Saúde de Família & Cidadania Titulo Saúde de Família & Comunidade
Outubro Rosa e saúde das mulheres
Fabiano Gonçalves Guimarães
14/10/2024 | 09:12
Compartilhar notícia
Fernandes

ouça este conteúdo

O mês de outubro é marcado pelo movimento Outubro Rosa, uma campanha que promove a conscientização sobre o câncer de mama e incentiva a realização de exames preventivos, como a mamografia. Sem dúvida, essa mobilização tem um papel importante na saúde da mulher, ao colocar o tema em evidência. No entanto, é fundamental refletir sobre a forma como esta estratégia vem sendo conduzida e se a ênfase excessiva em exames diagnósticos, assunto que já tratamos aqui nesta coluna, não está deixando de lado um cuidado mais integral.

A campanha do Outubro Rosa tem um grande apelo social e de marketing, atingindo muitas pessoas e despertando o interessa da população em realizar exames complementares. Nos últimos anos, o foco em exames como a mamografia tem crescido exponencialmente, e a pressão para que mulheres, muitas vezes jovens, realizem esses exames de forma rotineira é enorme. Esse excesso de exames pode gerar uma falsa sensação de segurança, fazendo com que mulheres acreditem que estão protegidas de doenças apenas se submetendo a exames, sem necessariamente passar por uma avaliação integral da sua saúde com sua médica ou seu médico. 

Além disto, quando fazemos exames aleatoriamente aumentamos a detecção de alterações que, embora presentes, não necessariamente evoluiriam para uma doença. O resultado pode ser a realização de procedimentos invasivos e desgastantes, tanto física quanto emocionalmente, sem contar o impacto financeiro, tanto para as pacientes quanto para o sistema de saúde.

É importante destacar que os exames para prevenção de doenças de um modo geral incluindo o câncer são importantes em muitos casos, especialmente para mulheres com histórico familiar ou outros fatores de risco. As mulheres que tem indicação de realizar a mamografia devem ter acesso a este exame de forma ágil, mas esta indicação deve acontecer dentro de uma avaliação individualizada que considera o fato de que cada mulher é única, e o cuidado com sua saúde deve ir além de números e protocolos pré-estabelecidos. 

A saúde da mulher não se limita ao câncer de mama. Muitas vezes, questões como saúde mental, bem-estar social, nutrição e a prática de atividades físicas são deixadas em segundo plano. Um cuidado integral deve considerar a mulher em sua totalidade, avaliando seus hábitos de vida, seu contexto familiar, suas vulnerabilidades sociais, a cobrança pela dupla jornada de trabalho e até mesmo as pressões sociais que enfrenta ao conviver com uma sociedade que por vezes se mostra machista, misógina e segregadora.

A prevenção de doenças é etapa importante do cuidado à saúde da mulher, mas não pode ser reduzida a exames periódicos. Que neste outubro e em todos os outros meses do ano as mulheres possam encontrar médicas ou médicos que sejam capazes de fazer um cuidado integral e personalizado como elas merecem, com muita escuta, exame físico adequado e solicitação de exames no tempo e na quantidade necessárias. 

Fabiano Gonçalves Guimarães é presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga. Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga.
;