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Novo comandante do CPA/M-6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana 6), responsável pelo Grande ABC, o coronel Carlos Alberto Rodrigues Sanches Júnior já iniciou os trabalhos. Ao Diário, ele falou sobre as metas de seu comando, que inclui a valorização da tropa, além de destacar a importância do Grande ABC para o comando da Polícia Militar, já que fez parte da 4ª EM/PM (Estado Maior da Polícia Militar do Estado de São Paulo), principal órgão de assessoria do Comandante Geral da corporação. Sendo o terceiro no cargo em 2024, o coronel afirma ainda que pretende ficar anos no Grande ABC, até sua aposentaria.
RAIO X
Nome: Carlos Alberto Rodrigues Sanches Júnior
Idade: 50 anos
Local de nascimento: Capital; mora em Mairiporã
Formação: Graduação em Direito
Hobby: Tocar violão
Livro que recomenda: Fortaleza Digital, de Dan Brown
Personalida que marcou sua vida: O pai
Profissão: Coronel da PM e comandante do CPA/M-6
Onde trabalha: Polícia Militar do Estado de São Paulo
O coronel acumula vasta experiência na corporação. Poderia contar sobre suas experiências e por que ingressou na Polícia Militar?
Entrei na PM (Polícia Militar) em 1991, no antigo curso preparatório, que era equivalente ao ensino médio na época, por uma indicação do meu pai. Adaptei-me facilmente, apaixonei-me pelo militarismo e decidi seguir a carreira. O desafio foi uma experiência enriquecedora. Após a academia, fui comandante de força patrulha no 18º Batalhão de PM da Capital, que cobre os bairros ao redor da Freguesia do Ó. Depois, trabalhei na Corregedoria da PM, fui assessor da PM na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) e passei um período no Centro de Comunicação Social da PM. Voltei à Corregedoria, desta vez na área técnica, e depois trabalhei na 4ª EM/PM (Estado Maior da Polícia Militar do Estado de São Paulo), responsável pela logística estratégica da instituição, incluindo frota, material bélico, imóveis, tecnologia da informação e comunicação. Cheguei ao posto de coronel e tive uma passagem pela coordenadoria de Assuntos Jurídicos da PM. Este órgão é integrado por três entidades, e há uma sinergia e assessoramento no que diz respeito ao andamento e monitoramento das questões jurídicas que competem à PM. Finalmente, vim para comandar o CPA e sou responsável por sete municípios: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Mauá, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. É uma honra estar aqui, sinto-me honrado e privilegiado.
Qual a sua expectativa para o comando do policiamento no Grande ABC?
Minha expectativa é trabalhar bastante e na direção correta. Trabalhar bastante refere-se à eficiência, enquanto trabalhar de forma correta é a eficácia. A combinação de eficiência e eficácia resulta na efetividade. Portanto, espero trabalhar muito, seguir a direção correta e proporcionar segurança efetiva para os sete municípios.
Quais são suas prioridades imediatas na região?
As prioridades são, inicialmente, reduzir os índices criminais, especialmente em relação aos crimes mais graves, como roubo, furto e homicídio. Além disso, trabalharemos para proporcionar melhores condições de trabalho para os policiais militares, pois acredito que isso também resultará em uma melhor prestação de serviços à sociedade. Quanto mais digna for a condição de trabalho do policial militar, melhor será o serviço prestado à comunidade. Portanto, focaremos em diminuir os índices criminais e valorizar nossos profissionais. Estou focado em entender rapidamente a geopolítica criminal da região para detectar, junto com o Estado Maior e os comandantes de batalhão, a melhor política de segurança pública a ser adotada. O desafio é identificar essas necessidades com a maior rapidez possível e agir rapidamente, pois os problemas não param e não esperam. O objetivo é detectar e implementar soluções de forma eficiente.
O sr. conversou com o coronel Elizeu Sebastião da Silva Filho, comandante anterior, sobre a região antes de assumir?
Sim, conversei com o coronel Elizeu, que me passou o comando de maneira profissional e cordial. Ele é mais experiente, mas sempre me tratou muito bem, e tivemos um bom relacionamento. Ele me forneceu informações sobre as principais demandas administrativas e operacionais, o que será útil para o nosso comando.
Neste ano, já houve duas trocas de comando. O sr. planeja permanecer um tempo maior na região?
As trocas de comando são determinadas pela corporação e não posso prever a duração delas. No entanto, planejo permanecer aqui por um bom período. De acordo com a lei, um coronel promovido tem cinco anos para ficar no posto antes de aposentadoria compulsória. Espero ficar pelo menos a maior parte desse tempo no comando.
Como a região é vista pelo comando da PM?
O comando da PM vê a região como área estratégica. A região abrange sete municípios de grande importância para o Estado e para o País. Fui recomendado para vir aqui prestar um serviço à altura da relevância desta sociedade.
E como a sua experiência na 4ª EM/PM (Estado Maior da Polícia Militar do Estado de São Paulo), junto ao comando da PM, influenciará no CPA/M-6?
A experiência no Estado Maior, especialmente na área de logística estratégica, é fundamental. A logística é crucial para o funcionamento adequado das operações. Se não houver um policiamento eficiente, viaturas adequadas, comunicação eficaz, fardamento confortável e armamento de qualidade, a atuação da polícia pode ser comprometida. Se você não oferece condições adequadas ao policial militar, que é nosso principal ativo, não conseguirá fornecer a ele os recursos necessários para combater o crime. Portanto, uma das nossas prioridades é trabalhar na implementação logística, incluindo a aquisição de equipamentos e material médico, em colaboração com o comando da corporação. A experiência que adquirimos na Assembleia Legislativa, onde mantivemos um relacionamento produtivo com os deputados estaduais e com o presidente, será utilizada aqui. Vamos aplicar o relacionamento político, profissional, técnico e institucional que desenvolvemos. Além disso, sempre buscamos aprimorar nossos programas, como o programa de rádio patrulha e o policiamento de trânsito, e garantir o apoio das unidades especializadas, como o Choque e o Trânsito. No curto período em que estou aqui, que é de cerca de três semanas, já realizamos três operações com resultados expressivos. Divulgamos esses resultados para a mídia, que é crucial para que o cidadão conheça as ações da polícia e seus resultados. A transparência é fundamental, e fizemos questão de divulgar não apenas a realização das operações, mas também seus resultados. Isso tem gerado efeitos positivos, como evidenciado pelas mensagens e feedbacks que recebo da população.
Como está a relação da PM com as Prefeituras do Grande ABC, especialmente em tempo de eleições?
A PM é uma política de Estado e, como tal, tem a interface e o diálogo com todo o poder público. Não dependemos de orientação partidária para manter o diálogo e fazer parcerias. Nosso principal objetivo são as políticas públicas voltadas para a segurança pública. O diálogo com as prefeituras locais vai e deve existir, e buscaremos isso da melhor forma possível, independentemente da orientação partidária. Já iniciamos as conversas e elas seguirão de forma contínua. Não haverá um fim para esse contato, que será sempre necessário e se tornará mais estreito quando necessário. O contato já começou e será aprimorado continuamente. Nos próximos dias e semanas, a parceria e o contato não serão suspensos devido ao período eleitoral. Continuaremos mantendo a proximidade e o diálogo, pois os problemas também não se suspendem. Embora haja vedações impostas pela legislação eleitoral, respeitamos essas restrições, mas o diálogo deve ser contínuo e já começou.
Que tipo de iniciativas ou programas comunitários o sr. planeja implementar para fortalecer a relação entre a polícia e a comunidade local?
Quanto à sensação de segurança, que pode ser subjetiva, planejamos estreitar os laços com as comunidades não apenas por meio de operações, mas também por meio de visitas e divulgação do nosso trabalho. A percepção de segurança varia entre os cidadãos: enquanto alguns podem se sentir seguros com a presença de uma viatura, outros podem achar que isso indica um problema iminente. Embora nunca seja possível alcançar uma percepção de segurança totalmente plena, acreditamos que, com a presença constante dos policiais militares e um atendimento educado e eficaz, poderemos melhorar essa percepção ao longo do tempo. Nossas visitas, reuniões e entrevistas contribuirão para esclarecer nossa atuação e melhorar a percepção da segurança na comunidade.
Quais são suas estratégias para lidar com o tráfico de drogas no Grande ABC?
O tráfico de drogas é, de fato, um crime altamente lucrativo para o crime organizado e costuma ser silencioso. Muitas vezes, quando conseguimos detectar a atividade, ela já está consolidada. Assim como qualquer comércio, há sempre quem venda a droga porque há quem a compre, ou seja, os usuários ou viciados. O combate ao tráfico de drogas exige uma estratégia de empenho da Polícia Militar, além de contar com a parceria da inteligência da Polícia Civil. Juntas, essas forças podem enfrentar esse crime, que também é uma porta de entrada para outros crimes. Usuários de drogas recorrem frequentemente a pequenos furtos, roubos e outros delitos para sustentar seu vício, formando um ciclo criminoso. Nossa intenção é combater o tráfico de drogas de forma preventiva, utilizando ações de inteligência.
Quais são suas expectativas em relação à colaboração com outras forças de segurança, como a GCM, para melhorar a segurança no Grande ABC?
O diálogo com a GCM é essencial. Muitas cidades têm uma atuação significativa e um poder de polícia bem definido. É importante que haja uma harmonização dos serviços prestados pelas Guardas Civis Municipais com os da Polícia Militar e da Polícia Civil. O poder de polícia busca garantir a ordem pública e é crucial definir claramente as competências das Guardas Civis para que todos os serviços se complementam e funcionem de forma integrada.
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