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Servidores públicos relatam assédio moral

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Segundo funcionários do Quarteirão da Saúde, situação vem se agravando nos últimos três anos


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

10/07/2020 | 00:01


Servidores públicos de Diadema que atuam no Quarteirão da Saúde acusam a equipe gestora do equipamento de praticar assédio moral contra os funcionários. Segundo os trabalhadores, que não querem ser identificados, a situação não é nova, mas vem se agravando nos últimos três anos. Advertências sem motivos; interferência nas escalas de folga e transferências para outros departamentos como punição são citadas pelos funcionários.

Em 26 de junho, a enfermeira Mariana Polizeli, 35 anos, foi encontrada morta no banheiro do Quarteirão da Saúde. O caso foi registrado como suicídio e, segundo relatos de testemunhas, ela teria se matado após receber advertência. De acordo com o boletim de ocorrência, Mariana tinha diagnóstico de síndrome de Burnout (estresse por excesso de trabalho) e já havia tentado se matar anteriormente.

Uma servidora que atua na administração há 16 anos relatou que os casos de assédio moral são constantes. “Em 2017 se agravou, mas, desde 2008, sofro perseguição. Assim como a Mariana, em 2017 recebi uma advertência, fiz denúncia no sindicato, no departamento de gestão de pessoas e também para o Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem) e apenas após um ano fui chamada para uma conciliação”, relatou a trabalhadora, de 53 anos.

Após o episódio, a funcionária foi colocada à disposição para outro departamento. “Desde então vim desenvolvendo crises de ansiedade, depressão, o mesmo que vinha acontecendo com a Mariana. Isso que ocorreu com ela é só a ponta do iceberg, muitas outras pessoas estão esgotadas emocionalmente, com problemas para ir ao trabalho”, completou. A enfermeira que foi encontrada morta em junho havia retornado de uma licença por questões psicológicas no início da pandemia.

Outra servidora, 50 anos, e que há 27 atua na saúde da cidade, relatou que já enfrentou problemas com relação aos plantões. “Mudavam minha escala contra minha vontade, afirmaram que eu devia horas e tive que pagar, mesmo sem ver um relatório que justificasse isso”, relatou. A funcionária afirmou que também levou seu caso para o departamento de gestão de pessoas, mas que não obteve retorno.

Presidente em exercício do Sindema (Sindicato dos Funcionários Públicos de Diadema), Mara Neide Ferreira destacou que o sindicato recebe as denúncias, mas que os funcionários acabam desistindo do processo por medo. “Há pelo menos dez anos a gente luta por uma lei que nos ajude a conter o assédio moral”, concluiu. O sindicato protocolou, junto à administração municipal, pedido de afastamento da direção do Quarteirão da Saúde.

Em nota, a Prefeitura de Diadema informou que não há registros de assédio moral junto à Secretaria de Gestão de Pessoas – apesar de as funcionárias ouvidas pela equipe reportagem terem afirmado que documentaram a situação – e que, se forem feitas, serão apuradas. A administração lamentou a morte e se solidarizou com a família e colegas da enfermeira, que atuava há 11 anos na rede. O prefeito Lauro Michels (PV) afirmou que houve tentativa de politização do episódio. Pré-candidatos a vereador da cidade postaram sobre o caso em suas redes sociais.

O Coren-SP informou que instaurou sindicância para apurar as circunstâncias da morte da enfermeira e o processo segue em sigilo até a conclusão. Segundo o conselho, em sondagem realizada ano passado, mais de metade dos profissionais relatava adoecimento mental por causa do trabalho.



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Servidores públicos relatam assédio moral

Segundo funcionários do Quarteirão da Saúde, situação vem se agravando nos últimos três anos

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

10/07/2020 | 00:01


Servidores públicos de Diadema que atuam no Quarteirão da Saúde acusam a equipe gestora do equipamento de praticar assédio moral contra os funcionários. Segundo os trabalhadores, que não querem ser identificados, a situação não é nova, mas vem se agravando nos últimos três anos. Advertências sem motivos; interferência nas escalas de folga e transferências para outros departamentos como punição são citadas pelos funcionários.

Em 26 de junho, a enfermeira Mariana Polizeli, 35 anos, foi encontrada morta no banheiro do Quarteirão da Saúde. O caso foi registrado como suicídio e, segundo relatos de testemunhas, ela teria se matado após receber advertência. De acordo com o boletim de ocorrência, Mariana tinha diagnóstico de síndrome de Burnout (estresse por excesso de trabalho) e já havia tentado se matar anteriormente.

Uma servidora que atua na administração há 16 anos relatou que os casos de assédio moral são constantes. “Em 2017 se agravou, mas, desde 2008, sofro perseguição. Assim como a Mariana, em 2017 recebi uma advertência, fiz denúncia no sindicato, no departamento de gestão de pessoas e também para o Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem) e apenas após um ano fui chamada para uma conciliação”, relatou a trabalhadora, de 53 anos.

Após o episódio, a funcionária foi colocada à disposição para outro departamento. “Desde então vim desenvolvendo crises de ansiedade, depressão, o mesmo que vinha acontecendo com a Mariana. Isso que ocorreu com ela é só a ponta do iceberg, muitas outras pessoas estão esgotadas emocionalmente, com problemas para ir ao trabalho”, completou. A enfermeira que foi encontrada morta em junho havia retornado de uma licença por questões psicológicas no início da pandemia.

Outra servidora, 50 anos, e que há 27 atua na saúde da cidade, relatou que já enfrentou problemas com relação aos plantões. “Mudavam minha escala contra minha vontade, afirmaram que eu devia horas e tive que pagar, mesmo sem ver um relatório que justificasse isso”, relatou. A funcionária afirmou que também levou seu caso para o departamento de gestão de pessoas, mas que não obteve retorno.

Presidente em exercício do Sindema (Sindicato dos Funcionários Públicos de Diadema), Mara Neide Ferreira destacou que o sindicato recebe as denúncias, mas que os funcionários acabam desistindo do processo por medo. “Há pelo menos dez anos a gente luta por uma lei que nos ajude a conter o assédio moral”, concluiu. O sindicato protocolou, junto à administração municipal, pedido de afastamento da direção do Quarteirão da Saúde.

Em nota, a Prefeitura de Diadema informou que não há registros de assédio moral junto à Secretaria de Gestão de Pessoas – apesar de as funcionárias ouvidas pela equipe reportagem terem afirmado que documentaram a situação – e que, se forem feitas, serão apuradas. A administração lamentou a morte e se solidarizou com a família e colegas da enfermeira, que atuava há 11 anos na rede. O prefeito Lauro Michels (PV) afirmou que houve tentativa de politização do episódio. Pré-candidatos a vereador da cidade postaram sobre o caso em suas redes sociais.

O Coren-SP informou que instaurou sindicância para apurar as circunstâncias da morte da enfermeira e o processo segue em sigilo até a conclusão. Segundo o conselho, em sondagem realizada ano passado, mais de metade dos profissionais relatava adoecimento mental por causa do trabalho.

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