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Grafiteiros querem acabar com o preconceito


Nelson Albuquerque
Do Diário do Grande ABC

28/06/2003 | 19:25


De expressão de revolta a arte. Para o grafite concluir esse caminho ainda precisa transpor algumas barreiras, como o preconceito da sociedade e o reconhecimento de seu valor artístico. Uma das cidades do país mais conceituadas no assunto, Santo André trabalha de forma organizada para pensar o grafite e seu futuro. Ciclo de debates e a sonhada Mostra Mundial são as principais pautas nas reuniões da Macrocomissão de Grafite, composta por grafiteiros de toda a região metropolitana e sempre aberta a novos membros.

Na terça-feira passada, por exemplo, a sede do Centro de Referência da Juventude recebeu 20 desses artistas, que têm trabalhos espalhados por dezenas de muros. Para o grande público eles são anônimos, mas são 'famosos' nos bairros em que moram. Seus personagens provocativos e letras indecifráveis já fazem parte da paisagem urbana, mesmo não sendo aceitos por muita gente.

“Queremos chamar grafiteiros e sociedade para os debates, construir mecanismos de tolerância, e não estigmatizar e marginalizar”, diz o músico Jefferson Sooma, membro da Assessoria da Juventude, divisão da Prefeitura que faz o contato com os artistas.

O esforço faz sentido porque a pichação incomoda, e muito, a população. O vandalismo cria uma poluição visual capaz de fazer as pessoas rejeitarem de forma apressada todo desenho proveniente dos sprays. E o grafite tem sua história estreitamente ligada à pichação, por isso também é discriminado.

Novos rumos -Justamente para diminuir o preconceito, um dos temas dos debates será Grafite e Sociedade. Outras discussões que ganharão espaço são as técnicas usadas, o compromisso social, o grafite independente do hip hop, a participação das mulheres e o relacionamento com as propriedades privadas. São os chamados ‘novos rumos’ para o grafite.

Tudo isso, e mais o apoio do poder público, não deve significar domesticação dos grafiteiros. Os artistas não aceitam que digam a eles o que deve ser desenhado. A sinceridade da linguagem, portanto, deve ser preservada. Algumas das opiniões manifestadas na reunião (“questionamos o valor capitalista” e “roubar dinheiro público é um crime muito maior que pichar”) possivelmente serão disseminadas pelos desenhos.

A Mostra Mundial está em fase embrionária, apesar de desejada há um bom tempo. A data não está definida, mas a primeira projeção de custos chegou ao orçamento final de R$ 238 mil.

Interessados em participar das decisões só precisam comparecer ao Centro de Referência da Juventude (r. Campos Salles, 389. Tel.: 4994-7918) no dia das reuniões. As próximas serão dias 8 e 22 de julho, sempre às 19h30.



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Grafiteiros querem acabar com o preconceito

Nelson Albuquerque
Do Diário do Grande ABC

28/06/2003 | 19:25


De expressão de revolta a arte. Para o grafite concluir esse caminho ainda precisa transpor algumas barreiras, como o preconceito da sociedade e o reconhecimento de seu valor artístico. Uma das cidades do país mais conceituadas no assunto, Santo André trabalha de forma organizada para pensar o grafite e seu futuro. Ciclo de debates e a sonhada Mostra Mundial são as principais pautas nas reuniões da Macrocomissão de Grafite, composta por grafiteiros de toda a região metropolitana e sempre aberta a novos membros.

Na terça-feira passada, por exemplo, a sede do Centro de Referência da Juventude recebeu 20 desses artistas, que têm trabalhos espalhados por dezenas de muros. Para o grande público eles são anônimos, mas são 'famosos' nos bairros em que moram. Seus personagens provocativos e letras indecifráveis já fazem parte da paisagem urbana, mesmo não sendo aceitos por muita gente.

“Queremos chamar grafiteiros e sociedade para os debates, construir mecanismos de tolerância, e não estigmatizar e marginalizar”, diz o músico Jefferson Sooma, membro da Assessoria da Juventude, divisão da Prefeitura que faz o contato com os artistas.

O esforço faz sentido porque a pichação incomoda, e muito, a população. O vandalismo cria uma poluição visual capaz de fazer as pessoas rejeitarem de forma apressada todo desenho proveniente dos sprays. E o grafite tem sua história estreitamente ligada à pichação, por isso também é discriminado.

Novos rumos -Justamente para diminuir o preconceito, um dos temas dos debates será Grafite e Sociedade. Outras discussões que ganharão espaço são as técnicas usadas, o compromisso social, o grafite independente do hip hop, a participação das mulheres e o relacionamento com as propriedades privadas. São os chamados ‘novos rumos’ para o grafite.

Tudo isso, e mais o apoio do poder público, não deve significar domesticação dos grafiteiros. Os artistas não aceitam que digam a eles o que deve ser desenhado. A sinceridade da linguagem, portanto, deve ser preservada. Algumas das opiniões manifestadas na reunião (“questionamos o valor capitalista” e “roubar dinheiro público é um crime muito maior que pichar”) possivelmente serão disseminadas pelos desenhos.

A Mostra Mundial está em fase embrionária, apesar de desejada há um bom tempo. A data não está definida, mas a primeira projeção de custos chegou ao orçamento final de R$ 238 mil.

Interessados em participar das decisões só precisam comparecer ao Centro de Referência da Juventude (r. Campos Salles, 389. Tel.: 4994-7918) no dia das reuniões. As próximas serão dias 8 e 22 de julho, sempre às 19h30.

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