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Jovem morre à espera de cardiologista

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Deborah Moreira e Henrique Munhos

17/05/2011 | 07:01


Tristeza e indignação marcaram o velório e enterro do auxiliar administrativo Lucas Barbosa Lima de Souza, 23 anos. O jovem era conveniado da Intermédica, estava internado no Hospital São Bernardo desde o dia 8, e morreu domingo à noite, de infarto.

Segundo seus pais, ele ficou sem atendimento cardiológico no sábado e, no domingo, especialista chegou instantes antes dele morrer. O hospital responsabilizou o convênio, que afirmou que o paciente estava sendo medicado e avaliado diariamente por pneumologista, clínico geral e cardiologista.

"Só descobrimos que se tratava de um cardiologista depois que tentaram reanimá-lo. Ele veio se apresentar e dizer que não tinha mais jeito. Mas não me lembro o nome dele", relatou a manicure Antonia Regina Barbosa de Sousa, 43, mãe de Lucas.

O rapaz teria sofrido dois desmaios no domingo. O primeiro por volta das 17h, quando o pai, o confeiteiro Firmino Barbosa de Sousa Neto, 42, foi buscar o médico plantonista, que foi até o quarto. "Pedimos para levá-lo à UTI, mas ele viu meu filho e disse que estava com batimentos normais. Disse que a gente estava deixando ele nervoso. Então deu um calmante e soro na veia", relatou o pai.

O segundo desmaio ocorreu minutos antes de ele morrer, às 20h50, horário registrado no atestado de óbito, segundo declarações da mãe. Devido às circunstâncias, Regina não soube precisar quanto tempo teria se passado entre um desmaio e outro. "No segundo desmaio ele se contorceu todo em meus braços, cerrou os dentes e seus olhos já não se mexiam", lembrou Regina.

O casal, que tem mais uma filha de 16 anos e mora em Santo André, contou que o filho recebeu diagnóstico de síndrome de Mafan (saiba mais abaixo) cerca de 15 dias depois de passar mal pela primeira vez, em 9 de março. Antes disso, levava uma vida saudável, praticava esportes e trabalhava. "Ele teve sopro no coração, mas tratamos até os 6 anos e os médicos disseram que estava curado", disse o pai.

A administração do hospital disse que a Intermédica é responsável pelos pacientes do convênio dentro da unidade hospitalar. Já o convênio lamentou o fato e disse ter sido realizado exame na sexta-feira, que constatou "dilatação na aorta, dilatação de ventrículo esquerdo, hipocinesia difusa de ventrículo esquerdo e refluxo de valva aórtica, motivo pelo qual seria submetido a intervenção cirúrgica, troca de válvula aórtica". Mas não mencionou a data da cirurgia.

O convênio disse ainda que o paciente foi internado com diagnóstico de pneumonia, queixa de falta de ar e tosse com secreção purulenta.

"Ele já tinha sido internado outras duas vezes e também disseram que era pneumonia. Quando mostramos os exames, viram que era problema no coração", explicou Regina.

Lucas recebeu diagnóstico há dois meses

Foi na Quarta-Feira de Cinzas que Lucas passou mal pela primeira vez, com fortes dores no peito. Após consultar dois cardiologistas, descobriu que estava com síndrome de Marfan. Como não apresentava características físicas típicas, o diagnóstico pode ter sido prejudicado.

Normalmente, quem tem a síndrome é alto, os braços são compridos e as articulações são frouxas. "Ele não apresentava nenhuma dessas características", lembrou a mãe, Antonia Regina de Sousa.

Segundo o médico Walter José Gomes, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, isso ocorre por causa de uma alteração qualitativa e quantitativa do colágeno no tecido humano, principalmente nos tecidos das artérias,

"No caso mais grave pode ocasionar aneurismas, levando ao rompimento da aorta (mais importante do sistema circulatório). Então, a indicação de cirurgia é imediata", explicou o médico.

A síndrome também pode alterar a válvula aórtica (do coração). Para esse caso, é possível esperar meses e até anos para realizar a cirurgia.Há casos em que o paciente pode ter alteração na válvula e na aorta, que pode ser o caso de Lucas.

No atestado de óbito consta "ruptura de aneurisma de aorta", e a mãe de Lucas contou que o médico chegou a dizer que ele tinha problema na válvula.

 



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Jovem morre à espera de cardiologista

Deborah Moreira e Henrique Munhos

17/05/2011 | 07:01


Tristeza e indignação marcaram o velório e enterro do auxiliar administrativo Lucas Barbosa Lima de Souza, 23 anos. O jovem era conveniado da Intermédica, estava internado no Hospital São Bernardo desde o dia 8, e morreu domingo à noite, de infarto.

Segundo seus pais, ele ficou sem atendimento cardiológico no sábado e, no domingo, especialista chegou instantes antes dele morrer. O hospital responsabilizou o convênio, que afirmou que o paciente estava sendo medicado e avaliado diariamente por pneumologista, clínico geral e cardiologista.

"Só descobrimos que se tratava de um cardiologista depois que tentaram reanimá-lo. Ele veio se apresentar e dizer que não tinha mais jeito. Mas não me lembro o nome dele", relatou a manicure Antonia Regina Barbosa de Sousa, 43, mãe de Lucas.

O rapaz teria sofrido dois desmaios no domingo. O primeiro por volta das 17h, quando o pai, o confeiteiro Firmino Barbosa de Sousa Neto, 42, foi buscar o médico plantonista, que foi até o quarto. "Pedimos para levá-lo à UTI, mas ele viu meu filho e disse que estava com batimentos normais. Disse que a gente estava deixando ele nervoso. Então deu um calmante e soro na veia", relatou o pai.

O segundo desmaio ocorreu minutos antes de ele morrer, às 20h50, horário registrado no atestado de óbito, segundo declarações da mãe. Devido às circunstâncias, Regina não soube precisar quanto tempo teria se passado entre um desmaio e outro. "No segundo desmaio ele se contorceu todo em meus braços, cerrou os dentes e seus olhos já não se mexiam", lembrou Regina.

O casal, que tem mais uma filha de 16 anos e mora em Santo André, contou que o filho recebeu diagnóstico de síndrome de Mafan (saiba mais abaixo) cerca de 15 dias depois de passar mal pela primeira vez, em 9 de março. Antes disso, levava uma vida saudável, praticava esportes e trabalhava. "Ele teve sopro no coração, mas tratamos até os 6 anos e os médicos disseram que estava curado", disse o pai.

A administração do hospital disse que a Intermédica é responsável pelos pacientes do convênio dentro da unidade hospitalar. Já o convênio lamentou o fato e disse ter sido realizado exame na sexta-feira, que constatou "dilatação na aorta, dilatação de ventrículo esquerdo, hipocinesia difusa de ventrículo esquerdo e refluxo de valva aórtica, motivo pelo qual seria submetido a intervenção cirúrgica, troca de válvula aórtica". Mas não mencionou a data da cirurgia.

O convênio disse ainda que o paciente foi internado com diagnóstico de pneumonia, queixa de falta de ar e tosse com secreção purulenta.

"Ele já tinha sido internado outras duas vezes e também disseram que era pneumonia. Quando mostramos os exames, viram que era problema no coração", explicou Regina.

Lucas recebeu diagnóstico há dois meses

Foi na Quarta-Feira de Cinzas que Lucas passou mal pela primeira vez, com fortes dores no peito. Após consultar dois cardiologistas, descobriu que estava com síndrome de Marfan. Como não apresentava características físicas típicas, o diagnóstico pode ter sido prejudicado.

Normalmente, quem tem a síndrome é alto, os braços são compridos e as articulações são frouxas. "Ele não apresentava nenhuma dessas características", lembrou a mãe, Antonia Regina de Sousa.

Segundo o médico Walter José Gomes, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, isso ocorre por causa de uma alteração qualitativa e quantitativa do colágeno no tecido humano, principalmente nos tecidos das artérias,

"No caso mais grave pode ocasionar aneurismas, levando ao rompimento da aorta (mais importante do sistema circulatório). Então, a indicação de cirurgia é imediata", explicou o médico.

A síndrome também pode alterar a válvula aórtica (do coração). Para esse caso, é possível esperar meses e até anos para realizar a cirurgia.Há casos em que o paciente pode ter alteração na válvula e na aorta, que pode ser o caso de Lucas.

No atestado de óbito consta "ruptura de aneurisma de aorta", e a mãe de Lucas contou que o médico chegou a dizer que ele tinha problema na válvula.

 

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