08:59


Seis décadas atrás, uma bomba nuclear detonou uma ansiedade constante pelos próximos verões, mas não foi por causa de um inverno nuclear. Houve muita perda de fios, mas não de cabelos, e sim de tecido. Até 1946, o traje de banho feminino mostrava o rosto da mulher e olhe lá, mas a criação do biquíni revolucionou moda e costumes. Graças ao conjunto de duas peças, batizado em função das bombas atômicas testadas no atol de Bikini no Oceano Pacífico, os verões mudaram a então vaga noção do que significavam as medidas 90-60-90, num jogo de esconde-mostra que dura até hoje e que só a tecnologia pode acrescentar algo a mais – ou seria tirar?

Atrizes, pin ups, modelos e vedetes tornaram-se adeptas instantâneas do biquíni, popularizando o duas peças, mas debaixo de uma desconfiança social da “amoral” novidade. Nas areias de Copacabana, as primeiras brasileiras a usar biquíni foram as vedetes cariocas Carmem Verônica, a Mary Montilla da novela Belíssima, e Norma Tamar, lá pelo fim dos anos 50. Juntava gente para vê-las, entre olhares curiosos, safados e ameaçadores. As duas tomavam banho de sol e de mar, isto é, quando pedras e outros objetos à mão dos passantes não lhes eram atirados, obrigando-as a deixar a praia mais cedo. Com esse puritanismo no ar, circulou à época uma piada sobre a última moda, o traje de banho três peças: chapéu, óculos e chinelos. O biquíni demorou a convencer, mas o cinema ajudou.

Quando os Estados Unidos fizeram testes explodindo as primeiras bombas atômicas no atol de Bikini, a notícia chegou à França do pós-guerra, mas não se falou de estragos no meio ambiente ou em seqüelas radioativas na população que vivia ao redor. Jacques Heim criou o maiô de duas peças, usando quatro tecidos cortados em triângulo. Muito discreto, não fez alarde. Cerca de quatro meses depois coube ao designer Louis Reard, um engenheiro mecânico com pinta de showman, apresentar sua criação, um top e uma tanga semelhante à lingerie feminina, com estampas e cores. Ganhou a paternidade, mas nenhuma mulher quis usá-lo em público.

No dia 26 de junho de 1946, Reard encontrou a modelo ideal, acostumada a trabalhar sem roupa em Paris. A stripper Micheline Bernardini desfilou com a novidade que Reard vaticinou ser “tão explosiva quanto a bomba nuclear de Bikini”. Décadas depois, Diana Vreeland, editora de moda das revistas norte-americanas Harper’s Bazaar e Vogue, confirmaria a previsão por linhas tortas: “O biquíni é a invenção mais importante do século XX, depois da bomba atômica”.

Marilyn Monroe, Jane Mansfield e outras bombshells dos anos 50 caíram bem no duas peças, que ganhou fama internacional graças ao filme E Deus Criou a Mulher (1956), de Roger Vadim, estrelando o biquíni e Brigitte Bardot, e quando Ursula Andress apareceu sumariamente vestida, ou quase despida, em 007 Contra o Satânico Dr. No (1962). O biquíni ganhou série de oito filmes no cinema norte-americano, iniciada em 1963 com A Praia dos Amores. A essa altura, estava também nas paradas com Itsy Bitsy Teeny Weeny Yellow Polka Dot Bikini (de Paul Vance e Lee Pockriss), número 1 na Billboard em 1960, cantada por Brian Hyland – no Brasil, ganhou versão na voz de Os Vips na famosa “Era um biquíni de bolinha amarelinho tão pequeninho...” que deixou muitas Anas Marias complexadas.

Uma década depois, o biquíni tornou-se obrigatório no vestuário feminino, passando antes pelo engana-mamãe dos anos 60: de frente parecia um maiô de corpo inteiro, mas nas costas, era mesmo um biquíni, com fecho éclair no bumbum. No Brasil, a atriz Leila Diniz foi divulgadora de primeira hora do duas peças, e a modelo Rose di Primo deu a contribuição brasileira à invenção, enrolando a peça inferior abaixo da cintura, popularizando a tanga nos anos 70.

Os anos 80 viram nascer o cavadão asa-delta e o fio dental, demodê hoje em dia. A partir dos anos 90 e atualmente, o biquíni foi voltando às formas originais, ganhando lacinhos, fuxicos e quetais aqui e ali – falam até em nanotecnologia nos fios, que possibilitaria mudança automática de cores! Desde que Gisele Bündchen, Leticia Birkheur, Raica de Oliveira e outras 90-60-90 fiquem à frente na moda praia, que venham os verões.



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