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Geraldo Nunes: ‘Por que não Pessoa com Novos Desafios?'

Marina Brandão/ DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

14/06/2021 | 00:01


O jornalista Geraldo Nunes, que popularizou o programa São Paulo de Todos os Tempos pela antiga Rádio Eldorado AM e tornou-se o repórter de trânsito com mais horas de voo sobre a Grande São Paulo, defende a adoção de uma sigla que valorize, ao invés de menosprezar, as pessoas que, como ele, tenham qualquer tipo de deficiência física. A sigla é PcND (Pessoa com Novos Desafios), que ganha a adesão do principal portal voltado aos profissionais de imprensa do Brasil. Geraldo Nunes sempre residiu em São Paulo, mas tem uma ligação muito grande com a região. Menino, cantou na Rádio Independência, depois Rádio Diário do Grande ABC, ganhando de presente um carrinho de plástico.

Já profissional, do alto do helicóptero, o jornalista sugeriu a Santo André e São Caetano que fizessem uma ligação direta entre a Avenida Dom Pedro II e a Rua Alegre, obra que acabou sendo realizada em convênio entre os dois municípios.

PcDE (Pessoas com Desafios Especiais), sigla sugerida por Eduardo Ribeiro e Wilson Baroncelli, do Portal Jornalistas e Cia. PcND (Pessoa com Novos Desafios), por sua sugestão, Geraldo Nunes. De todo modo, uma preocupação nova para um problema tão antigo quanto à humanidade. O que o levou a levantar essa questão? 

Quando trabalhei ao lado do jornalista Adhemar Altieri, na Rádio Eldorado, ele me contou que no Canadá a mídia encontrou, ainda na década de 1990, uma palavra politicamente correta para definir a pessoa com deficiência: o termo utilizado pelos canadenses é new challenge, ou seja, ‘novo desafio’. Pensei, então, na possibilidade de se criar no Brasil uma sigla também mais adequada para a mídia tratar o assunto: PcND – Pessoa com Novos Desafios. Apresentei essa sugestão ao Jornalistas e Cia após uma postagem deles falando dos jornalistas com deficiência. O jornalista Eduardo Ribeiro, criador do portal, sugeriu outro termo, ‘Pessoas com Desafios Especiais – PcDE’, porque muitas já nascem portando uma deficiência. Por mim essa sugestão também é válida, pois o importante é se definir um termo que não seja ofensivo a este segmento de pessoas.

Historicamente, é visível o preconceito contra ‘pessoas com novos desafios’. Mas parece que nesses tempos do politicamente correto a situação vai mudando. Observam-se pessoas com algum problema físico atuando em vários setores. A situação de fato tem mudado para melhor? Ou tudo acontece muito lentamente apenas para demonstrar os novos tempos?

Claro que aos poucos a situação vem, ou foi, mudando para melhor. Em 1991 foi criada a Lei de Cotas (lei federal número 8.213, de 24 de julho de 1991). Essa lei exige que as grandes empresas tenham um número mínimo de colaboradores com deficiência nos seus quadros – de 2% a 5% do número total de funcionários, na seguinte proporção: de 100 a 200 funcionários, 2%; de 201 a 500 funcionários, 3%; de 501 a 1.000 funcionários, 4%. Isso obrigou as empresas a oferecerem maiores oportunidades. Fiquei até surpreso ao ver na reportagem do portal Jornalistas e Cia que o Plínio Vicente localizou 24 jornalistas PcDE, e, segundo ele, há mais gente ainda. Isso é bom, embora o problema da mão de obra qualificada exista também entre pessoas com desafios especiais. Mas a questão levantada por mim não foi bem essa e sim o tratamento que a mídia dá ao assunto quando a questão é levantada. A palavra que qualifica essas pessoas como ‘deficientes’ ainda é muito utilizada e isso é que precisa mudar. Nós, da mídia, ainda abordamos mal este tema.

Verdade, Geraldo. A mídia tem dificuldade em qualificar as pessoas com novos desafios, sem deixar de abrir grandes espaços ao assunto. O Diário, por exemplo, defende sempre melhores condições de vida para todos. Pauta obrigatória. O jornal já produziu inúmeras e belas reportagens focalizando, por exemplo, as calçadas repletas de armadilhas para o pedestre de uma forma geral. Várias vezes o Diário acompanhou pessoas com novos desafios na sua rotina diária por vias repletas de imperfeições, tornando público esse cotidiano. Faltava um termo. Daí a importância da sua proposta, uma bela campanha que se inicia. Fale mais dessa ideia.

Com as redes sociais e com a quantidade de equívocos da mídia em relação ao tema, decidi defender a proposta novamente em 2019, com uma postagem em meu blog. Agora com essa matéria do Plínio Vicente, no Jornalistas e Cia, o assunto reacendeu e lancei a ideia novamente. O Jornalistas e Cia defende a criação da sigla PcDE – Pessoas com Desafios Especiais –, talvez seria melhor unificar com eles.

Fale um pouco do jornalista Plínio Vicente da Silva e das entrevistas que ele realizou reacendendo o tema. Foram quantas entrevistas? Todas com PcDEs?

Plínio Vicente é um jornalista experiente com passagem pelo jornal O Estado de São Paulo. Agora ele vive em Roraima e fez 24 entrevistas da casa dele a pedido do blog Jornalistas e Cia, e cada uma das PcDEs entrevistadas fala das dificuldades que encontrou e das conquistas obtidas.

Oficialmente, a matéria é discutida de alguma forma? Em março de 2019, o Senado aprovou em plenário, por unanimidade, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 25/2017, padronizando a sigla PcD para definir na Constituição a ‘Pessoa com Deficiência’.

O termo se mostrou adequado para que não se faça confusão na hora de assegurar os direitos dessas pessoas, mas entre os profissionais de mídia, a palavra ‘deficiente’ segue sendo utilizada. Isso precisa ser modificado, porque não ressalta qualidades e promove a discriminação, que pode ser de ordem física, visual ou sensorial. Como formadores de opinião, nós que atuamos na mídia precisamos conscientizar a sociedade de outra maneira, para que se valorize aqueles que conseguiram superar as suas dificuldades e tocaram a vida. Para isso entendo que se faz necessário, e com urgência, definir uma sigla, que precisaria ser abraçada  por todas as mídias. Enviei essa proposta ao diretor de um grande jornal de São Paulo e, diferentemente do Diário, não obtive resposta.

Comente o que é o Grande ABC para você.

Eu não moro no Grande ABC, mas o Grande ABC sempre morou em mim porque minha família residia no Moinho Velho, um bairro ao lado da Via Anchieta quase na divisa de São Caetano e São Bernardo. Para nós, do Ipiranga, em especial do Moinho Velho, o Grande ABC sempre foi uma extensão de nossas casas pela proximidade. Quando comprei meus primeiros carros eu levava para consertar nas oficinas de São Caetano. Eu achava que elas cobravam menos se comparadas às de São Paulo. Quando decidi cursar jornalismo prestei vestibular na Metodista, justamente por essa proximidade. Me preparei bastante e fui aprovado e então passei a trabalhar de dia e estudar à noite. Foram quatro anos assim. Meu irmão, ao se casar, se mudou para São Bernardo e o mesmo fez minha irmã após o matrimônio. Ela ainda mora em São Bernardo, no Parque dos Pássaros. Só eu não morei na região, mas o Grande ABC mora em mim há muito, porque ao longo da minha vida fui conhecendo muitas ruas e avenidas da região. Com relação à minha deficiência física, frequentei por mais de dois anos uma clínica de fisioterapia em São Caetano, justamente por causa do fator econômico. Ainda hoje, muitos serviços custam menos na região do que em São Paulo.

O portal ‘Jornalistas e Cia’ lembra que, além da sigla PcND (Pessoa com Novos Desafios), você lançou outras campanhas, como a de valorizar o padre brasileiro Landell de Moura, o verdadeiro inventor do rádio. Outro trabalho que deve ser creditado a você é o da valorização da memória oral no rádio. Tudo isso é um verdadeiro reconhecimento, não?

Existe uma convergência das minhas ideias com as do portal Jornalistas e Cia, nada mais que isso. Por exemplo, a questão de valorizar o padre-cientista brasileiro Landell de Moura como verdadeiro inventor do Rádio foi apresentada em meu programa da Rádio Eldorado no ano de 1999 pelo jornalista Reinaldo Tavares, autor do livro Histórias que o Rádio Não Contou. Algum tempo depois, o portal Jornalistas e Cia lançou uma campanha pelo reconhecimento de Landell de Moura pelo governo brasileiro. Fizeram um evento, me convidaram e eu lá compareci lembrando a figura de Reinaldo Tavares. Em 2012, a (então) presidente Dilma Rousseff sancionou projeto aprovado no Senado e Landell de Moura tem hoje seu nome no livro de ouro dos heróis da Pátria, no Panteão Tancredo Neves, em Brasília.  Agora o mesmo portal promoveu esta série de entrevistas para valorizar os jornalistas PcND e me relacionou entre os entrevistados. Fiquei feliz e lancei esta nova ideia de padronizar uma sigla, entre nós da mídia, que busca dar um tratamento eticamente melhor a nós profissionais que enfrentamos, além dos desafios naturais da profissão, os nossos desafios pessoais provocados pela condição física. Eles gostaram da ideia, disseram que se surgissem novidades que os avisasse e, portanto, estamos juntos mais uma vez e agora também com o apoio do Diário do Grande ABC. Isso é muito bom.

É verdade que você cantou na Rádio Independência, de São Bernardo, depois Rádio Diário do Grande ABC?

É verdade. No dia, minha mãe me vestiu com uma roupa bonita e fomos para São Bernardo de condução. Eu só tinha 7 anos. Quando chegou a minha vez, não tive problemas, dei o meu recado musical. No final do programa houve o sorteio de brinquedos, para a alegria dos participantes. Mas eles davam um jeito de nenhuma criança sair de lá de mãos vazias. Ganhei um carrinho de plástico que me deixou muito feliz naquele dia. Foi assim a minha estreia no rádio, jamais esquecerei.

Já jornalista, profissional da imprensa, você se consagra como repórter aéreo.

Ainda no período de faculdade eu visitava a casa de um amigo que morava em São Caetano e fui conhecendo os endereços de lá também. Tudo isso me ajudou quando já na profissão de jornalista me tornei repórter aéreo e, de tanto falar dos congestionamentos na divisa de Santo André com São Caetano, acredito ter ajudado as autoridades na ideia de construir uma nova ligação na interligação entre a Rua Alegre e a Avenida Dom Pedro II, em Santo André.



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