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Sassá e Jaque, do Santo André, citam desafios de serem atletas e mamães

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Jogadoras dividem rotina de treinos e viagens com maternidade e contam como lidam com situação


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

08/05/2022 | 07:00


Jaqueline de Paula e Sassá Gonçalves são duas das responsáveis pela grande campanha que a AD Santo André vem fazendo na Liga de Basquete Feminino. Dentro de quadra, fazem de tudo e se doam totalmente pela equipe do Grande ABC, em reflexo daquilo que realizam fora das quatro linhas, respectivamente, por Yara, 2 anos, e Anallu, 4, filhas das atletas andreenses.

Para chegar até aqui, entretanto, Jaque conviveu com um receio: como voltaria a jogar? “Ser mãe mudou minha vida, sou muito mais feliz, mas quando soube que seria mãe, fiquei um pouco assustada, pois (a gravidez) não foi planejada e cheguei a pensar que não daria para retornar às quadras”, admitiu Jaqueline, 36 anos. “Mas hoje vejo o quanto o Senhor me abençoou. É algo inexplicável ver aquele ser que saiu de dentro de você evoluir, crescer. Cada passo, palavra, gesto, sorriso é maravilhoso.”

Sassá, por sua vez, abriu mão da carreira nos três primeiros anos da filha para poder se dedicar a ela. “No começo (da maternidade) eu achei que não iria interferir na carreira como atleta, mas depois eu vi que nem tudo é do jeito que queremos. Então fiquei três anos só cuidando da minha filha e pensando que eu queria voltar a jogar basquete de alto nível. Mas, enquanto isso, fiquei trabalhando como massoterapeuta”, recordou.

Sassá e Anallu

As duas contam com uma intensa rotina de treinos e viagens, ainda mais na Liga, que tem equipes no Nordeste e no Sul do País. “Não é fácil, mas é ela que me motiva todos os dias”, afirmou Sassá, 27. “O maior desafio é o cansaço. Ela (Anallu) acorda muito cedo, então isso me deixa um pouco mais cansada que o normal. E tem a distância por conta dos jogos. A Liga requer que a gente treine muito, e eu quero dar o melhor para ela, então eu tenho que treinar mais. Aí acabo ficando um pouco mais longe, e isso dói”, lamentou Sassá.

“Minha rotina de atleta mudou completamente, principalmente por ser mãe solo. O momento mais difícil da maternidade foram os três primeiros meses depois do nascimento dela (Yara). Tudo novo, noites sem dormir, medos, dores no peito pela amamentação. Mas graças a Deus com o tempo tudo mudou e virou energia, combustível, alegria para continuar”, contemporizou Jaque. “Ser mãe é me doar para ela a todo momento, é pensar e estar com ela, é me preocupar, é querer aproveitar cada momento como se fosse único e pedir que o tempo pare.”

Enquanto Jaqueline acredita que Yara possa querer ser jogadora de basquete, Sassá afirma ter essa vontade. “Peço a Deus sabedoria para fazer o melhor para ela, sempre, inclusive orientá-lá se quiser seguir os meus passos. Ela ama estar na quadra, toda vez que saio para treinar ela fala que quer ir junto comigo, então acredito que tem grandes possibilidades”, disse Jaque. “Ser atleta é incrível e eu queria que ela tivesse esse privilégio”, finalizou Sassá. 

MÃEZONA

Arilza Coraça chegou a Santo André em 1971 para defender a equipe de basquete, na qual jogou até 1985. Desde então, segue na equipe e já desempenhou as mais diversas funções, desde treinadora da base, passando por técnica do profissional até a função atual de coordenadora. Simultaneamente, por 27 anos, deu aulas na Emeief Nicolau Moraes Barros. Assim, seja na equipe andreense ou na instituição de ensino, ela pode considerar que foi - e ainda é - uma mãe para centenas de garotas e garotos, ajudando na formação tanto como atletas quanto como pessoas.

"As meninas me veem mesmo como mãe", orgulha-se Arilza, que enaltece o bom relacionamento que tem com as filhas de Sassá e Jaqueline. "Olho para a Anallu e para a Yaya (Yara) com sentimento de avó mesmo. Elas são muito apegadas a mim e, quando me veem, vêm correndo. Procuro sempre incentivá-las a participar do basquete. Então é alegria muito grande. Por isso que a gente fala sobre o histórico de família de Santo André", afirma. 

Durante todo este tempo em solo andreense, apesar de não ter filhos biológicos, Arilza estreitou relação com algumas atletas, entre elas Vivian, que defendeu a equipe de Santo André nos anos 1990 e 2000, superou diversas lesões, chegou à Seleção Brasileira e hoje treina duas equipes de base da agremiação do Grande ABC, além de Bianca, que regressou recentemente à AD Santo André.

"Conseguir passar essa importância do esporte para elas e ouvir que sou mãe de coração, não tem preço. Cuido da Bianca como filha e ela tem essa confiança em mim. A Vivian estreou com duas vitórias (neste fim de semana) no sub-16 e no sub-18, o que é motivo de muita alegria. Então me sinto muito privilegiada, porque muitas mães biológicas partem e os filhos nem lembram, mas eu, graças a Deus, sou sempre lembrada. E nunca esqueço da minha mãe, Dona Maria, que criou nove filhos, sou a caçula, e sinto gratidão e amor por ela que são infinitos, que vão me acompanhar pela eternidade", finaliza.



 



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