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Graças às moedinhas,
alimenta-se um batalhão

Cinco restaurantes populares da região - em Diadema,
Mauá e Santo André - servem, juntos, 5.700 pratos por dia


Angela Martins
Do Diário do Grande ABC

04/12/2011 | 07:00


Possuir poucos recursos financeiros não é desculpa para passar fome. Com apenas algumas moedinhas é possível fazer uma refeição saudável em três cidades da região. Os cinco restaurantes populares do Grande ABC - dois em Diadema, dois em Mauá e um em Santo André - servem, juntos, 5.700 pratos por dia. A comida, balanceada e rica em proteínas e vitaminas, vem em porção generosa e a qualidade não fica atrás da maioria dos restaurantes por quilo.

Os cardápios não variam muito: arroz, feijão, carne, salada, sobremesa e suco - exceto no caso dos restaurantes de Diadema, que seguem regiamente a determinação dos nutricionistas de que não é recomendável a ingestão de líquidos durante as refeições.

De todas as unidades, a comida mais saborosa fica no restaurante do bairro Campanário, em Diadema. Temperada na medida certa, a refeição é servida com esmero pelos funcionários, todos de luvas, touca e máscara.

BOM PRATO
Única unidade do Bom Prato na região, inaugurado em 2002 em Santo André, o restaurante gerido pelo governo do Estado serve, em média, 1.500 almoços todos os dias, vendidos a R$ 1. Às quartas-feiras, a cota máxima de 1.600 refeições é atingida por conta de um detalhe no cardápio: é dia de feijoada. O atendimento é das 10h às 14h30.

"Como 80% das pessoas que frequentam o restaurante são idosas, temos a preocupação em não carregar no sal na comida, já que muitas sofrem de hipertensão. O tempero também é mais leve", explica a nutricionista Luciana Alves de Oliveira. A unidade passou a servir, em outubro, café da manhã, das 7h30 às 8h30, a R$ 0,50.

MUNICIPAIS
Inaugurado em 2002, o restaurante popular localizado na região central foi o primeiro a ser implementado pela Prefeitura de Mauá, seguido da unidade na Vila São João, construída em 2006. Ambos oferecem o mesmo serviço, pelo mesmo valor. Cada refeição custa R$ 1 ao consumidor. A Prefeitura subsidia o restante, pois o custo é de R$ 4,51 (Centro) e R$ 2,86 (Vila São João).

Juntas, as duas unidades servem média diária de 2.000 pratos. O funcionamento é de segunda-feira a sábado, das 11h às 14h.

Em Diadema, a Prefeitura realiza, desde 2005, o Programa Restaurante Popular em parceria com o governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. A primeira unidade a entrar em funcionamento foi a do bairro Serraria, que oferece 1.200 refeições diariamente. A segunda foi a do bairro Campanário, que atende desde 2010 e distribui 1.000 pratos. As unidades funcionam de segunda a sexta-feira, no horário das 11h às 14h. O valor da refeição é de R$ 1,50 e o custo total fica em R$ 3,50.


Idoso vira freguês para ter companhia

Boa parte da clientela dos restaurantes que oferecem refeições a preços populares na região é formada por idosos. Em Santo André, chegam a representar 80% do público. Mas engana-se quem pensa que eles querem apenas comer bem e pagar pouco. Muitos são assíduos porque lá encontraram companhia para almoçar e conversar.

O aposentado José Amâncio, 77 anos, vive sozinho no bairro Cerqueira Leite, em Mauá. Todos os dias ele vai até o restaurante popular do Centro para almoçar e, de quebra, encontrar os amigos. "Em casa tenho de cozinhar só para mim. Além de evitar o desperdício de comida, vindo ao restaurante eu não preciso lavar a louça", explica.

Frequentadora assídua do Bom Prato de Santo André, a aposentada Anésia de Oliveira, 78, cultivou no local diversas amizades. "Venho aqui pelo menos três vezes por semana e adoro a comida. Como moro sozinha, não gosto de cozinhar apenas para uma pessoa. E o preço que pagamos aqui é quase de graça", salienta.

O perfil de público dos restaurantes, no entanto, é bem variado. São trabalhadores, donas de casa, crianças, idosos. Poucos, na verdade, são moradores de rua. "Vemos muitas pessoas que poderiam almoçar em outros locais e preferem comer aqui por causa do preço baixo", comenta a nutricionista do Bom Prato, Luciana Alves de Oliveira.

Esse é o caso do pedreiro Osmar Cavalcante Campos, 56, que almoça diariamente nos restaurantes populares de Mauá. "Fui até um local que vendia marmitex e cobraram R$ 13. Achei um absurdo, com esse valor dá para comer 13 vezes aqui", ressalta.

Para a aposentada de Diadema Maria Amália de Jesus, 62, os restaurantes populares são um exemplo de cidadania. "Sei o que é não ter comida na mesa. Por isso temos que valorizar cada prato que comemos e é maravilhoso ter uma refeição por um valor tão baixo."

Já a dona de casa Maria Paes Peber acredita que o cardápio do Bom Prato não é tão variado. "Venho apenas às quartas-feiras, que é o dia da feijoada."

CARDÁPIO
Os cardápios do dia ficam fixados logo na entrada dos restaurantes. Em Diadema, o prato que será servido no dia seguinte também é divulgado, assim como o valor calórico de cada refeição. Em cada uma das mesas fica exposto um display com folhetos que trazem informações sobre doenças, desperdício de alimentos e datas comemorativas.

Praticamente igual na composição em todos os restaurantes populares, o cardápio apresenta diferenças de sabor bastante marcantes. Em Mauá, o tempero é mais forte em comparação à unidade do Bom Prato em Santo André. Já a comida nos restaurantes de Diadema é de longe a mais saborosa.

Região planeja construir unidades em 2012

Com inauguração programada para o fim de 2012, o restaurante popular do Jardim Zaíra, em Mauá, terá a maior capacidade de atendimento da região: até 2.000 refeições por dia. O governo federal já liberou R$ 1,6 milhão para construção e compra de equipamentos. "Agora estamos na fase da licitação e ainda não há prazo para o início das obras", diz o secretário de Segurança Alimentar de Mauá, João Carlos Alves.

Mesmo com a abertura da unidade do Zaíra, a demanda ainda não será suprimida na cidade, reconhece o secretário. "Os restaurantes que existem hoje estão em áreas muito carentes e o do Zaíra ficará em local extremamente populoso. Sabemos que não atenderemos todo mundo, mas nosso objetivo é ampliar as políticas públicas voltadas para a alimentação saudável", ressalta Alves.

A Prefeitura de Diadema também tem como meta a construção de mais dois restaurantes, ambos em parceira com o governo federal.

A Prefeitura de Santo André quer instalar restaurante popular na cidade nos mesmos moldes do Bom Prato no próximo ano. Com a recusa dos governos estadual e federal, a ideia é que o município banque sozinho a estrutura e o serviço.

São Bernardo está concluindo a instalação do Banco de Alimentos - prometida para outubro, mas que será entregue apenas na primeira quinzena de dezembro - e as prestações de contas ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome para solicitar o financiamento do restaurante popular. Há dificuldades em encontrar área pública nos padrões exigidos pelo MDS para efetuar a construção.



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Graças às moedinhas,
alimenta-se um batalhão

Cinco restaurantes populares da região - em Diadema,
Mauá e Santo André - servem, juntos, 5.700 pratos por dia

Angela Martins
Do Diário do Grande ABC

04/12/2011 | 07:00


Possuir poucos recursos financeiros não é desculpa para passar fome. Com apenas algumas moedinhas é possível fazer uma refeição saudável em três cidades da região. Os cinco restaurantes populares do Grande ABC - dois em Diadema, dois em Mauá e um em Santo André - servem, juntos, 5.700 pratos por dia. A comida, balanceada e rica em proteínas e vitaminas, vem em porção generosa e a qualidade não fica atrás da maioria dos restaurantes por quilo.

Os cardápios não variam muito: arroz, feijão, carne, salada, sobremesa e suco - exceto no caso dos restaurantes de Diadema, que seguem regiamente a determinação dos nutricionistas de que não é recomendável a ingestão de líquidos durante as refeições.

De todas as unidades, a comida mais saborosa fica no restaurante do bairro Campanário, em Diadema. Temperada na medida certa, a refeição é servida com esmero pelos funcionários, todos de luvas, touca e máscara.

BOM PRATO
Única unidade do Bom Prato na região, inaugurado em 2002 em Santo André, o restaurante gerido pelo governo do Estado serve, em média, 1.500 almoços todos os dias, vendidos a R$ 1. Às quartas-feiras, a cota máxima de 1.600 refeições é atingida por conta de um detalhe no cardápio: é dia de feijoada. O atendimento é das 10h às 14h30.

"Como 80% das pessoas que frequentam o restaurante são idosas, temos a preocupação em não carregar no sal na comida, já que muitas sofrem de hipertensão. O tempero também é mais leve", explica a nutricionista Luciana Alves de Oliveira. A unidade passou a servir, em outubro, café da manhã, das 7h30 às 8h30, a R$ 0,50.

MUNICIPAIS
Inaugurado em 2002, o restaurante popular localizado na região central foi o primeiro a ser implementado pela Prefeitura de Mauá, seguido da unidade na Vila São João, construída em 2006. Ambos oferecem o mesmo serviço, pelo mesmo valor. Cada refeição custa R$ 1 ao consumidor. A Prefeitura subsidia o restante, pois o custo é de R$ 4,51 (Centro) e R$ 2,86 (Vila São João).

Juntas, as duas unidades servem média diária de 2.000 pratos. O funcionamento é de segunda-feira a sábado, das 11h às 14h.

Em Diadema, a Prefeitura realiza, desde 2005, o Programa Restaurante Popular em parceria com o governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. A primeira unidade a entrar em funcionamento foi a do bairro Serraria, que oferece 1.200 refeições diariamente. A segunda foi a do bairro Campanário, que atende desde 2010 e distribui 1.000 pratos. As unidades funcionam de segunda a sexta-feira, no horário das 11h às 14h. O valor da refeição é de R$ 1,50 e o custo total fica em R$ 3,50.


Idoso vira freguês para ter companhia

Boa parte da clientela dos restaurantes que oferecem refeições a preços populares na região é formada por idosos. Em Santo André, chegam a representar 80% do público. Mas engana-se quem pensa que eles querem apenas comer bem e pagar pouco. Muitos são assíduos porque lá encontraram companhia para almoçar e conversar.

O aposentado José Amâncio, 77 anos, vive sozinho no bairro Cerqueira Leite, em Mauá. Todos os dias ele vai até o restaurante popular do Centro para almoçar e, de quebra, encontrar os amigos. "Em casa tenho de cozinhar só para mim. Além de evitar o desperdício de comida, vindo ao restaurante eu não preciso lavar a louça", explica.

Frequentadora assídua do Bom Prato de Santo André, a aposentada Anésia de Oliveira, 78, cultivou no local diversas amizades. "Venho aqui pelo menos três vezes por semana e adoro a comida. Como moro sozinha, não gosto de cozinhar apenas para uma pessoa. E o preço que pagamos aqui é quase de graça", salienta.

O perfil de público dos restaurantes, no entanto, é bem variado. São trabalhadores, donas de casa, crianças, idosos. Poucos, na verdade, são moradores de rua. "Vemos muitas pessoas que poderiam almoçar em outros locais e preferem comer aqui por causa do preço baixo", comenta a nutricionista do Bom Prato, Luciana Alves de Oliveira.

Esse é o caso do pedreiro Osmar Cavalcante Campos, 56, que almoça diariamente nos restaurantes populares de Mauá. "Fui até um local que vendia marmitex e cobraram R$ 13. Achei um absurdo, com esse valor dá para comer 13 vezes aqui", ressalta.

Para a aposentada de Diadema Maria Amália de Jesus, 62, os restaurantes populares são um exemplo de cidadania. "Sei o que é não ter comida na mesa. Por isso temos que valorizar cada prato que comemos e é maravilhoso ter uma refeição por um valor tão baixo."

Já a dona de casa Maria Paes Peber acredita que o cardápio do Bom Prato não é tão variado. "Venho apenas às quartas-feiras, que é o dia da feijoada."

CARDÁPIO
Os cardápios do dia ficam fixados logo na entrada dos restaurantes. Em Diadema, o prato que será servido no dia seguinte também é divulgado, assim como o valor calórico de cada refeição. Em cada uma das mesas fica exposto um display com folhetos que trazem informações sobre doenças, desperdício de alimentos e datas comemorativas.

Praticamente igual na composição em todos os restaurantes populares, o cardápio apresenta diferenças de sabor bastante marcantes. Em Mauá, o tempero é mais forte em comparação à unidade do Bom Prato em Santo André. Já a comida nos restaurantes de Diadema é de longe a mais saborosa.

Região planeja construir unidades em 2012

Com inauguração programada para o fim de 2012, o restaurante popular do Jardim Zaíra, em Mauá, terá a maior capacidade de atendimento da região: até 2.000 refeições por dia. O governo federal já liberou R$ 1,6 milhão para construção e compra de equipamentos. "Agora estamos na fase da licitação e ainda não há prazo para o início das obras", diz o secretário de Segurança Alimentar de Mauá, João Carlos Alves.

Mesmo com a abertura da unidade do Zaíra, a demanda ainda não será suprimida na cidade, reconhece o secretário. "Os restaurantes que existem hoje estão em áreas muito carentes e o do Zaíra ficará em local extremamente populoso. Sabemos que não atenderemos todo mundo, mas nosso objetivo é ampliar as políticas públicas voltadas para a alimentação saudável", ressalta Alves.

A Prefeitura de Diadema também tem como meta a construção de mais dois restaurantes, ambos em parceira com o governo federal.

A Prefeitura de Santo André quer instalar restaurante popular na cidade nos mesmos moldes do Bom Prato no próximo ano. Com a recusa dos governos estadual e federal, a ideia é que o município banque sozinho a estrutura e o serviço.

São Bernardo está concluindo a instalação do Banco de Alimentos - prometida para outubro, mas que será entregue apenas na primeira quinzena de dezembro - e as prestações de contas ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome para solicitar o financiamento do restaurante popular. Há dificuldades em encontrar área pública nos padrões exigidos pelo MDS para efetuar a construção.

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