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Apreensão de drogas despenca na região

Edmilson Magalhães/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Evandro De Marco
Do Diário do Grande ABC

29/03/2010 | 07:05


Ações das polícias civil e militar contra o tráfico de drogas em 2009 terminaram com a apreensão de mais de uma tonelada de entorpecentes no Grande ABC. O número é menor que 2008, quando foram retiradas de circulação 13 toneladas devido a grandes apreensões em São Bernardo.

Os dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo ainda mostram que quase metade do que foi apreendido no ano passado foi encontrado em Diadema (443 quilos). Santo André e Mauá aparecem na sequência, com 219 e 215 quilos respectivamente.

A maconha foi a droga mais encontrada em ‘biqueiras' e depósitos de distribuição e refino de entorpecentes da região - 600 quilos. Ainda foram apreendidos 430 quilos de cocaína.

Mesmo com a maior quantidade de drogas apreendidas na região, o delegado titular da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), Pedro Luis Jordão, enfatiza que "o alvo são os pequenos traficantes. As grandes apreensões são mais comuns em casos investigados pela Polícia Federal e pelo Denarc (Departamento de Narcóticos)."

Porém, o delegado salienta a importância da presença da polícia frente ao problema. "Temos apreensões menores, mas constantes. Se virarmos as costas, em seis meses não conseguiríamos mais dar conta de combater o tráfico. Os traficantes conseguiriam dinheiro suficiente para se armar com todo tipo de fuzil e perderíamos completamente o controle", avalia.

Segundo a polícia, na região não há a figura dos grandes traficantes e chefes de morro como ocorre no Rio de Janeiro e não há disputa de pontos de venda. "Existe o tráfico em todas as favelas. Alguns bairros de classe média, e até alta, também tem pessoas envolvidas", ressalta Alberto Mesquita Alves, delegado titular da Dise de Santo André.

ROTA - O Brasil é rota de passagem das drogas. Elas chegam em pequenos aviões que pousam em aeroportos clandestinos próximos às divisas do País e se espalham pelas estradas brasileiras. "A cocaína vem da Bolívia e da Colômbia. Já a maconha é produzida parte no Paraguai e o restante no Nordeste do Brasil", afirma Alves.

Menores engrossam as fileiras de frente do tráfico

As prisões feitas na região chamam a atenção para o envolvimento de crianças e adolescentes com quadrilhas ligadas ao tráfico de drogas. "Temos número enorme de menores sendo usados pelos traficantes. São pessoas do sexo masculino e com primeiro grau incompleto, o que mostra a total falta de perspectiva destes jovens", afirma Kátia Cristófaro Martins, delegada titular da Dise de São Bernardo.

A falta de políticas sociais aliada à idolatria despertada nas comunidades carentes com relação aos criminosos são apontadas como as principais causas para o problema. "Creio que 30% ou 40% dos traficantes são adolescentes que estão em idade de auto-afirmação e o fato de andar armado os seduz. Dá um sentimento de que podem mandar todo mundo calar a boca na comunidade", afirma o delegado Pedro Luis Jordão, titular da Dise de Diadema.

A sensação de impunidade também colabora com esse quadro. "É fácil colocá-los num trabalho em que ficam expostos. Se forem pegos, permanecem na Fundação Casa e são liberados", diz Jordão.

'Biqueiras' funcionam como comércio ao ar livre

Um emprego informal, mas com horário para entrar e sair, fechamento de caixa, salário e responsabilidade que pode custar a própria vida. Esse é o panorama encontrado nas biqueiras espalhadas pela região.

De acordo com o delegado da Dise de Santo André, Alberto Mesquita Alves, "a diária varia de R$ 30 a R$ 100 de acordo com a movimentação da biqueira, que funciona como ponto comercial em turnos geralmente de 12 horas. A cada dois ou três dias, é feito o acerto." Quem roubar a boca, paga com a vida.

Alberto ainda revela que as biqueiras são dispostas em pontos estratégicos para atingir seus clientes. "As biqueiras ficam em áreas limítrofes da favela porque os usuários têm receio de entrar."

O perfil procurado pelas quadrilhas são pessoas jovens e do sexo masculino que, quando presas pela polícia, são substituídas imediatamente por outro aviãozinho - como são chamados os vendedores do tráfico.

Para a socióloga Dulce Maria Tourinho Baptista, "o tráfico de drogas está entre as cinco maiores economias do mundo junto com o petróleo e a indústria do armamento."

Tráfico impulsiona prática de outros crimes

A falta de perspectivas empurra cada vez mais os jovens para o mundo das drogas, e a falta de condições para sustentar o vício é a porta de entrada para as quadrilhas especializadas. "As pessoas se viciam rapidamente. Sem dinheiro para comprar drogas, começam a furtar objetos em casa e fazem dívidas com os traficantes", revela o delegado da Dise de Diadema, Pedro Luis Jordão.

Segundo o delegado Alberto Mesquita Alves, "a maioria dos crimes são pequenos furtos e roubos praticados por viciados em entorpecentes que não encontram outra forma de adquiri-lo."

Ainda de acordo com Alves, é comum encontrar nas ‘biqueiras' objetos de vítimas como jóias de pequeno valor, relógios, eletro-eletrônicos e aparelhos celulares, que são trocados por drogas.

O coronel José Luis Martins Navarro, comandante da Polícia Militar na região, salienta que "grande parte dos homicídios acontece devido a acerto de contas entre traficantes e usuários, que ficam devendo e não têm como pagar suas dívidas com as quadrilhas. "Se combatermos o tráfico de drogas, esses crimes diminuem", avalia.

Polícia aponta ações sociais como solução

Apesar da responsabilidade de combater o tráfico de drogas, a própria polícia aponta ações sociais como solução para o problema. "A polícia cuida das consequências. As causas são tratadas com saúde, lazer, saneamento e, principalmente, educação. Se ninguém compra drogas, ninguém vende", conclui a delegada Kátia Cristófaro Martins.

O comandante da Polícia Militar na região, coronel José Luis Martins Navarro, chama a atenção para um programa da corporação que envolve crianças da rede estadual de ensino, o Proerd (Programa Estadual de Resistência às Drogas), que no ano passado atendeu 35 mil estudantes na região. "É curso com duração de um mês e meio e que faz parte do currículo escolar. Mas ainda precisamos adotar ações conjuntas com todos os órgãos para discutir e implantar ações conjuntas para amenizar o problema", avalia.

Ainda de acordo com Navarro, "os traficantes usam as pessoas mais carentes pela facilidade que encontram com a ausência do poder público. É importante que a população denuncie e colabore com as polícias", conclui.



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