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PIB encolhe no 2º trimestre e Brasil entra em recessão de novo

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Redução do consumo das famílias e queda
de investimentos das empresas preocupam


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

29/08/2015 | 07:24


O PIB (Produto Interno Bruto, ou seja, a soma das riquezas produzidas no País) registrou queda pelo segundo trimestre seguido, o que caracteriza, segundo os economistas, que o Brasil entrou em recessão técnica, de novo. Em 2014, isso já havia ocorrido. De abril a junho deste ano, a economia teve retração de 1,9% na comparação com os primeiros três meses, quando já houve recuo de 0,7%. É a maior variação negativa desde o início de 2009 – quando caiu igual 1,9% –, pelo impacto da crise financeira global. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a retração é de 2,6%, pior resultado desde a taxa de 4,1%, no fim de 2008.

Os números, que mostram a fraca atividade econômica, já eram esperados. Há uma semana, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) calculava variação negativa de 1,89%, e o Depecon (Departamento de Pesquisas Econômicas) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) estimava recuo de 1,84% para o trimestre. “Outros indicadores também mostram a queda da economia, como os números da atividade industrial, que devem fechar o ano com retração de mais de 5%”, afirma o delegado regional do Corecon (Conselho Regional de Economia) no Grande ABC, Leonel Tinoco.

Por setores, os maiores tombos foram os do ramo da construção, que teve redução de 8,4%, seguido pela indústria da transformação (na qual está incluído o setor automotivo), que caiu 3,7%. Do ponto de vista das despesas, os investimentos produtivos (ou seja, a compra de máquinas e equipamentos, conhecidos tecnicamente como Formação Bruta de Capital Fixo) tiveram a oitava queda seguida, com expressivos 8,1% negativos no segundo trimestre em relação aos três meses iniciais do ano. “Ninguém (das empresas) está comprando máquinas, não há previsão de melhora para vender a produção”, diz Tinoco.

“Quando o empresário compra maquinário, é porque ele acredita no futuro do País. Hoje há uma desconfiança grande em relação aos rumos da economia”, diz Ricardo Balistiero, coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia. Isso explica, por exemplo, a forte queda nas vendas de caminhões novos – redução de 43,1% de janeiro a julho em relação ao mesmo período de 2014 –, já que, com a economia parada, as transportadoras não investem na ampliação de suas frotas.

Outro dado preocupante é o consumo das famílias, que caiu 2,1%, e está em queda pelo segundo trimestre seguido. “Esse foi um agregado que puxou o crescimento da economia do País em anos anteriores”, assinala o professor de Economia Sandro Maskio, da Universidade Metodista de São Paulo. “Atualmente, o crescimento da taxa de juros, inflação em alta e a perda de empregos contribuem para conter gastos dos consumidores e ajudam a colocar o País em recessão”, assinala Balistiero.

PERSPECTIVAS - A expectativa dos economistas ouvidos pelo Diário é de que o ano fechará com retração econômica – que pode chegar a 2% – e, na melhor das hipóteses, haverá estagnação em 2016, ou seja, não haverá crescimento. “O ano que vem já está comprometido, pelo que já mostram as estatísticas, e todas as projeções são de que a queda do PIB será menor do que a de 2015”, diz Balistiero, que prevê recuo de 0,15%. “Com as medidas restritivas (ao crescimento, adotadas pelo governo), a inflação pode refrear para 6% a 7%, mas a economia não deve crescer”, afirma Tinoco.
 



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PIB encolhe no 2º trimestre e Brasil entra em recessão de novo

Redução do consumo das famílias e queda
de investimentos das empresas preocupam

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

29/08/2015 | 07:24


O PIB (Produto Interno Bruto, ou seja, a soma das riquezas produzidas no País) registrou queda pelo segundo trimestre seguido, o que caracteriza, segundo os economistas, que o Brasil entrou em recessão técnica, de novo. Em 2014, isso já havia ocorrido. De abril a junho deste ano, a economia teve retração de 1,9% na comparação com os primeiros três meses, quando já houve recuo de 0,7%. É a maior variação negativa desde o início de 2009 – quando caiu igual 1,9% –, pelo impacto da crise financeira global. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a retração é de 2,6%, pior resultado desde a taxa de 4,1%, no fim de 2008.

Os números, que mostram a fraca atividade econômica, já eram esperados. Há uma semana, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) calculava variação negativa de 1,89%, e o Depecon (Departamento de Pesquisas Econômicas) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) estimava recuo de 1,84% para o trimestre. “Outros indicadores também mostram a queda da economia, como os números da atividade industrial, que devem fechar o ano com retração de mais de 5%”, afirma o delegado regional do Corecon (Conselho Regional de Economia) no Grande ABC, Leonel Tinoco.

Por setores, os maiores tombos foram os do ramo da construção, que teve redução de 8,4%, seguido pela indústria da transformação (na qual está incluído o setor automotivo), que caiu 3,7%. Do ponto de vista das despesas, os investimentos produtivos (ou seja, a compra de máquinas e equipamentos, conhecidos tecnicamente como Formação Bruta de Capital Fixo) tiveram a oitava queda seguida, com expressivos 8,1% negativos no segundo trimestre em relação aos três meses iniciais do ano. “Ninguém (das empresas) está comprando máquinas, não há previsão de melhora para vender a produção”, diz Tinoco.

“Quando o empresário compra maquinário, é porque ele acredita no futuro do País. Hoje há uma desconfiança grande em relação aos rumos da economia”, diz Ricardo Balistiero, coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia. Isso explica, por exemplo, a forte queda nas vendas de caminhões novos – redução de 43,1% de janeiro a julho em relação ao mesmo período de 2014 –, já que, com a economia parada, as transportadoras não investem na ampliação de suas frotas.

Outro dado preocupante é o consumo das famílias, que caiu 2,1%, e está em queda pelo segundo trimestre seguido. “Esse foi um agregado que puxou o crescimento da economia do País em anos anteriores”, assinala o professor de Economia Sandro Maskio, da Universidade Metodista de São Paulo. “Atualmente, o crescimento da taxa de juros, inflação em alta e a perda de empregos contribuem para conter gastos dos consumidores e ajudam a colocar o País em recessão”, assinala Balistiero.

PERSPECTIVAS - A expectativa dos economistas ouvidos pelo Diário é de que o ano fechará com retração econômica – que pode chegar a 2% – e, na melhor das hipóteses, haverá estagnação em 2016, ou seja, não haverá crescimento. “O ano que vem já está comprometido, pelo que já mostram as estatísticas, e todas as projeções são de que a queda do PIB será menor do que a de 2015”, diz Balistiero, que prevê recuo de 0,15%. “Com as medidas restritivas (ao crescimento, adotadas pelo governo), a inflação pode refrear para 6% a 7%, mas a economia não deve crescer”, afirma Tinoco.
 

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