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Prosa no século XX


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

06/03/2007 | 20:56


A literatura contemporânea em prosa é o mote da volta dos Seminários Avançados em sua quarta edição, que começa no próximo sábado (dia10), às 15h, na Casa da Palavra, em Santo André, com entrada franca. Um breve resumo das discussões sobre a modernidade e a pós-modernidade nos encontros anteriores servirá como introdução ao novo ciclo de palestras do professor e escritor Ricardo Lísias. Como novidade, os interessados terão intervalos mais espaçados entre um seminário e outro para ler as obras sugeridas, que serão comentadas nos encontros, até dia 30 de junho.

Autores de romances e contos do século XX, de línguas inglesa e portuguesa e da América Latina integram a lista de sugestões de leitura elaborada por Lísias. “Vamos demonstrar como muitos procedimentos vendidos como modernos e novos vêm desde o século passado. A idéia é fazer conexão com a vida contemporânea, e como os autores percebem seu tempo”, diz Lísias.

No primeiro encontro, dois autores que definiram a prosa contemporânea: James Joyce (1882-1941) e Virginia Woolf (1882-1941). O primeiro, autor de Ulysses, romance fundador da prosa moderna, narra um dia de devaneios na vida de duas pessoas. Joyce parte da teoria da realidade histórica como um movimento circular, um eterno retorno ao ponto de partida (Vico). O início liga-se ao fim, deixado em suspenso. Citações de filósofos, cientistas e historiadores, Freud sobretudo (vida onírica), antropologia, folclore e religião dão conta da percepção do autor sobre seu tempo.

Para Virginia Woolf há também essa percepção. Em Orlando e Rumo ao Sol, principalmente, ela aprimora o fluxo da consciência, que Joyce adota em Ulysses. Esses procedimentos ainda influenciam autores contemporâneos.

Uma ênfase maior será dada à literatura brasileira, nos autores que melhor aproveitaram o fluxo de seu tempo, e na crítica de Lísias à falta de compreensão da literatura brasileira contemporânea sobre a modernidade, por parte dos autores sobretudo e leitores também. “Não dá para comparar o que se faz no Brasil contemporâneo com a literatura latino-americana, por exemplo. É ruim porque há mais marketing e muita manipulação da imagem dos autores”, afirma.

Como encaixar fluxo da consciência com marketing? É só lembrar que no capitalismo contemporâneo, a indústria cultural fabrica modos de vida e padroniza existências pelo marketing. Para Gilles Deleuze, esse tornou-se “instrumento do controle social”. Nada de individualismo. Ao contrário: quem não integrar grupos de comportamento e consumo perde o sentido de individuação. Ou seja, não consegue ser, reduzindo-se a um consumidor padronizado em seus comportamentos pela formatação e fabricação artificial de seus desejos. Devanear, como o personagem de Ulysses, é uma saída possível.

Os Seminários Avançados sobre a Literatura Universal Contemporânea são uma iniciativa conjunta da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Santo André, da Escola Livre de Literatura e da Casa da Palavra, com apoio do Diário. Os textos de orientação dos seminários, publicados no jornal impresso, permanecem disponíveis para consulta no site do Diário.

Seminários Avançados sobre a Literatura Universal Contemporânea – Série de seminários; sábado (10/3), das 15h às 17h; debate das 17h às 18h. Na Casa da Palavra – praça do Carmo, 171, Santo André. Tel.: 4992-7218. Entrada franca. Até 30 de junho.

Programação

Os seminários consistem em uma exposição e posterior leitura e discussão de textos. O objetivo é compreender alguns pontos básicos da produção contemporânea e observar de perto a obra de autores fundamentais. Os trechos analisados serão entregues durante o seminário.

10/03
Dois autores fundamentais para a instauração da modernidade: James Joyce e Virginia Woolf

31/03
Dois marcos da literatura alemã: Berlim Alexanderplatz (de Alfred Doblin) e O Homem Sem Qualidades (de Robert Musil)

14/04
O auge da literatura brasileira no século XX: Graciliano Ramos e Guimarães Rosa

5/05
O lugar de Franz Kafka na literatura contemporânea

19/05
O lugar de Samuel Beckett na literatura contemporânea

2/06
Autores fundamentais para a literatura hispano-americana: Jorge Luis Borges, Julio Cortazar, Alejo Carpentier e M. A. Astúrias

16/06
A literatura contemporânea de língua inglesa: T. Pynchon, Philip Roth e J.M. Coetzee

30/06
A literatura contemporânea portuguesa: António Lobo Antunes, José Saramago, Herberto Helder e Gonçalo Ribeiro Tavares


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