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No fim de 2024, o FDA (Food and Drug Administration), a agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, divulgou suas novas diretrizes para definir quais alimentos podem ser rotulados como saudáveis, tornando possível transitar por corredores de supermercados escolhendo produtos com bases técnicas anotadas em seus rótulos.
Mas, esta prestigiada instituição não goza de ampla simpatia em suas ações e o escolhido de Donald Trump para ser o Secretário do Departamento de Saúde, Robert F. Kennedy Jr, é um de seus críticos severos.
Kennedy Jr, que traz como objeto importante de sua agenda de intenções “tornar a América saudável novamente”, entende que o FDA é ineficaz em seu papel de orientação da população americana para hábitos alimentares sadios e por isso promete demissão em massa na agência.
De fato, a atuação do FDA naquilo que lhe é pertinente não tem propriamente resultado em êxitos através da história, sendo provável que esta última resolução tenha o mesmo destino das anteriores, pois, tornar obrigatório extensa informação nutricional nos rótulos daquilo que é consumido tem demonstrado mundialmente pouco impacto quando essas políticas são testadas na vida real.
Sabe-se que os erros alimentares conduzem para problemas orgânicos e por todo o mundo os sistemas de saúde procuram caminhos para divulgar e incentivar consumos salutares, mas por aqui começam as dificuldades, pois, o saudável reverenciado ontem, nem sempre é o de agora.
A gordura vegetal hidrogenada, atualmente reconhecida pelos seus potenciais estragos cardiovasculares, possuía até há bem pouco tempo uma versão proposta para proteção contra a doença coronariana, trazendo selo de entidade médica em suas embalagens.
Lembremos ainda que os refrigerantes diets, ou lights, foram exemplos de boa escolha por algumas décadas e conquistaram grande destaque em receituários de médicos e nutricionistas até que fossem desmascarados.
Pesquisa publicada em meados de 2024, que contou com a parceria da American Heart Association (Associação Americana do Coração) na avaliação de 2.000 americanos adultos, anota que 91% reconhecem os ultraprocessados como causa de problemas de saúde nos EUA, enquanto 77% relatam desejo em consumir produtos saudáveis e 60% veem o custo como principal barreira para adotarem estes novos hábitos.
O que Kennedy Jr precisa enfrentar não é o FDA, mas sim a óbvia realidade de que a maior parte dos alimentos saudáveis não possui marca fantasia e não movimenta o mercado financeiro como ocorre com os industrializados.
E adicionalmente, tal lá como aqui, embora a decisão do que é bom e ruim passe pelo cérebro, tramita também por um setor extremamente sensível em nossas vidas: o bolso!
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