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Com o fim do ano, as promessas para conquistar uma vida melhor, mais leve e saudável começam a nos sondar. Muitas aparecem com certa leveza, já outras ficam nos atormentando e muitas vezes até tiram o nosso sono.
E aquele famoso check-up de fim ou começo do ano aparece como um dos tópicos da nossa agenda. Exames laboratoriais e de imagem muitas vezes são pedidos na expectativa de quantos mais exames, melhor será a saúde. Mas essa é a ideia equivocada. Muitas vezes, esse excesso de exames, ao invés de ajudar, prejudica a nossa saúde e também o bem-estar, pela ansiedade gerada para obter logo os resultados em mãos.
Uma das principais implicações da solicitação de exames que não são necessários é o chamado falso-positivo – que são resultados que confundem o diagnóstico e trazem ainda insegurança aos pacientes.
Outro ponto que não pode deixar de ser questionado é o custo desses exames. Não importa se serão feitos pelo SUS (Sistema Único de Saúde), independentemente da esfera pública – municipal, estadual ou federal –, pela saúde suplementar que engloba os planos de saúde ou de forma particular.
No caso do SUS, quanto mais exames não necessários são feitos, oneramos ainda mais o sistema, com recursos que poderiam ser direcionados para quem realmente precisa fazer e ainda, deixando a fila mais livre para esses pacientes que realmente estão já em tratamento ou com suspeita de algum problema de saúde, sendo grave ou não.
E não pense que não estou indicando que você não faça seus exames! Alguns deles não devem deixar de serem feitos, como a mensuração de colesterol e açúcar no sangue em populações específicas, que podem ser feitos de acordo com a necessidade avaliada pelo seu médico.
Existem movimentos globais que reforçam e alertam sobre os prejuízos que os excessos de exames causam na saúde física e emocional das pessoas. Um exemplo é o Choosing Wisely – tradução para português “escolhas sábias”– que facilita e promove conversas entre profissionais da saúde, a partir da elaboração de listas de recomendações com referências científicas.
Consulte sempre seu médico, caso tenha dúvida se determinado exame que uma pessoa próxima e que não seja da área da saúde tenha lhe recomendado ou até mesmo visto na internet. Pergunte se esse procedimento realmente é para você, de acordo com seu estado atual de saúde, idade, histórico familiar e individual, ambiente em que vive e até profissão. Podem parecer muitos detalhes para definir a realização de apenas um exame, mas que fazem toda a diferença na sua avaliação individual.
No mais, o principal para preservar a sua saúde é aquele básico bem feito, que possivelmente você está cansado/a de ouvir e ler por aí: dormir bem, se alimentar o melhor possível, com comida de verdade e evitar ao máximo alimentos processados e industrializados – aquele chocolate está liberado, assim como o fast food, mas sempre como exceção e não sendo a regra diária.
Exercícios físicos, nem que seja aquela caminhada com o cachorro de meia hora, e o controle de estresse, que é outro fator importante a ser incluído na rotina, ainda mais se você está planejando se cuidar melhor em 2025.
São pequenas atitudes, que em um conjunto, fazem toda a diferença no seu bem-estar e que até farão você mudar de ideia sobre a realização excessiva de exames como forma de prevenção.
Fabiano Gonçalves Guimarães é presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade.
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