Setecidades Titulo Explosões são risco
Queda de balões próximo ao Polo Petroquímico preocupa

Simulado de queda desses artifícios feita em Ribeirão Pires alerta para riscos da soltura de balões para a indústria, a população e a fauna

Beatriz Mirelle
12/06/2024 | 23:15
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FOTO: Andre Henriques/DGABC


Entre janeiro e abril, sete balões caíram nas proximidades do Polo Petroquímico do Grande ABC. No balanço anual, os índices apontam que ao longo de 2023 foram registradas 31 ocorrências, frente a 47 casos em 2022 (redução de 34%). Para alertar sobre os riscos desse crime, a região é pioneira ao realizar simulados com cenário emergencial que remete a quedas em parques industriais. A ação preventiva foi feita nesta quarta-feira (12) no Centro de Treinamentos da PMS em Ribeirão Pires pelo COFIP ABC (Comitê de Fomento Industrial do Polo do Grande ABC) e pelo PAM (Plano de Auxílio Mútuo) Capuava. 

“Desde 2020, temos quatro anos consecutivos de queda no número de capturas de balões na região do Polo”, afirma Valdemar Conti, coordenador do PAM Capuava. De acordo com ele, os dados são reflexo das campanhas de conscientização, que, em 2023, recebem o tema de “Não solte balão. Solte a imaginação!”. 

No simulado, os organizadores demonstraram como a equipe de segurança previne a queda de balões e, em uma segunda ação, os brigadistas mostraram qual é o treinamento caso o material atinja um tanque atmosférico de gasolina.

“Uma das prevenções é ter equipe preparada para monitorar os balões, principalmente à noite. Para que antes de ele chegar ao parque industrial seja possível dispersar o vapor e evitar mais problemas. Em caso de queda, haverá explosão no tanque”, pontua Paulo Silva, diretor técnico do PAM. “Ainda existe o desafio de desvincular o período junino da soltura de balões. É uma cultura que precisa ser prevenida, principalmente neste mês em que o tempo seco favorece focos de incêndio”, completa. 

O diretor da divisão de gestão de risco da Defesa Civil do Estado, major Vagner Martins, afirma que o simulado feito na região é uma iniciativa pioneira em São Paulo, que ele pretende expandir para mais cidades. “É uma experiência inovadora. Decidimos participar nesta quarta para levar essa proposta para outros polos”, explica.

Para ele, é impossível zerar os prejuízos gerados pelos balões, mas as campanhas ajudam a minimizar os danos. “Nunca estaremos 100% livres de risco. Então, precisamos focar na mudança de comportamento da população. No ano passado, tivemos uma redução significativa dos números como resultado da conscientização. É um problema que envolve toda a sociedade. Afeta as indústrias e a poluição atmosférica, aumenta a mortalidade dos animais, danifica vegetações, atrapalha o setor aeronáutico, entre outros prejuízos”, comenta. 

ESTADO 

Soltar, fabricar, vender ou transportar balões é crime desde 1998, com pena prevista de um a três anos. As queixas podem ser feitas pelos telefones 181 (disque denúncia), 190 (Polícia Militar) ou 193 (Corpo de Bombeiros). 

O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáutico) recebeu, em média, 830 denúncias anuais de ocorrência de balões nos últimos cinco anos. No País, os Estados com maior incidência foram São Paulo e Rio de Janeiro. 

Segundo monitoramento do governo de São Paulo, a quantidade de infrações aplicadas entre janeiro e maio deste ano apresentou alta de 135% em comparação a 2023. No ano passado, foram 17 autuações, frente a 40 autos de infração ambiental relacionados à soltura de balão registrados em 2024. Com isso, a soma dos valores das multas subiu de R$ 490 mil para R$ 890 mil agora.




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