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Mortes em casa crescem 38,4% no Grande ABC

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Especialistas apontam que medo ou agravamento de pacientes isolados em domicílio são causas para o aumento


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

06/06/2020 | 03:00


O número de mortes em domicílio cresceu 38,4% no Grande ABC desde o dia 25 de março – quando foi registrado o primeiro óbito na região causado pelo coronavírus – até ontem (veja na tabela ao lado), em comparação com o mesmo período em 2019 – os números de Rio Grande da Serra não estão disponíveis. Nem todas as perdas são em decorrência da Covid-19, mas especialistas indicam que a pandemia está relacionada ao acréscimo, seja em razão da quarentena imposta para frear a proliferação da doença e que causa receio nas pessoas em sair de casa para buscar atendimento nos hospitais, ou de pacientes infectados que retornam ao isolamento em casa, acabam tendo agravamento clínico e não resistem.

No ano passado, 518 pessoas morreram em casa no período pesquisado, enquanto que em 2020, em meio à pandemia, foram 717 óbitos registrados em domicílio. Os números constam no portal da transparência dos cartórios de registro civil do Brasil. “Podemos classificar (as mortes) como Covid e não Covid. Os casos associados diretamente ao coronavírus são, na maioria, de pacientes que buscaram primeiro atendimento, estavam com diagnóstico leve que não demandavam internação, retornaram ao domicílio e tiveram piora rápida do quadro. Tem ainda aqueles que nem sequer procuraram atendimento, ou por não terem acesso, por subestimarem os sintomas ou terem medo de se expor em unidade pública”, explicou o cardiologista e gestor do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Fernando Arruda.

“O outro universo (não Covid) é o das causas indeterminadas. Mas muitas podem estar relacionadas ao coronavírus, como as insuficiências respiratórias agudas, os quadros que evoluem de forma rápida e que, como não houve testagem, não é possível determinar a relação. Então, no atestado de óbito é registrado como causa indeterminada, sem registro que possa especificar o motivo. E temos também os pacientes que possuem doenças crônicas: o hipertenso, diabético, acamado. Estes pacientes são suscetíveis a complicações. Acontece que passamos dois meses com dificuldade de acesso aos sistemas público e privado de saúde, seja por medo, por espaços fechados, dificuldades de acesso à medicação. Tudo isso gera complicações”, emendou o professor.

Diadema é exemplo deste segundo universo. Isso porque houve aumento de 51,7% nas mortes com relação a 2019 (passando de 60 para 91) e apenas três destes têm comprovadamente relação com o novo coronavírus. Mauá tem cenário similar, com crescimento de 53,5%, passando de 71 para 109 vítimas fatais e apenas oito sendo atestadas Covid como causa.

Segundo o cardiologista, os índices de mortes em casa “variam de Estado para Estado” e o aumento em São Paulo chega a 13%, no Ceará a 40% e no Amazonas a impressionantes 149%.

PARALISADOS
O medo nutrido pelas pessoas, citado anteriormente por Fernando Arruda, está relacionado tanto ao fato da possibilidade de ser diagnosticado com a doença quanto, sobretudo, ao óbito. “A morte na nossa cultura é muito temida. Temos movimento de vida que não nos permite aproximação do que é a morte, de que ela faz parte da vida. Culturalmente a morte não é bem aceita, talvez porque tem relação direta com o desconhecido para a maioria das pessoas. Se a gente pensar o que é Covid-19 neste momento, ainda é algo muito desconhecido. Como não temos cura e tratamento, é como se tivéssemos de lutar contra inimigo para o qual não estamos preparados ou não temos armas. Isso é muito assustador, aterrorizador. Então, suponho que para algumas pessoas este medo está muito exacerbado, de adoecer e de vir a morrer”, indicou a professora do curso de psicologia da USCS e coordenadora da clínica escola de psicologia, Ivete de Souza Yavo.

“Entendo que o medo não é construtivo, nos paralisa. Quando estamos assustados a tendência é parar. Faz com que as pessoas não queiram buscar ajuda, fiquem temerosas de sair de casa. Pode ser que parte destas mortes esteja relacionada à dificuldade das pessoas em buscar auxílio médico, porque estão paralisadas em razão do medo, não só da necessidade de se proteger, mas medo da morte, sem se dar conta de que isso é risco por si só para a saúde. Com certeza a gente pode minimizar este cenário sem abandonar os tratamentos, retomando os acompanhamentos clínicos e médicos, viabilizando da melhor forma. O confinamento tem de ser consciente e por isso estamos em casa, porque estamos preocupados com a saúde, não por medo. O objetivo do confinamento e da quarentena é o autocuidado, com a própria vida e a do outro. Não é instaurar o pânico e o medo nas pessoas”, complementou.

Brasil passa de 1.000 óbitos pelo quinto dia seguido

O Brasil registrou pelo quinto dia consecutivo mais de 1.000 mortes relativas ao novo coronavírus em apenas 24 horas. Dados do Ministério da Saúde, publicados às 21h30 de ontem – segundo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a mudança no horário de divulgação do boletim epidemiológico foi para que os números não fossem exibidos no Jornal Nacional, da Rede Globo –, apontam que o País chegou aos 35.026 óbitos pela Covid-19, 1.005 a mais do que na quinta-feira.

Estas vítimas fatais evoluíram dos 645.771 pacientes que tiveram o vírus confirmado – número este que aumentou em 30.830 casos em apenas um dia. No limitado boletim disponibilizado pelo governo federal ontem, só há mais uma informação, relativa aos recuperados, que já são 254.963 (41,5% do total de positivados para a doença). Este número, entretanto, é quase 5.000 casos inferior ao informado anteontem.

Já o Estado de São Paulo, de acordo com dados da Secretaria da Saúde, registra 8.842 mortes (5.110 homens e 3.732 mulheres) e 134.565 casos confirmados pelo novo coronavírus. Entre estes, 24.616 receberam alta médica.

GRANDE ABC
A região contabilizou 23 novas perdas ontem e alcançou 723 mortos. De acordo com os boletins municipais, houve aumento de vítimas fatais em cinco das sete cidades, sendo o maior registro em São Caetano, que acrescentou oito à sua contagem, totalizando 56. São ainda 233 em São Bernardo, 175 em Santo André, 139 em Diadema, 89 em Mauá, 22 em Ribeirão Pires e nove em Rio Grande da Serra (apenas as duas últimas mantiveram os índices). O Grande ABC informou ainda que subiram para 9.401 os infectados pela Covid-19 e 15.432 as pessoas consideradas suspeitas. Já os recuperados somam 3.182.

RESPIRADORES
Depois de receber 40 unidades do equipamento, que é fundamental para as UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) no tratamento a casos graves do novo coronavírus, o Grande ABC foi contemplado com mais 25. Ontem, de acordo com informação publicada pelo governo do Estado, três cidades foram apreciadas com respiradores que foram comprados na Turquia, do modelo Biyovent: dez aparelhos para Diadema, dez para São Bernardo e cinco para Mauá.<TL>DB 



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Mortes em casa crescem 38,4% no Grande ABC

Especialistas apontam que medo ou agravamento de pacientes isolados em domicílio são causas para o aumento

Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

06/06/2020 | 03:00


O número de mortes em domicílio cresceu 38,4% no Grande ABC desde o dia 25 de março – quando foi registrado o primeiro óbito na região causado pelo coronavírus – até ontem (veja na tabela ao lado), em comparação com o mesmo período em 2019 – os números de Rio Grande da Serra não estão disponíveis. Nem todas as perdas são em decorrência da Covid-19, mas especialistas indicam que a pandemia está relacionada ao acréscimo, seja em razão da quarentena imposta para frear a proliferação da doença e que causa receio nas pessoas em sair de casa para buscar atendimento nos hospitais, ou de pacientes infectados que retornam ao isolamento em casa, acabam tendo agravamento clínico e não resistem.

No ano passado, 518 pessoas morreram em casa no período pesquisado, enquanto que em 2020, em meio à pandemia, foram 717 óbitos registrados em domicílio. Os números constam no portal da transparência dos cartórios de registro civil do Brasil. “Podemos classificar (as mortes) como Covid e não Covid. Os casos associados diretamente ao coronavírus são, na maioria, de pacientes que buscaram primeiro atendimento, estavam com diagnóstico leve que não demandavam internação, retornaram ao domicílio e tiveram piora rápida do quadro. Tem ainda aqueles que nem sequer procuraram atendimento, ou por não terem acesso, por subestimarem os sintomas ou terem medo de se expor em unidade pública”, explicou o cardiologista e gestor do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Fernando Arruda.

“O outro universo (não Covid) é o das causas indeterminadas. Mas muitas podem estar relacionadas ao coronavírus, como as insuficiências respiratórias agudas, os quadros que evoluem de forma rápida e que, como não houve testagem, não é possível determinar a relação. Então, no atestado de óbito é registrado como causa indeterminada, sem registro que possa especificar o motivo. E temos também os pacientes que possuem doenças crônicas: o hipertenso, diabético, acamado. Estes pacientes são suscetíveis a complicações. Acontece que passamos dois meses com dificuldade de acesso aos sistemas público e privado de saúde, seja por medo, por espaços fechados, dificuldades de acesso à medicação. Tudo isso gera complicações”, emendou o professor.

Diadema é exemplo deste segundo universo. Isso porque houve aumento de 51,7% nas mortes com relação a 2019 (passando de 60 para 91) e apenas três destes têm comprovadamente relação com o novo coronavírus. Mauá tem cenário similar, com crescimento de 53,5%, passando de 71 para 109 vítimas fatais e apenas oito sendo atestadas Covid como causa.

Segundo o cardiologista, os índices de mortes em casa “variam de Estado para Estado” e o aumento em São Paulo chega a 13%, no Ceará a 40% e no Amazonas a impressionantes 149%.

PARALISADOS
O medo nutrido pelas pessoas, citado anteriormente por Fernando Arruda, está relacionado tanto ao fato da possibilidade de ser diagnosticado com a doença quanto, sobretudo, ao óbito. “A morte na nossa cultura é muito temida. Temos movimento de vida que não nos permite aproximação do que é a morte, de que ela faz parte da vida. Culturalmente a morte não é bem aceita, talvez porque tem relação direta com o desconhecido para a maioria das pessoas. Se a gente pensar o que é Covid-19 neste momento, ainda é algo muito desconhecido. Como não temos cura e tratamento, é como se tivéssemos de lutar contra inimigo para o qual não estamos preparados ou não temos armas. Isso é muito assustador, aterrorizador. Então, suponho que para algumas pessoas este medo está muito exacerbado, de adoecer e de vir a morrer”, indicou a professora do curso de psicologia da USCS e coordenadora da clínica escola de psicologia, Ivete de Souza Yavo.

“Entendo que o medo não é construtivo, nos paralisa. Quando estamos assustados a tendência é parar. Faz com que as pessoas não queiram buscar ajuda, fiquem temerosas de sair de casa. Pode ser que parte destas mortes esteja relacionada à dificuldade das pessoas em buscar auxílio médico, porque estão paralisadas em razão do medo, não só da necessidade de se proteger, mas medo da morte, sem se dar conta de que isso é risco por si só para a saúde. Com certeza a gente pode minimizar este cenário sem abandonar os tratamentos, retomando os acompanhamentos clínicos e médicos, viabilizando da melhor forma. O confinamento tem de ser consciente e por isso estamos em casa, porque estamos preocupados com a saúde, não por medo. O objetivo do confinamento e da quarentena é o autocuidado, com a própria vida e a do outro. Não é instaurar o pânico e o medo nas pessoas”, complementou.

Brasil passa de 1.000 óbitos pelo quinto dia seguido

O Brasil registrou pelo quinto dia consecutivo mais de 1.000 mortes relativas ao novo coronavírus em apenas 24 horas. Dados do Ministério da Saúde, publicados às 21h30 de ontem – segundo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a mudança no horário de divulgação do boletim epidemiológico foi para que os números não fossem exibidos no Jornal Nacional, da Rede Globo –, apontam que o País chegou aos 35.026 óbitos pela Covid-19, 1.005 a mais do que na quinta-feira.

Estas vítimas fatais evoluíram dos 645.771 pacientes que tiveram o vírus confirmado – número este que aumentou em 30.830 casos em apenas um dia. No limitado boletim disponibilizado pelo governo federal ontem, só há mais uma informação, relativa aos recuperados, que já são 254.963 (41,5% do total de positivados para a doença). Este número, entretanto, é quase 5.000 casos inferior ao informado anteontem.

Já o Estado de São Paulo, de acordo com dados da Secretaria da Saúde, registra 8.842 mortes (5.110 homens e 3.732 mulheres) e 134.565 casos confirmados pelo novo coronavírus. Entre estes, 24.616 receberam alta médica.

GRANDE ABC
A região contabilizou 23 novas perdas ontem e alcançou 723 mortos. De acordo com os boletins municipais, houve aumento de vítimas fatais em cinco das sete cidades, sendo o maior registro em São Caetano, que acrescentou oito à sua contagem, totalizando 56. São ainda 233 em São Bernardo, 175 em Santo André, 139 em Diadema, 89 em Mauá, 22 em Ribeirão Pires e nove em Rio Grande da Serra (apenas as duas últimas mantiveram os índices). O Grande ABC informou ainda que subiram para 9.401 os infectados pela Covid-19 e 15.432 as pessoas consideradas suspeitas. Já os recuperados somam 3.182.

RESPIRADORES
Depois de receber 40 unidades do equipamento, que é fundamental para as UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) no tratamento a casos graves do novo coronavírus, o Grande ABC foi contemplado com mais 25. Ontem, de acordo com informação publicada pelo governo do Estado, três cidades foram apreciadas com respiradores que foram comprados na Turquia, do modelo Biyovent: dez aparelhos para Diadema, dez para São Bernardo e cinco para Mauá.<TL>DB 

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