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É Natal!


Rodolfo de Souza

14/12/2017 | 07:00


 É Natal e os corações se enchem do espírito de amor que habita a alma singela de Papai Noel. Sentimento este peculiar à data ansiosamente aguardada e comemorada no mundo todo. É tempo de se entregar à solidariedade, à compreensão, à compaixão... Lindo, não?! Pelo menos é o que se espera do ser humano que criou o Natal e o aguarda ansioso, porque é época dedicada à comilança, à bebedeira, à farra que celebra, antes de tudo, o feriado, o verão, as férias, a reunião com os pares para que a música alta e as gargalhadas carreguem a atmosfera de inebriante alegria. Não os condeno, afinal. Antes rir do que chorar.

Logicamente que os apelos publicitários, imbuídos do mesmo afã, não poupam esforços para levar o consumidor a gastar seu rico 13º e se enfiar até o pescoço no famigerado cartão, rico Natal dos bancos. Mas não pensemos nisso, o que importa é a celebração! Deixemos as aporrinhações para depois. Afinal, é tempo de festejar!

Tomara mesmo que até a mente terrorista se compadeça, neste Natal, e pare um pouco, limpe as mãos da pólvora usada na construção dos artefatos de matar e mergulhe a alma na alegria e na esperança de novos e benfazejos tempos.

Tomara que o ditador esteja também sensível ao espírito natalino e enrole mapas, planos de voo, e desenhos de foguetes, meta-os no armário e volte a pensar nessa maluquice toda somente no próximo ano em que estarão renovados seus anseios de destruição e matança por atacado.

Tomara Deus que o supremo chefe de tudo, o imponente urso com seu magnífico topete, se cale um pouco e pare de se ocupar com a vida alheia, que deixe sua atividade predileta para o ano vindouro. O mundo por certo que agradece, cheio de esperança de que ele não mais volte a falar.

Quem sabe, ainda, o espírito natalino toque o coração duro dos roedores que infestam o planalto central, e os faça perceber que é hora de parar de devorar todo o queijo da gente que trabalha duro para sustentá-los no luxo. Oxalá o sopro divino também compareça para promover uma renúncia em massa daqueles, presente inigualável para toda a Nação que, finalmente, respiraria aliviada o ar puro da justiça. Claro que haveria o risco de intoxicação, já que o povo não está habituado a tamanha limpeza.

Tomara que o Natal aquiete o ímpeto que impele o bandido a sacar a arma e tolher a vida do outro, como se dela fosse dono. É tempo, afinal, de colocar a violência a um canto, aguardando a sua vez de ser violenta de novo.

Que a tirania tenha um pouco de sossego nesta época e permita que se abrande o coração do homem, este que, mesmo não se enquadrando em nenhum dos quesitos aqui mencionados, ainda tem maldade de sobra guardada no peito, pronta para desferir golpe certeiro no coração do semelhante, muitas vezes em nome do senhor.

É para isso, imagino, que sirva o Natal. De nada adianta se encher de comoção diante do altar e esquecer as lições básicas da cartilha que ensina humildade, simpatia, condescendência e educação.

Feliz Natal!

 



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