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Exposição na Capital destrincha a vida de Luiz Gonzaga

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Exposição em São Paulo lembra 30 anos da morte do ‘Rei do Baião’, com itens inéditos


Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

07/10/2019 | 07:13


Luiz Gonzaga do Nascimento é ‘cria’ de Exu, município do extremo Noroeste de Pernambuco. Filho de Januário e Ana, mudou-se, aos 17 anos, em 1930, para Fortaleza e passou a integrar o 23º Batalhão de Caçadores, onde ficou conhecido como recruta 122. Vestiu a farda durante nove anos – chegou a lutar na Revolução de 1930 –, mas nunca encontrou no ofício razão para alegria, embora vivesse a cantar para os colegas. “Ele dizia: ‘já passei em um monte de guerra e nunca dei um tiro (risos)’. Entrou como soldado raso e saiu como soldado raso”, lembra o pesquisador de cultura popular e curador da mostra, o jornalista Assis Ângelo, que foi amigo pessoal do Rei do Baião.

É dele o acervo que compõe a exposição Luiz Gonzaga, na Eternidade dos 30, que abre quarta, às 10h, no Centro Cultural Santo Amaro. Como o nome diz, a mostra, com direção da jornalista Sylvia Jardim e cenografia de Celso Rorato, lembra as três décadas da partida de Luiz Gonzaga e os 70 anos da gravação do primeiro forró da história da música brasileira, o Forró de Mané Vitor, de autoria de Gonzaga e do parceiro Zé Dantas.

Com linguagem de literatura de cordel, a mostra está dividida em sete estações e mais duas outras seções, que expõem partituras de época, discos, livros, revistas e fotos pertencentes ao acervo do Instituto Memória Brasil. O centro do espaço é ocupado por uma grande instalação, uma alusão ao Juazeiro e à força do povo sertanejo.

E material para isso não faltou, garante Sylvia. “A exposição tem como base o conteúdo de coisas inéditas. Eu não sabia, por exemplo, que Gonzaga gravou jingle político. Tem uma música que vai estar lá que ele fez para Jânio Quadros. Também fez comerciais para havaianas, café. No começo as agências não curtiam muito essa coisa de baião para vender, mas ele tinha muito sucesso, e acabaram embarcando na onda”, explica a jornalista.

Luiz Gonzaga também foi um dos artistas mais biografados do Brasil. Só do que se tem registro, foram mais de 50 livros contando a sua história. “Perto dele, em termos de biografia, só tem Carlos Gomes. O Luiz Gonzaga quanto mais você mexe, mais encontra coisas. Escrevi muitas matérias sobre ele, quando era repórter da Folha, na revista Visão, e até hoje descubro coisas. Ele foi gravado em muitas línguas: senegalês, coreano, em japonês, em italiano, em inglês... O cara era incrível e extremamente simples. Era um gigante”, recorda o curador. Foi com a coragem de um predestinado que subiu em um caminhão, vestido como um vaqueiro, e rodou o País para cantar a música do seu sertão – gravou 627 canções. “Ele mostrou o Nordeste para o Brasil que o Brasil não conhecia. Mostrou a força do vaqueiro, que não existe mais, cantou os cangaceiros. Ele admirava tanto o Lampião que queria ser integrante do bando (risos). Cantou o beato, a beata, o homem, a mulher, a criança, a chuva, a seca, as aves, a natureza. Foi o maior artista popular que esse País já viu”, exalta Ângelo.

Entre os itens raros da exposição estão mais de 120 cordéis que já foram escritos inspirados no Rei do Baião, painéis divertidos e coloridos com curiosidades sobre a obra dele, LPs raros, letras nunca divulgadas, além de diversas outras curiosidades de sua trajetória. A escolha do local, justifica Sylvia, é em razão da concentração de nordestinos no bairro. “Mas a ideia é itinerar com a exposição”, adianta a jornalista.

Luiz Gonzaga, na eternidade dos 30! – Exposição. No Centro Cultural Santo Amaro (Avenida João Dias, 822). De quarta até dia 7 de novembro. De segunda a domingo, das 10h às 17h. Gratuita.  



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Exposição na Capital destrincha a vida de Luiz Gonzaga

Exposição em São Paulo lembra 30 anos da morte do ‘Rei do Baião’, com itens inéditos

Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

07/10/2019 | 07:13


Luiz Gonzaga do Nascimento é ‘cria’ de Exu, município do extremo Noroeste de Pernambuco. Filho de Januário e Ana, mudou-se, aos 17 anos, em 1930, para Fortaleza e passou a integrar o 23º Batalhão de Caçadores, onde ficou conhecido como recruta 122. Vestiu a farda durante nove anos – chegou a lutar na Revolução de 1930 –, mas nunca encontrou no ofício razão para alegria, embora vivesse a cantar para os colegas. “Ele dizia: ‘já passei em um monte de guerra e nunca dei um tiro (risos)’. Entrou como soldado raso e saiu como soldado raso”, lembra o pesquisador de cultura popular e curador da mostra, o jornalista Assis Ângelo, que foi amigo pessoal do Rei do Baião.

É dele o acervo que compõe a exposição Luiz Gonzaga, na Eternidade dos 30, que abre quarta, às 10h, no Centro Cultural Santo Amaro. Como o nome diz, a mostra, com direção da jornalista Sylvia Jardim e cenografia de Celso Rorato, lembra as três décadas da partida de Luiz Gonzaga e os 70 anos da gravação do primeiro forró da história da música brasileira, o Forró de Mané Vitor, de autoria de Gonzaga e do parceiro Zé Dantas.

Com linguagem de literatura de cordel, a mostra está dividida em sete estações e mais duas outras seções, que expõem partituras de época, discos, livros, revistas e fotos pertencentes ao acervo do Instituto Memória Brasil. O centro do espaço é ocupado por uma grande instalação, uma alusão ao Juazeiro e à força do povo sertanejo.

E material para isso não faltou, garante Sylvia. “A exposição tem como base o conteúdo de coisas inéditas. Eu não sabia, por exemplo, que Gonzaga gravou jingle político. Tem uma música que vai estar lá que ele fez para Jânio Quadros. Também fez comerciais para havaianas, café. No começo as agências não curtiam muito essa coisa de baião para vender, mas ele tinha muito sucesso, e acabaram embarcando na onda”, explica a jornalista.

Luiz Gonzaga também foi um dos artistas mais biografados do Brasil. Só do que se tem registro, foram mais de 50 livros contando a sua história. “Perto dele, em termos de biografia, só tem Carlos Gomes. O Luiz Gonzaga quanto mais você mexe, mais encontra coisas. Escrevi muitas matérias sobre ele, quando era repórter da Folha, na revista Visão, e até hoje descubro coisas. Ele foi gravado em muitas línguas: senegalês, coreano, em japonês, em italiano, em inglês... O cara era incrível e extremamente simples. Era um gigante”, recorda o curador. Foi com a coragem de um predestinado que subiu em um caminhão, vestido como um vaqueiro, e rodou o País para cantar a música do seu sertão – gravou 627 canções. “Ele mostrou o Nordeste para o Brasil que o Brasil não conhecia. Mostrou a força do vaqueiro, que não existe mais, cantou os cangaceiros. Ele admirava tanto o Lampião que queria ser integrante do bando (risos). Cantou o beato, a beata, o homem, a mulher, a criança, a chuva, a seca, as aves, a natureza. Foi o maior artista popular que esse País já viu”, exalta Ângelo.

Entre os itens raros da exposição estão mais de 120 cordéis que já foram escritos inspirados no Rei do Baião, painéis divertidos e coloridos com curiosidades sobre a obra dele, LPs raros, letras nunca divulgadas, além de diversas outras curiosidades de sua trajetória. A escolha do local, justifica Sylvia, é em razão da concentração de nordestinos no bairro. “Mas a ideia é itinerar com a exposição”, adianta a jornalista.

Luiz Gonzaga, na eternidade dos 30! – Exposição. No Centro Cultural Santo Amaro (Avenida João Dias, 822). De quarta até dia 7 de novembro. De segunda a domingo, das 10h às 17h. Gratuita.  

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