Setecidades Titulo Entidade acusada de elo com PCC
ONG de São Bernardo teria ligação com envolvidos no assassinato de delator

Polícia diz que identificou conexão de líderes da entidade com criminosos suspeitos de participar do homicídio de Vinicius Gritzbach

Thainá Lana
26/01/2025 | 16:19
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Reprodução Redes Sociais

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A ONG (Organização Não Governamental) Pacto& Social Carcerário, de São Bernardo, acusada de elo com o PCC (Primeiro Comando da Capital), teria ligação com criminosos envolvidos no assassinato do delator Vinicius Gritzbach, em 8 de novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, segundo investigação policial. Em atividade desde 2019, a entidade atuava pelo direito dos presos. 

Líder da entidade, o casal Luciene Neves e Geraldo Salles, presidente e vice-presidente da ONG, respectivamente, foram presos no dia 14 de janeiro, em São Bernardo, durante a operação Scream Fake. Além deles, outras dez pessoas acabaram detidas por suspeita de envolvimento com a facção criminosa, incluindo advogados. Ainda houve o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão em diversos municípios do Estado. 

A partir desta operação, a polícia analisou o material recolhido durante os mandados, que levou a solicitação de compartilhamento de informações com outras investigações em andamento, em especial com a força-tarefa que investiga a morte de Vinícius Gritzbach.

“Materiais analisados na sexta-feira (24), reafirmaram a ligação dos criminosos com os envolvidos no assassinato do delator Vinicius Gritzbach. Com essas novas informações, a investigação confirmou que a ONG em questão foi criada e era mantida pela facção”, disse a polícia. 

As diligências descobriram que Kaue do Amaral Coelho, integrante da facção e suspeito de ser o olheiro do caso Gritzbach, teria financiado a viagem do diretor do documentário O Grito à Itália. O filme da Netflix, lançado em setembro do ano passado, discute o impacto do sistema penitenciário nas famílias dos detentos. A produção mostrou ainda as manifestações encabeçadas pela ONG de São Bernardo e contou com a participação do vice-presidente da entidade, Geraldo Salles.

Para a investigação, o documentário pode ser parte de uma das atividades desenvolvidas pelo quarto setor da facção, conhecido como "reivindicações". “Esse setor é responsável por promover ações judiciais ilegítimas, com manifestações populares e denúncias sem fundamento, para desestabilizar o sistema de justiça criminal e colocar a opinião pública contra o poder estatal”, alegou à polícia. 

A Polícia Civil e o Ministério Público também concluíram, após encontrarem um documento na casa dos líderes da ONG, que a entidade buscou junto à Corte Interamericana de Direitos Humanos representar um ex-guerrilheiro chileno em uma ação judicial movida pelo criminoso. “Um dos assessores nomeados para representar a ONG perante a Corte Interamericana é um ex-detento do sistema penitenciário federal, com passagens por tráfico de drogas.” As investigações prosseguem a fim de analisar todo material apreendido.

A reportagem tentou contato com a entidade sobre as novas acusações, mas até o momento não obteve retorno.

O que diz a ONG? 

No dia 15 de janeiro, a ONG divulgou uma nota de posicionamento sobre a acusação de envolvimento da entidade com o PCC. No comunicado, a ONG diz que atua de forma transparente e legal, sempre pautada “pelo respeito aos direitos humanos e pela busca de soluções para os problemas enfrentados por detentos e suas famílias”. 

Além disso, a entidade criticou a veiculação de matérias na imprensa que abordaram a operação policial com o documentário da Netflix. 

Veja a nota na íntegra:

“Nós, da ONG Pacto Social e Carcerário, viemos a público manifestar nossa posição em relação à matéria publicada em diversos canais de informação nesta data.


Fomos surpreendidos por uma notícia que menciona uma operação conjunta da Polícia Civil e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que teria como alvo nossa ONG e alguns advogados envolvidos.


A matéria faz referência ao documentário “O Grito”, no qual abordamos questões relevantes sobre o sistema prisional e a dignidade humana.


É importante esclarecer que a nossa ONG atua de forma transparente e legal, sempre pautada pelo respeito aos direitos humanos e pela busca de soluções para os problemas enfrentados por detentos e suas famílias.


O documentário em questão reflete nosso comprometimento com essa causa, evidenciando a necessidade urgente de reformas e uma gestão mais humanizada da política criminal no Brasil.


Reiteramos que a crítica ao sistema prisional não deve ser interpretada como uma afronta aos agentes de segurança, mas sim como um chamado à reflexão sobre as condições desumanas enfrentadas por milhares de pessoas.


O estado atual do sistema carcerário é uma realidade que demanda atenção e ação efetiva por parte do poder público, conforme reconhecido por diversas instâncias, inclusive pelo Supremo Tribunal Federal, na ADPF 347, amplamente debatido e divulgado na imprensa.


É fundamental que a imprensa exerça seu papel de forma ética e responsável, buscando informações precisas e contexto adequado antes de veicular notícias que possam gerar desinformação e criminalização de iniciativas que lutam pela dignidade humana.


Estamos à disposição para fornecer informações sobre nossas ações e projetos, que visam promover a justiça e a inclusão social. A nossa missão é garantir que a voz dos que estão à margem da sociedade seja ouvida e respeitada.


Cordialmente,

Diretoria e Familiares da ONG Pacto Social e Carcerário.”




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