Setecidades

Lei não impacta na produção de resíduos entre as sete cidades


A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi instituída em 2010 e determina diretrizes relacionadas à gestão integrada e ao gerenciamento sustentável de resíduos sólidos, visando reduzir o descarte. Mesmo com a lei, o perfil de consumo da região não mudou nos últimos cinco anos – entre 2013 e 2018, a média de produção de lixo se manteve inalterada, em um quilo por dia por habitante.

Segundo Carlos Henrique de Oliveira, professor da Universidade Metodista e consultor na área de saneamento e resíduos sólidos, a cultura da população precisa mudar. “As pessoas têm hábitos baseados no descartável, com produtos que vêm com excesso de embalagem e de ciclo de vida curto”, aponta. “Diariamente, a população é bombardeada com informações que levam ao consumo, mas faltam referências sobre consumo consciente”, completa.

A legislação federal afirma que todos – desde pessoa física até os setores público e privado – são responsáveis pela gestão dos resíduos. Deste modo, além da coleta seletiva em todos os ambientes, ações como a logística reversa são necessárias. “Quando uma loja incentiva o cliente a levar embalagens vazias da marca em troca de uma recompensa, como desconto, está promovendo boas práticas, recuperando parte do resíduo gerado e incorpora o conceito, fazendo este consumidor questionar o comportamento de outros ramos de atividade”, explica o docente da Metodista.

Em relação à reciclagem na região, o percentual de materiais recolhidos com este fim em 2018 não ultrapassa 4,5% do total de resíduos gerados, como é o caso de Santo André. Das sete cidades, apenas Rio Grande da Serra não realiza coleta seletiva. “Faltam educação ambiental e informações, por isso a baixa adesão da população ao descarte correto dos resíduos”, afirma o especialista.

No entanto, Guilherme Oliveira, embaixador do Instituto Lixo Zero Brasil em Santo André, defende que, antes de falar sobre coleta seletiva, o primeiro passo é conscientizar a população de maneira global. “É necessário repensar o consumo e questionar a real necessidade de determinado produto; em seguida vem o reúso, como no caso do vidro de palmito, que pode ser usado para armezenar outros alimentos, e, por fim, a reciclagem.”

CATADORES
Mesmo com o baixo percentual oficial de reciclagem, o docente da Metodista observa que os índices são bons – 97% das latas de alumínio e pelo menos 50% das garrafas pet e papel são reciclados no País. Isso porque entre 80% e 90% dos catadores, responsáveis pela maior parte da coleta seletiva, vivem na informalidade, sem ligação com cooperativas.

Inclusive, os especialistas assinalam que o investimento no setor fomentaria a economia a partir da criação de postos de trabalho e geração de renda. “Nas grandes cidades, é possível até criar empresas de tecnologia verde, ou seja, que produzam papel reciclável”, exemplifica o embaixador do Instituto Lixo Zero Brasil.

No Grande ABC, as prefeituras mantêm parceria com oito cooperativas, sendo duas em Santo André, duas em São Bernardo, uma em São Caetano, duas em Diadema e uma em Ribeirão Pires. São pelo menos 318 cooperados, ao todo, como Roseane Xavier, 53 anos, que está há nove meses na são-bernardense Reluz.

Ela afirma que os catadores são desvalorizados e sofrem preconceito por serem considerados sujos pela sociedade. “Ninguém dá muita atenção, mas nós cuidamos do lixo para a sociedade e para ajudar o planeta”, conta. Além disso, a categoria enfrenta o obstáculo da falta de consciência no momento do descarte. “Tem muita coisa hospitalar, como agulhas, e isso é um perigo para nossa saúde”, alerta.

Antes de atuar na cooperativa, Roseane trabalhava como doméstica e encontrou na Reluz oportunidade de renda enquanto busca emprego em outra área. “A renda não é lá essas coisas e varia muito por causa do preço e volume dos materiais. Tem meses que tiro R$ 300, mas já cheguei a receber R$ 1.000”, compartilha.

Região tem ações da semana ‘lixo zero’

Realizada até o dia 27, a Semana Lixo Zero é promovida pelo Instituto Lixo Zero em todo mundo. A partir do tema Um Por Todos E Todos Por Zero, o objetivo é sensibilizar a população sobre resíduos, sejam recicláveis ou orgânicos, afirma Guilherme Oliveira, embaixador da organização em Santo André.

“Atualmente, a grande dificuldade das pessoas é separar os resíduos em casa porque, uma vez que os orgânicos são misturados com os recicláveis, aí vira, de fato, lixo”, assinala. “Não existem mais áreas para aterro, então precisamos mudar para garantir o futuro não apenas do País, mas de todo mundo”, completa.

Em Santo André, a agenda inclui palestras, oficinas – como de compostagem, sabão e brinquedos –, visita técnica ao aterro municipal e cinema temático. As atividades são promovidas em unidades de ensino e espaços públicos, como parques. Mais informações no endereço www.semanalixozero.com.br. 

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