Vereador prestou depoimento ontem, assim como três testemunhas
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Em depoimento prestado ontem à comissão processante da Câmara de São Bernardo, o vereador Paulo Chuchu (PL) negou veemente que teria ameaçado o jornalista Artur Rodrigues. Além dele, foram ouvidas três testemunhas: os vereadores Lucas Ferreira (PL) e Glauco Braido (MDB), e Roberto Montes, assessor do parlamentar denunciado. A investigação trata de uma suposta ameaça ao profissional após sessão realizada em agosto.
Durante o depoimento, Chuchu afirmou que o episódio foi utilizado de “forma política” por adversários durante as eleições, já que o parlamentar, na época, foi candidato a vice na chapa encabeçada por Alex Manente (Cidadania), que foi derrotado por Marcelo Lima (Podemos) no segundo turno do pleito. “Nunca, em nenhum momento, houve essa questão de brincadeira. Levo muito a sério a questão de armamento. Meus adversários eleitorais usaram isso para dizer que ameaço mulheres e jornalistas, o que prejudicou minha imagem junto ao público que eu buscava conquistar, de centro e até centro-esquerda”, declarou.
O vereador também questionou as evidências apresentadas, já que, segundo ele, faltam cerca de nove minutos nas imagens disponibilizadas pela Câmara para sua defesa. “Pedi para preservar as imagens porque pensei que receberia o material completo, mas o que foi enviado foi um vídeo com cortes. Mesmo assim, fica claro que não houve clima de animosidade”, afirmou. “Solicitei a relação dos visitantes e a escala dos guardas municipais daquele dia, mas até agora nada foi entregue nem a mim, nem à comissão”, lamentou.
Ao ser questionado sobre o diálogo com o jornalista, Chuchu disse não se recordar exatamente como a conversa se iniciou. “Nada foi diferente da rotina de cobertura na Câmara. A única coisa diferente foi que conversamos sobre a eleição. Eu estava aberto a ouvir todas as opiniões, de jornalistas, políticos, assessores”, ressaltou.
Chuchu também demonstrou preocupação com a segurança na Câmara. “Nos últimos 15 dias de mandato, tenho de correr atrás de imagens para provar minha inocência. Isso mostra como o ambiente na Câmara é inseguro.” O liberal justificou o porte de arma, comum entre policiais civis, e afirmou que nunca utilizou uma arma para intimidar qualquer pessoa.
O vereador também rebateu a tese do denunciante, o advogado Jaime Luís Fregel Colarte Castiglioni. “Ele não estava presente e seu relato contradiz o que foi dito pelo próprio jornalista, que afirmou não ter visto nenhuma arma”, disse, referindo-se ao depoimento de Rodrigues na última semana. Para Chuchu, o caso configura uma tentativa de “assassinato de reputação”.
TESTEMUNHAS
Uma das testemunhas dos fatos investigados é o vereador Lucas Ferreira (PL), que também foi ouvido ontem. Segundo o presidente da comissão, Netinho Rodrigues (Podemos), Lucas teria relatado que, “em nenhum momento, percebeu alteração de voz” no diálogo entre Chuchu e Artur. “Foi um bate papo legal. Citou que não houve gesto nenhum nem manuseio de qualquer coisa na cintura”, afirmou o presidente do grupo que apura o caso.
O assessor Roberto Montes, por sua vez, citou que, logo depois da conversa, o jornalista desceu de elevador com o vereador “batendo papo”. “Ele acompanhou Chuchu quase o tempo todo e nenhum momento ocorreu a ameaça”, disse Netinho, sobre o depoimento.
O vereador Glauco Braido (MDB), que também prestou depoimento ontem, alegou que passou pelo jornalista e pelos colegas de Casa, mas não ouviu o teor da conversa.
De acordo com o jornalista Artur Rodrigues, a conversa mencionada pelo assessor Roberto Montes na descida da Câmara após a sessão nunca ocorreu. "Não sei de onde o assessor do Chuchu tirou que eu desci com o vereador de elevador. Eu não usava o elevador da Câmara, sempre subia e descia pela escada rolante", apontou.
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