Política Titulo Operação Estafeta

Sem dar detalhes, Prefeitura de São Bernardo se pronuncia sobre ação da PF

O posicionamento ocorre após o afastamento do prefeito Marcelo Lima (Podemos) do cargo por determinação judicial

Natasha Werneck
Bruno Coelho
14/08/2025 | 13:15
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FOTO: André Henriques | DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A Prefeitura de São Bernardo divulgou, na tarde desta quinta-feira (14), uma nota oficial a respeito da operação deflagrada pela PF (Polícia Federal) no município. Segundo a administração, todos os dados e documentos solicitados pelas autoridades estão sendo disponibilizados.

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O posicionamento ocorre após o afastamento do prefeito Marcelo Lima (Podemos) do cargo por determinação judicial. “A Prefeitura de São Bernardo informa que irá colaborar com todas as informações necessárias em relação ao caso. A gestão municipal é a principal interessada para que tudo seja devidamente apurado. Reforçamos que o episódio não afeta os serviços na cidade”, diz o comunicado.

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O líder de governo na Câmara, vereador Julinho Fuzari (Cidadania), afirmou ter recebido a notícia com “surpresa e perplexidade” e que ainda aguarda mais informações para avaliar os próximos passos. “Assim como a população e a própria imprensa, nós também soubemos pela manhã sobre o afastamento do prefeito. Precisamos aguardar a apuração dos fatos para entender exatamente o que ocorreu e deliberar como vamos agir. As informações estão chegando aos poucos e é importante saber, por exemplo, qual a origem dos contratos sob suspeita: se são novos ou se vêm da gestão anterior”, declarou.

Fuzari disse ainda que, até o momento, não houve diálogo entre Legislativo e Executivo sobre o caso. “O que estou em busca agora é de informações. Acredito que o Executivo também aguarda a formalização da denúncia para, a partir disso, haver um diálogo com o Legislativo e avançarmos nessa discussão”, completou.

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Entenda a operação

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (14) a Operação Estafeta, que investiga um esquema de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro na Prefeitura de São Bernardo. A ação resultou no afastamento de Marcelo Lima de suas funções por um ano, além da determinação para que ele utilize tornozeleira eletrônica.

A ofensiva mobilizou 70 policiais federais e cumpre medidas cautelares expedidas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, incluindo duas prisões temporárias, 16 mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos bancário e fiscal, além do sequestro e bloqueio de bens e valores que somam até R$ 13 milhões.

Também foram afastados de seus cargos dois vereadores — Danilo Lima (Podemos) e Ary José de Oliveira (PRTB) —, um secretário municipal ainda não identificado, o servidor da Prefeitura Antonio Rene da Silva (Diretor de Departamento na Secretaria de Coordenação Governamental) e o funcionário da Assembleia Legislativa de São Paulo Paulo Iran, auxiliar legislativo. As diligências ocorreram em São Bernardo, Santo André, Mauá, Diadema e na capital paulista.

As investigações tiveram início em julho de 2025, quando a PF apreendeu R$ 14 milhões em espécie — entre reais e dólares — na posse de um servidor público ligado ao esquema. A análise do material levou à descoberta de um grupo integrado por membros da alta administração municipal, que atuariam como operadores financeiros para receber, movimentar e destinar dinheiro em espécie oriundo de empresas contratadas pelo município e pela Fundação ABC.

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Segundo a PF, parte dos recursos teria sido usada para pagar despesas pessoais do prefeito e de familiares, por meio de depósitos fracionados com o objetivo de burlar mecanismos de controle, como o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O Paço Municipal seria um dos pontos de gerenciamento das transações ilícitas.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro — crimes cujas penas, somadas, podem chegar a 39 anos de prisão.

O nome “Estafeta” faz referência a pessoas responsáveis por transportar mensagens, documentos ou encomendas — papel que, segundo as investigações, era desempenhado por integrantes do grupo para movimentar valores de forma clandestina.

Com o afastamento, a vice-prefeita Jéssica Cormick (Avante) assumiu interinamente a chefia do Executivo municipal.

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