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Rendimento do trabalhador cai 3,3% em 2014 no Grande ABC

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Percentual, que já desconta a inflação no período,
reflete desemprego crescente, de acordo com MTE


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

13/09/2015 | 07:04


O trabalhador do Grande ABC perdeu poder aquisitivo no ano passado. Com desemprego em alta e inflação mostrando tendência de elevação, o rendimento médio real (levando em conta a inflação) da população empregada da região em dezembro de 2014 caiu 3,3% na comparação com mesmo mês de 2013, de acordo com dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), divulgada há poucos dias.

Por esse levantamento, que é praticamente um censo dos registros de trabalho formal (com carteira assinada e estatuários) passados pelas empresas de todo o País ao governo, na média, o trabalhador da região ganhava, em dezembro de 2014, R$ 2.670,39 por mês, enquanto um ano atrás recebia R$ 2.761,94 – valor deflacionado pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Um dos fatores que ajudam a explicar a redução da renda é a perda de emprego no período. Também de acordo com a Rais, de 2013 para 2014, os sete municípios perderam 14.541 postos de trabalho formais, ou seja, regidos pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) ou de estatutos do funcionalismo público.

A eliminação de vagas ajuda a explicar, em parte, a piora no poder de compra da população. O professor Sandro Maskio, coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista, cita que, em cenário de economia fraca, quando as empresas fazem cortes para reduzir custos, muitas vezes, são eliminados salários mais altos.

A indústria, setor que mais demitiu no ano passado, também foi um dos que mais sentiram a retração na renda. A atividade produtiva registrou redução de 19.828 empregos formais de um ano para o outro. Ao mesmo tempo, na média, o trabalhador das fabricantes do Grande ABC viu seu rendimento diminuir quase 4% (-3,89%, também descontando a taxa inflacionária), em 2014, passando a receber R$ 3.749,33. “A inflação corrói a renda e fica mais difícil negociar aumentos salariais”, aponta o professor Ricardo Balistiero, que é coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia. É bom lembrar que o custo de vida subiu 6,23%, pelo INPC, em 2014, bem acima do centro da meta inflacionária estabelecida para pelo governo federal, que era de 4,5%.

Também no mesmo período, comércio e serviços geraram, respectivamente, 2.971 e 1.250 vagas de trabalho na região, de acordo com a Rais. Nesses segmentos, o rendimento dos empregados aumentou, pela ordem, 1,49% e 0,67% entre o fim de 2013 e dezembro de 2014. “No ano passado, o quadro de perda de vagas ainda estava concentrada na indústria, já neste ano, se espalhou para os outros setores da economia”, lembra Balistiero.

O aumento de vagas no comércio, por exemplo, revela outro movimento: a migração de trabalhadores do setor industrial para outras atividades, que em geral pagam menos. Na média, o empregado da área comercial ganha R$ 1.954,60 (pelos dados de dezembro) no Grande ABC, enquanto nas fabricantes o rendimento é quase o dobro (91% mais). Também é bem maior (71% mais) do que em serviços, cuja remuneração média é de R$ 2.181,57.

EM 2015 - A perda de poder aquisitivo na região deve se intensificar neste ano, assim como os cortes de empregos, por causa da crise econômica. Isso pode ser verificado se comparados os dados da Rais com números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), também do MTE e que se refere às informações passadas mensalmente pelas empresas ao governo referentes a admissões e demissões em todo o País.

Por essa comparação, a queda da renda neste ano, em relação a dezembro, já chega a 9%. Isso porque, o Caged, que contabiliza apenas os postos com carteira assinada, mostrava que em maio a renda média do trabalhador dos sete municípios estava em R$ 2.578,01. Atualizando o rendimento de dezembro (R$ 2.670,39) pelo INPC do acumulado dos cinco primeiros meses do ano (5,98%), o valor pago no final do ano passado equivaleria a R$ 2.830,24, ou seja, a renda de maio é 9% menor. Ao mesmo tempo, de janeiro a maio, foram cortadas 11.677 vagas no Grande ABC. 



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Rendimento do trabalhador cai 3,3% em 2014 no Grande ABC

Percentual, que já desconta a inflação no período,
reflete desemprego crescente, de acordo com MTE

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

13/09/2015 | 07:04


O trabalhador do Grande ABC perdeu poder aquisitivo no ano passado. Com desemprego em alta e inflação mostrando tendência de elevação, o rendimento médio real (levando em conta a inflação) da população empregada da região em dezembro de 2014 caiu 3,3% na comparação com mesmo mês de 2013, de acordo com dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), divulgada há poucos dias.

Por esse levantamento, que é praticamente um censo dos registros de trabalho formal (com carteira assinada e estatuários) passados pelas empresas de todo o País ao governo, na média, o trabalhador da região ganhava, em dezembro de 2014, R$ 2.670,39 por mês, enquanto um ano atrás recebia R$ 2.761,94 – valor deflacionado pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Um dos fatores que ajudam a explicar a redução da renda é a perda de emprego no período. Também de acordo com a Rais, de 2013 para 2014, os sete municípios perderam 14.541 postos de trabalho formais, ou seja, regidos pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) ou de estatutos do funcionalismo público.

A eliminação de vagas ajuda a explicar, em parte, a piora no poder de compra da população. O professor Sandro Maskio, coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista, cita que, em cenário de economia fraca, quando as empresas fazem cortes para reduzir custos, muitas vezes, são eliminados salários mais altos.

A indústria, setor que mais demitiu no ano passado, também foi um dos que mais sentiram a retração na renda. A atividade produtiva registrou redução de 19.828 empregos formais de um ano para o outro. Ao mesmo tempo, na média, o trabalhador das fabricantes do Grande ABC viu seu rendimento diminuir quase 4% (-3,89%, também descontando a taxa inflacionária), em 2014, passando a receber R$ 3.749,33. “A inflação corrói a renda e fica mais difícil negociar aumentos salariais”, aponta o professor Ricardo Balistiero, que é coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia. É bom lembrar que o custo de vida subiu 6,23%, pelo INPC, em 2014, bem acima do centro da meta inflacionária estabelecida para pelo governo federal, que era de 4,5%.

Também no mesmo período, comércio e serviços geraram, respectivamente, 2.971 e 1.250 vagas de trabalho na região, de acordo com a Rais. Nesses segmentos, o rendimento dos empregados aumentou, pela ordem, 1,49% e 0,67% entre o fim de 2013 e dezembro de 2014. “No ano passado, o quadro de perda de vagas ainda estava concentrada na indústria, já neste ano, se espalhou para os outros setores da economia”, lembra Balistiero.

O aumento de vagas no comércio, por exemplo, revela outro movimento: a migração de trabalhadores do setor industrial para outras atividades, que em geral pagam menos. Na média, o empregado da área comercial ganha R$ 1.954,60 (pelos dados de dezembro) no Grande ABC, enquanto nas fabricantes o rendimento é quase o dobro (91% mais). Também é bem maior (71% mais) do que em serviços, cuja remuneração média é de R$ 2.181,57.

EM 2015 - A perda de poder aquisitivo na região deve se intensificar neste ano, assim como os cortes de empregos, por causa da crise econômica. Isso pode ser verificado se comparados os dados da Rais com números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), também do MTE e que se refere às informações passadas mensalmente pelas empresas ao governo referentes a admissões e demissões em todo o País.

Por essa comparação, a queda da renda neste ano, em relação a dezembro, já chega a 9%. Isso porque, o Caged, que contabiliza apenas os postos com carteira assinada, mostrava que em maio a renda média do trabalhador dos sete municípios estava em R$ 2.578,01. Atualizando o rendimento de dezembro (R$ 2.670,39) pelo INPC do acumulado dos cinco primeiros meses do ano (5,98%), o valor pago no final do ano passado equivaleria a R$ 2.830,24, ou seja, a renda de maio é 9% menor. Ao mesmo tempo, de janeiro a maio, foram cortadas 11.677 vagas no Grande ABC. 

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