Setecidades Titulo Dirigentes foram presos

ONG de São Bernardo foi criada a mando do PCC, diz polícia

Em entrevista coletiva, delegado afirmou que entidade, que atuava pelo direito dos presos, prestava contas a facção criminosa

14/01/2025 | 18:20
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Reprodução Redes Sociais Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Alvo de operação policial nesta terça-feira (14), a ONG Pacto Social & Carcerário, de São Bernardo, teria sido criada a mando do PCC (Primeiro Comando da Capital), segundo afirma a Polícia Civil de São Paulo. A entidade, que atuava pelo direito dos presos, é acusada de ligação com a facção criminosa e de fazer denúncias falsas de abusos no sistema prisional.

O casal Luciene Neves e Geraldo Salles, presidente e vice-presidente da ONG, respectivamente, foram presos preventivamente na manhã de hoje. Além deles, outras dez pessoas foram detidas por suspeita de envolvimento com a facção criminosa, incluindo advogados. Batizada de Scream Fake (falso grito, na tradução), a operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público cumpriu ainda 14 mandados de busca e apreensão em diversos municípios do Estado. 

O suposto envolvimento da entidade são-bernardense com o PCC teria sido descoberto a partir de uma apreensão de um cartão de memória, em 2021, quando uma visitante tentou entrar na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau com drogas K4 e o cartão escondido nas roupas. 

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Após análise do dispositivo, a polícia teria encontrado diversos arquivos, entre eles a denominação de quatro setores do PCC, menção de advogados que trabalham para facção e material que indicava que a ONG Pacto Social & Carcerário prestava contas à cúpula da facção criminosa. 

De acordo com o delegado Edmar Caparroz, do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 8, de Presidente Prudente, em 2022 foram apreendidos manuscritos no interior da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau que traziam novas referências aos advogados, médicos contratados e também aos integrantes da ONG de São Bernardo. 

“Procedemos com a quebra de sigilo bancário dessa ONG e da diretoria e vislumbramos que ela não fazia e não faz nenhuma capacitação de recursos públicos ou privados para financiar suas atividades”, revelou o delegado durante entrevista coletiva realizada hoje. 

OPERAÇÃO DA ONG

Ainda segundo as investigações, em novembro de 2023, os policiais apreenderam manuscritos que estavam em posse de um presidiário. No material havia um comunicado sobre a organização de manifestações por todo o País, sugestão de que presos simulassem torturas, orientações sobre locais para a instalação de faixas sobre os direitos dos presos e também a indicação de morte para três agentes públicos – que não foram identificados, conforme relatou a polícia. 

Os atos seriam orquestrados e realizados pelo “Setor das Reivindicações” do PCC, área até então desconhecida pela polícia, da qual a ONG de São Bernardo fazia parte. “Assim é que, dando concretude aos planos mencionados nos materiais apreendidos, pouco depois de um mês da apreensão do manuscrito, a ONG Pacto Social & Carcerário efetivamente realizou manifestação pública na cidade de Presidente Prudente, no dia 13 de dezembro de 2023, em frente ao prédio da Unidade Regional do Departamento Estadual de Execução Criminal”, descreve trecho do inquérito policial ao qual o Diário teve acesso.

“Tal manifestação encetada pela ONG, supostamente para reivindicar tratamento digno no sistema carcerário, na verdade, tinha a finalidade de desacreditar o sistema de Justiça perante a opinião pública. Atuou, portanto, segundo as diretrizes ditadas pelo PCC e em favor da organização criminosa”, destacou o MP (Ministério Público) no processo criminal.

A reportagem tentou contato com a entidade, mas até o momento não obteve retorno.

SAÚDE

A investigação apontou que os advogados mencionados no inquérito são os responsáveis pelo setor dos “gravatas”, que têm a função de assistência jurídica aos integrantes e familiares da facção, além de gerenciar outros departamentos da organização criminosa, como os da “saúde”, área responsável por selecionar médicos e dentistas para prestar atendimento dentro das penitenciárias. 

Os profissionais da saúde são selecionados e prestam o serviço, inclusive com intervenções cirúrgicas e estéticas, sem saber que estão colaborando com os integrantes da facção, mesmo recebendo valores expressivos para o atendimento. 

Conforme as investigações, a organização financia esses procedimentos por meio de recursos obtidos mediante práticas criminosas, intermediado pelo setor “financeiro”.




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