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Voluntários doam bonecos de pano para crianças e idosos

Nario Barbosa Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Produção de ‘mimos’ é tarefa semanal de 40 pessoas; dedicação ao próximo move coletivo


Aline Melo
Diário do Grande ABC

21/10/2018 | 07:00


Desejo de ajudar ao próximo e fazer mais pelos semelhantes. É essa a motivação das 40 pessoas que se reúnem na sede da Fraternidade Espírita Casa de Ismael, em Santo André, para confecção de bonecas, bonecos, mantas e outros mimos. Toda a produção é doada a instituições assistenciais que atendem crianças e idosos, como a Instituição Amélia Rodrigues e o asilo Nosso Lar, em Santo André.

Fundado em março de 2017 e, inicialmente com apenas quatro voluntárias, o grupo atualmente se reúne duas vezes por semana, dividido em duas turmas, e já produziu pelo menos 2.100 itens.
Em janeiro de 2017, a nutricionista Sônia Tinelli Ferro, 63 anos, conheceu o trabalho das Bonequeiras sem Fronteiras, que realizam a mesma atividade em Curitiba, no Paraná, e, inicialmente, o material produzido era enviado para o grupo, no Sul do País. “Quando mandamos nossa doação, as bonequeiras de lá nos incentivaram a atuar na nossa região”, lembrou Sônia.

Com apenas uma máquina de costura e muita vontade de fazer a diferença, o grupo foi crescendo e a atuação sendo expandida para as outras cidades do Grande ABC e também da Região Metropolitana de São Paulo. Bonecas, baleias, gatos, dinossauros, girafas e tudo mais o que a imaginação e a criatividade dos voluntários puderam conceber é costurado na sala cedida pela Casa de Ismael. Os itens são produzidos com tecido doado e todo pedacinho é aproveitado. O que não for possível dar forma à bonecas e bichinhos se transforma em mantas e cachecois, que são doados para os idosos que vivem em casas de repouso. “Para as mulheres, damos as bonecas e os bichinhos. Para os homens, os presentes são diferentes”, explicou a presidente da Fraternidade, a empresária Marcia Ferreira Figueiredo, 63.

Entre os integrantes do grupo de voluntários – formado por 38 mulheres e dois homens – o consenso é que ajudar ao próximo também tem ajudado a eles próprios. “Fazer parte disso foi a melhor coisa que poderia me acontecer a essa altura da vida”, definiu a professora de alemão Lydia Augusto Kielblock, 83. Com habilidades em costura exercitada domesticamente desde os 13 anos, ela é a estilista dos vestidinhos das bonecas e a destinatária dos retalhos de tecido diferentes e, normalmente, os mais difíceis de ser trabalhados. A professora dedica cerca de cinco horas por dia à atividade, além de participar do grupo aos sábados. “Nessa fase, não temos mais futuro. O que temos é muito passado e algum presente. E é bom poder vivê-lo desta forma, ajudando”, completou.

As tardes de quarta-feira, quando as bonequeiras se reúnem, também são as preferidas da auxiliar de enfermagem aposentada Wilma Maria Fioravanti, 72, uma das pioneiras na atividade. Desde que se aposentou, tem se dedicado ao voluntariado. “Aqui a gente faz amigos, desabafa os problemas, ajudamos uns aos outros. O trabalho faz mais por nós do que nós pelas entidades”, concluiu.

A comerciante Neide Rebelato, 74, concorda com a colega sobre os benefícios do grupo. “A gente chega achando que vai fazer pelos outros, mas é ao contrário. São as entregas, o trabalho de produção o que nos fortalece”, citou. A administradora Mariana Bragiatto, 80, define o sentimento de todos. “A gente sai daqui se sentindo maravilhosamente bem.” A maioria dos participantes também leva material para fazer em casa.

O grupo conta com doações de tecidos da comunidade e das próprias bonequeiras para a confecção do material. A preferência é por tecidos 100% algodão para evitar alergias. O enchimento também é de material antialérgico, normalmente comprado pelo grupo com recursos próprios. Recentemente, o coletivo realizou worshop de bonecas para angariar fundos. A procura pela atividade tem sido grande e as organizadoras já estudam formas de ampliar os espaços físicos para receber mais voluntários.

Outras informações sobre doações e sobre as atividades das Bonequeiras do ABC podem ser obtidas pelas páginas do grupo nas redes sociais (facebook/bonequeirasdoabc e instagram/bonequeirasdoabc) ou pelos telefones 99934-9465 e 98169-7473.

Idosos vivem tarde de música e atenção

A Instituição Assistencial Nosso Lar, em Santo André, recebeu, na sexta-feira, a visita das Bonequeiras do ABC, que levaram bonecos e mantas para os 77 idosos que vivem no local, além de servirem lanche para os presentes. As visitações acontecem todos os dias, das 13h30 às 16h (para grupos e instituições devem ser previamente agendadas).

Além das bonequeiras, os presentes também contaram com a primeira apresentação do Coral das Rosinhas, formado por 18 integrantes da AVSSA (Associação dos Voluntários da Saúde de Santo André).

A psicóloga e gestora de atendimento ao idoso da instituição, Ieda Cristina Albertasse, 45 anos, explicou que esse é um momento de grande expectativa para a maioria dos abrigados.

Na cadeira de rodas, Maria Noemia de Souza, 70, há 21 anos na instituição, era das mais animadas. A idosa cantou quase todas as músicas e, ao final, ainda fez questão de se apresentar junto com as voluntárias e também fazer um número solo. Falante, lembrou que sempre gostou de música e que, quando tinha mais mobilidade, aproveitava esses eventos para dançar.

Sebastiana Ventura, 76, que há cinco anos está no Nosso Lar, relatou que os momentos de visitas são os mais aguardados. Ativa, vai aos domingos com grupo de voluntários para um baile na cidade. “Danço um pouco e depois meço a pressão. Se está tudo bem, volto e danço mais músicas.” A única filha mora no Rio de Janeiro e não a visita há mais de dois anos.

A boneca ganhada por Nair Pontes, 86, foi imediatamente batizada: Chiquinha. A aposentada conta que tem “bonecos de verdade”, que são os netos e bisnetos, que a visitam regularmente. “Essa bonequinha vou dar para a minha bisneta”, disse, abraçando o mimo. 



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