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Cem dias, sem calma


Carlos Brickmann

14/04/2019 | 07:00


Passados 100 dias do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), com alas internas em luta, com projetos importantes atrapalhados por brigas desnecessárias, com inesperada queda de popularidade, o presidente decidiu reverter o quadro: em 18 atos, colocou na linha de frente medidas há longo tempo defendidas por bons economistas – como a autonomia do BC (Banco Central), com mandatos fixos para seus diretores, reduzindo a influência política na defesa do valor da moeda; leis desejáveis, como a proibição, ao menos no Executivo, de rapapés e formalidades do tempo do Império; e uma ação que lhe dará popularidade maior, o 13º salário para quem recebe benefício do programa Bolsa Família.

O Banco Central nasceu com autonomia, e nos idos de 1966 já controlava a inflação. Mas estávamos no período de ditadura militar que, dizem, não houve, e o marechal Costa e Silva mudou tudo: deu o comando do Banco Central ao Ministério da Fazenda. A inflação cresceu bem, obrigado, e só foi vencida nos anos 1990. Voltamos à posição correta: a defesa da moeda é maior que os governos. E, antes que digam que o presidente está fazendo demagogia ao se apropriar da ideia do Bolsa Família, implantada por Lula, é bom lembrar que distribuir dinheiro aos necessitados (em vez de dar-lhes serviços gratuitos) é a base do Imposto de Renda Negativo, ideia de Milton Friedman. E é bom lembrar que o superministro Paulo Guedes é discípulo de Friedman, integrante da Escola de Chicago. Palpite deste colunista: o Bolsa Família tende a se ampliar.

Repassando
Vários teóricos liberais (que, no Brasil, seriam “de direita”) defenderam a entrega direta de dinheiro aos pobres. Como disse o economista austríaco Hayek, em visita ao Brasil, não adianta dar leite a quem quer farinha. É melhor dar dinheiro para que cada um o use conforme sua preferência, e não obrigá-lo a consumir o que não quer. No Brasil, o então senador Eduardo Suplicy – hoje vereador de São Paulo –, “de esquerda”, foi o grande batalhador desta causa “de direita”. Como funciona o Imposto de Renda Negativo, de Milton Friedman: estabelece-se uma renda de corte. Como, por exemplo, R$ 5.000 mensais. E um imposto, digamos, de 20%. Quem ganha mais de R$ 5.000 mensais paga, sobre o excedente, um imposto de 20%. Quem ganha menos recebe o suficiente para cobrir metade do que lhe falta para completar R$ 5.000 mensais. E os penduricalhos, tipo Leve Leite, água grátis em favelas, tudo isso acabaria. Muitos impostos seriam substituídos por este. E por que este colunista acredita na ampliação do Bolsa Família? Porque Paulo Guedes acredita nele e manda no pedaço. E porque mais Bolsa Família quer dizer mais popularidade para o presidente.

Senhor, senhora.
E está ótimo!

Há quem diga que, num país cheio de problemas, não tem sentido proibir expressões como vossa excelência, exmo. sr. professor-doutor, ou o incrível vossa magnificência. O Império caiu há mais de 100 anos e não há sentido em manter títulos desse tipo. Imagine que o caro leitor ache que um determinado ministro é uma besta quadrada, mas seja obrigado a chamá-lo de excelência, como se o achasse excelente. E aquele reitor que, a seu ver, para burro só lhe faltam as penas, é vossa magnificência. Ridículo. Já vi, numa CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), gente gastando tempo para explicar a uma testemunha que, caso fosse parlamentar, deveria tratá-lo de vossa excelência; caso não fosse, de vossa senhoria. Bolsonaro fez um gol. É uma lei que, espero, pegue.

Vai passar
Pesquisa publicada pelo jornal Valor Econômico mostra que 201 congressistas devem votar pela aprovação da reforma da Previdência. O número ainda não é suficiente, mas cresceu 35% de março para cá. A tendência é a de que a proposta da reforma passe, embora com modificações.

Cada vez aumenta mais
O ministro Onyx Lorenzoni justificou os tropeços dos primeiros 100 dias de Bolsonaro dizendo que o presidente está fazendo os mesmos ajustes que Felipão, técnico do Palmeiras, fez no ano passado e deram certo. Onyx entende de futebol o mesmo que de articulação política. O Palmeiras de Felipão perdeu a final do ano passado para a Corinthians em seu estádio, depois de gastar R$ 60 milhões em reforços. Neste ano, está fora das finais, eliminado pelo São Paulo. Na última Copa que dirigiu, Felipão levou de 7x1.

Boa notícia

A projeção da safra deste ano é de 235,5 milhões de toneladas. Garante a alimentação interna e o superavit nas contas externas.

Está preso. E daí?
O ex-presidente Lula, preso há pouco mais de um ano, espera que o STJ julgue o recurso que apresentou. Está tudo pronto e o recurso deveria ser julgado nesta semana. Como um ministro faltou, por questões particulares, o julgamento foi adiado. A semana que vem é Semana Santa. Portanto, o caso só será julgado no dia 23. A ideia de que a Justiça tarda mas não falha é falsa. A Justiça, quando tarda, é falha – seja para condenar ou absolver.



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Cem dias, sem calma

Carlos Brickmann

14/04/2019 | 07:00


Passados 100 dias do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), com alas internas em luta, com projetos importantes atrapalhados por brigas desnecessárias, com inesperada queda de popularidade, o presidente decidiu reverter o quadro: em 18 atos, colocou na linha de frente medidas há longo tempo defendidas por bons economistas – como a autonomia do BC (Banco Central), com mandatos fixos para seus diretores, reduzindo a influência política na defesa do valor da moeda; leis desejáveis, como a proibição, ao menos no Executivo, de rapapés e formalidades do tempo do Império; e uma ação que lhe dará popularidade maior, o 13º salário para quem recebe benefício do programa Bolsa Família.

O Banco Central nasceu com autonomia, e nos idos de 1966 já controlava a inflação. Mas estávamos no período de ditadura militar que, dizem, não houve, e o marechal Costa e Silva mudou tudo: deu o comando do Banco Central ao Ministério da Fazenda. A inflação cresceu bem, obrigado, e só foi vencida nos anos 1990. Voltamos à posição correta: a defesa da moeda é maior que os governos. E, antes que digam que o presidente está fazendo demagogia ao se apropriar da ideia do Bolsa Família, implantada por Lula, é bom lembrar que distribuir dinheiro aos necessitados (em vez de dar-lhes serviços gratuitos) é a base do Imposto de Renda Negativo, ideia de Milton Friedman. E é bom lembrar que o superministro Paulo Guedes é discípulo de Friedman, integrante da Escola de Chicago. Palpite deste colunista: o Bolsa Família tende a se ampliar.

Repassando
Vários teóricos liberais (que, no Brasil, seriam “de direita”) defenderam a entrega direta de dinheiro aos pobres. Como disse o economista austríaco Hayek, em visita ao Brasil, não adianta dar leite a quem quer farinha. É melhor dar dinheiro para que cada um o use conforme sua preferência, e não obrigá-lo a consumir o que não quer. No Brasil, o então senador Eduardo Suplicy – hoje vereador de São Paulo –, “de esquerda”, foi o grande batalhador desta causa “de direita”. Como funciona o Imposto de Renda Negativo, de Milton Friedman: estabelece-se uma renda de corte. Como, por exemplo, R$ 5.000 mensais. E um imposto, digamos, de 20%. Quem ganha mais de R$ 5.000 mensais paga, sobre o excedente, um imposto de 20%. Quem ganha menos recebe o suficiente para cobrir metade do que lhe falta para completar R$ 5.000 mensais. E os penduricalhos, tipo Leve Leite, água grátis em favelas, tudo isso acabaria. Muitos impostos seriam substituídos por este. E por que este colunista acredita na ampliação do Bolsa Família? Porque Paulo Guedes acredita nele e manda no pedaço. E porque mais Bolsa Família quer dizer mais popularidade para o presidente.

Senhor, senhora.
E está ótimo!

Há quem diga que, num país cheio de problemas, não tem sentido proibir expressões como vossa excelência, exmo. sr. professor-doutor, ou o incrível vossa magnificência. O Império caiu há mais de 100 anos e não há sentido em manter títulos desse tipo. Imagine que o caro leitor ache que um determinado ministro é uma besta quadrada, mas seja obrigado a chamá-lo de excelência, como se o achasse excelente. E aquele reitor que, a seu ver, para burro só lhe faltam as penas, é vossa magnificência. Ridículo. Já vi, numa CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), gente gastando tempo para explicar a uma testemunha que, caso fosse parlamentar, deveria tratá-lo de vossa excelência; caso não fosse, de vossa senhoria. Bolsonaro fez um gol. É uma lei que, espero, pegue.

Vai passar
Pesquisa publicada pelo jornal Valor Econômico mostra que 201 congressistas devem votar pela aprovação da reforma da Previdência. O número ainda não é suficiente, mas cresceu 35% de março para cá. A tendência é a de que a proposta da reforma passe, embora com modificações.

Cada vez aumenta mais
O ministro Onyx Lorenzoni justificou os tropeços dos primeiros 100 dias de Bolsonaro dizendo que o presidente está fazendo os mesmos ajustes que Felipão, técnico do Palmeiras, fez no ano passado e deram certo. Onyx entende de futebol o mesmo que de articulação política. O Palmeiras de Felipão perdeu a final do ano passado para a Corinthians em seu estádio, depois de gastar R$ 60 milhões em reforços. Neste ano, está fora das finais, eliminado pelo São Paulo. Na última Copa que dirigiu, Felipão levou de 7x1.

Boa notícia

A projeção da safra deste ano é de 235,5 milhões de toneladas. Garante a alimentação interna e o superavit nas contas externas.

Está preso. E daí?
O ex-presidente Lula, preso há pouco mais de um ano, espera que o STJ julgue o recurso que apresentou. Está tudo pronto e o recurso deveria ser julgado nesta semana. Como um ministro faltou, por questões particulares, o julgamento foi adiado. A semana que vem é Semana Santa. Portanto, o caso só será julgado no dia 23. A ideia de que a Justiça tarda mas não falha é falsa. A Justiça, quando tarda, é falha – seja para condenar ou absolver.

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