Atualização do painel de monitoramento confirma mais sete casos entre abril e maio; Estado já registra 1.004 óbitos pela doença
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Em uma atualização do painel de monitoramento, o Governo de São Paulo retificou os números registrados entre abril e maio, com mais sete mortes, elevando o total de óbitos por dengue no Grande ABC para 29 em 2024 – com 28.263 casos confirmados. Nas sete cidades, mais 23 mortes e 2.132 notificações ainda estão em investigação. O Estado tem 1.417.742 ocorrências e 1.004 mortes, segundo a SES (Secretaria Estadual de Saúde).
São Bernardo lidera na região com oito óbitos, seguida por Diadema (sete), Santo André (seis), Mauá (seis) e São Caetano (dois). Ribeirão e Rio Grande da Serra apresentam números zerados.
Em maio, quatro homens morreram entre os dias 8 e 15. Três deles moravam em Mauá e um em Diadema. O perfil de idade mostra que dois tinham entre 35 e 41 anos e outros dois entre 50 e 64 anos. “As mortes por dengue estão abaixo de 1% dos casos na forma comum e entre 2% e 5% na forma hemorrágica. Quando não assistida ou sem tratamento, a dengue hemorrágica pode chegar a até 50% de mortalidade”, afirma Gabriel Franceschi, médico patologista clínico do Grupo Analiza.
Em caso de suspeita da doença, o especialista afirma que é importante evitar a automedicação. Caso o paciente utilize remédio contraindicado, isso pode aumentar as chances de evoluir para o quadro hemorrágico. “Os cuidados recomendados são procurar um serviço de saúde para confirmar o diagnóstico e receber orientações médicas, repousar e beber bastante líquido e retornar ao serviço de saúde caso haja sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, queda da pressão arterial, tontura, sonolência ou irritabilidade”, orienta Franceschi.
De acordo com o Ministério da Saúde, a dengue possui padrão sazonal, com aumento do número de casos e o risco para epidemias principalmente entre os meses de outubro a maio. No Grande ABC, o período com maior incidência de óbitos foi abril, com 16 confirmações. Depois março (oito), maio (quatro) e fevereiro (um caso).
Segundo Nanci Carmo, coordenadora da UVZ (Unidade de Vigilância de Zoonoses) de Diadema, a cidade, que acumula sete mortes e 4.713 casos confirmados, está na fase final da segunda avaliação de densidade larvária do ano.
“Ainda temos observado um número elevado de larvas de Aedes aegypti dentro de imóveis. Já estamos em junho e vemos números significativos da doença no Estado. Isso pode demonstrar uma adaptação do mosquito aos períodos mais frios. Por isso, reforçamos a importância da população participar das medidas de proteção.”
A recomendação é que toda a população tire pelo menos dez minutos da semana para avaliar o quintal e eliminar qualquer local que possa ser potencial criadouro do mosquito.
“Os munícipes se preocupam bastante com terrenos baldios e córregos, mas, geralmente, a maior concentração de mosquitos é dentro das casas. Indicamos que seja jogado cloro, detergente, sabão em pó ou desinfetante para eliminar as larvas. Também é necessário tirar vasos e potes de locais que podem acumular água da chuva. O comprometimento da população é essencial”, reforça Nanci.
De acordo com o médico infectologista Matheus Todt Aragão, professor da UNIT (Universidade Tiradentes), crianças, idosos, portadores de comorbidades graves, imunossuprimidos e pacientes que já tiveram dengue anteriormente são mais propensos a desenvolver formas graves da doença. "O uso de alguns medicamentos, principalmente do AAS, também eleva o risco de dengue grave. A dengue, bem como outras Arbovirose (Chikungunya e Zika), geralmente cursa com febre alta, dor muscular (mialgia) e dor de cabeça (cefaleia). O diagnóstico etiológico só pode ser dado com exames laboratoriais (como sorologia e o teste rápido)."
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