Número representa ações feitas no primeiro semestre; delegada lança cartilha com orientações e projeta curso para reabilitação de homens
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A Seccional de São Bernardo, que abrange também São Caetano, prendeu 98 pessoas por violência doméstica nos seis primeiros meses de 2024. Para marcar o Agosto Lilás, mês de criação da Lei Maria da Penha e conscientização sobre o tema, a delegada titular Kelly Cristina Sacchetto promoveu nesta quinta roda de conversa e lançou cartilha com orientações para vítimas desse crime. Também afirmou que projeta implementar reuniões com agressores como tentativa de quebrar o ciclo da violência. Neste domingo (18), haverá caminhada de conscientização (leia mais abaixo).
O evento reuniu as delegadas Adrianne Mayer Bontempi, assistente da Seccional; Daniela Attab Del Nero, titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de São Bernardo; Luciara de Cássia, da DDM de São Caetano; a presidente da Afum (Associação Força e União das Mulheres), Camila Cabral; a psicóloga Mariana Manente; e a advogada Arleide Braga, reitora da Fadisa (Faculdade de Direito Santo André). A reunião também teve a presença da deputada estadual Ana Carolina Serra (Cidadania).
“As operações Atria e a Shamar foram deflagradas pela Seccional e ainda estão em andamento, com o intuito de intensificar o combate à violência doméstica, familiar e ao feminicídio”, disse Kelly. De acordo com ela, em agosto, as operações são fortalecidas com ações preventivas, educativas e ostensivas. “É um período em que reafirmamos nosso compromisso com a proteção dos direitos das mulheres, promovemos o conhecimento das leis e o acesso aos serviços de apoio.”
Na cartilha lançada pela Seccional, há orientações sobre os tipos de violência, procedimentos a serem seguidos, opções de medidas protetivas
fornecidas nas delegacias, locais de atendimento às vítimas, entre outros dados que estão disponíveis no QR-Code ao lado.
“Os agressores são ‘encantadores’, não chegam batendo ou manipulando logo no início da relação. Além das DDMs, que ainda não atuam 24 horas na região, a mulher pode ir a qualquer delegacia e solicitar a Sala Lilás. Os policiais vão levá-la a um espaço reservado para que ela possa conversar de forma remota com uma delegada. É possível fazer boletim eletrônico e já solicitar a medida protetiva de urgência. Depois da denúncia, ela é assistida nos âmbitos social, jurídico e psicológico”, pontua a delegada Luciara de Cássia.
As denúncias podem ser feitas pelos números 190, disque 100 e 180. “Nossa legislação, da Lei Maria da Penha, é a terceira melhor do mundo. A maior
dificuldade é se reconhecer como vítima. Nem sempre é um tapa. Às vezes, é uma violência psicológica, patrimonial, entre outras possibilidades. A mulher se sente culpada pelo que passa. Por isso, a necessidade do apoio psicológico”, ressaltou Daniela Nero, da DDM de São Bernardo.
A delegada Adrianne Bontempi ficou por dez anos como titular da DDM de Santo André. Lá, ela desenvolveu programa reflexivo para homens, com até seis encontros entre indivíduos denunciados por violência doméstica.
“No projeto Pare percebemos que alguns homens sequer têm noção que determinado comportamento é crime. Eles reproduzem o que viam dos pais, por exemplo. As palestras eram para que eles desenvolvessem comportamentos não-violentos, aprendessem a resolver as coisas de outra maneira. Por mais que uma mulher saia do relacionamento abusivo, se o agressor não se responsabilizar pelo que aconteceu, ele pode fazer outras vítimas.” Segundo Adrianne, foi possível perceber que a maioria dos homens que passaram pelas palestras não voltou a ser denunciado.
“Vamos desenvolver esse projeto na Seccional de São Bernardo. Vimos que o resultado é positivo. Não será algo a curto prazo, vamos driblar as dificuldades porque o objetivo de romper o ciclo da violência é maior que qualquer empecilho”, explica Kelly.
A Caminhada Agosto Lilás vai acontecer domingo (18), com concentração a partir das 8h30, na Delegacia Seccional localizada na Rua Anunciata Gobbi, 75. As participantes irão até a DDM de São Bernardo, depois voltarão à Seccional. Além de exaltar o compromisso com os direitos das mulheres, a ação visa contribuir para que mais vítimas compreendam que estão no ciclo da violência.
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