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Briga pelo comando da Câmara expõe cisão entre republicanos para 2024
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04/01/2023 | 08:30
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A nova legislatura da Câmara dos Deputados dos EUA tomou posse nesta terça, 3 com um impasse entre os republicanos para a escolha do novo presidente da Casa, que reflete a divisão do partido para as eleições de 2024. O deputado Kevin McCarthy, ligado à ala moderada, não conseguiu os 218 votos necessários nas três primeiras votações, algo que não acontecia desde 1923. Exaustos, após três rodadas inconclusivas, os congressistas decidiram adiar a decisão para esta quarta-feira, 4.

Os republicanos têm uma maioria apertada, com 222 deputados ante 212 democratas - uma cadeira está vaga. Assim, um número pequeno de deserções já impossibilitaria a vitória de McCarthy, que teve apenas 203 votos na primeira e na segunda votações e 202 na terceira.

Há 100 anos, da última vez que um presidente da Casa não conseguiu ser eleito em primeiro turno, o republicano Frederick Gillett precisou de nove rodadas para assegurar o cargo. De qualquer forma, o prejuízo político para a oposição republicana, segundo analistas, está dado.

Derrotas

Depois de uma eleição legislativa na qual o resultado do partido foi bem abaixo do esperado, com os democratas mantendo o controle do Senado e com a oposição com uma pequena maioria na Câmara, a facção mais radical - ligada ao ex-presidente Donald Trump - saiu como a grande derrotada das urnas.

Nas negociações para a presidência da Casa, a ala trumpista exigiu diversas concessões para apoiar McCarthy, que incluem desde privilégios para comandar a pauta legislativa até questões ligadas ao orçamento e nomeação de postos. McCarthy cedeu o máximo que pôde, mas não conseguiu costurar um acordo.

Nas duas primeiras votações, 19 deputados republicanos votaram contra McCarthy. Na terceira, ele perdeu mais um voto - e 20 republicanos preferiram o deputado Jim Jordan, um aliado de primeira hora de Trump. O objetivo da ala radical era provocar um adiamento da eleição para presidente da Câmara, na esperança de desgastar McCarthy e inviabilizar sua candidatura.

Prejuízos

"Nossa bancada precisa entrar em recesso e se reunir para encontrar alguém e definir os próximos passos", disse o deputado Byron Donalds, um dos republicanos rebeldes que rejeitaram o nome de McCarthy. "Essas votações contínuas não adiantam nada."

No início da noite, após uma maratona legislativa, a esmagadora maioria aprovou uma moção para retomar a discussão hoje na Câmara dos Deputados. McCarthy ganhou mais tempo para convencer os rebeldes do partido, mas não se sabe até que ponto o desgaste pode afetar seus planos.

Futuro

A disputa enfraquece o partido num momento em que os EUA começam a ensaiar os movimentos para a sucessão do presidente Joe Biden. A um ano das primárias, os pré-candidatos à Casa Branca começam a procurar financiadores e testar a viabilidade de uma candidatura. Do lado republicano, Trump e o governador da Florida, Ron de Santis, são os favoritos.

Ronna McDaniel, a presidente do Comitê Nacional Republicano, que está enfrentando seu próprio desafio de liderança, disse à emissora Fox News que o drama de McCarthy prejudicaria as chances do partido de reconquistar a Casa Branca em 2024.

"Enquanto estivermos lutando entre si, não estamos de olho no prêmio", disse McDaniel. "Temos de resolver esse cargo de líder do partido na Câmara dos Deputados e seguir em frente se quisermos ter sucesso em 2024 como um partido unido. No momento, isso exemplifica exatamente o que os democratas querem ver." (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.




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