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Passagem inesperada por Bollywood

Marina Brandão/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Produzido em Santo André, curta
‘O Feitiço’ se destaca em festival indiano


Gustavo Cipriano

06/07/2014 | 07:00


Produzir um filme é sempre algo difícil. Roteiro, filmagem, edição. Imagine fazer tudo isso quase sem recurso nenhum. Pois a professora Larissa Barreto, de Santo André, e seus amigos, conseguiram. O resultado foi o inusitado reconhecimento internacional.

No dia 14 de dezembro, o grupo recebeu certificado de excelência de Bollywood, maior indústria cinematográfica do mundo em quantidade de produções, com média de mais de mil obras desenvolvidas por ano na Índia e deixando para trás o mercado de Hollywood – a qual o nome faz referência. Com pouco investimento financeiro e muita criatividade, O Feitiço foi selecionado entre os melhores do ano pelo Festival de Filme Infantil Internacional da Índia e já foi exibido em diversas mostras em Mumbai, mais importante cidade do país.

“Sem querer, acabamos fazendo uma produção nos moldes que Bollywood gosta: baixo recurso e muitas canções. Ficamos surpresos e felizes com as indicações”, declara ela.

Larissa é formada em rádio e TV e trabalhou durante seis meses como estagiária de televisão no canal ABC dos Estados Unidos. Há nove anos, dá aulas de audiovisual e rádio em universidade de São Paulo e já lecionou também na Fefisa (Faculdades Integradas de Santo André) para pessoas da terceira idade.

Após toda experiência profissional, ela resolveu produzir seu próprio filme com o objetivo de testar conhecimentos de audiovisual e sociologia.

CASEIRO E CABEÇA

O Feitiço tem 17 minutos – um curta-metragem tem no máximo 30 minutos de duração – e pode ser visto na internet no site oficial do projeto (www.ofeitico.com.br). A produção de 2013 é assinada pela andreense em parceria com seus ex-alunos e conhecidos.

O projeto teve custo total de aproximadamente R$ 1.500. A maior parte do dinheiro, cerca de R$ 1.000, foi gasto com estúdio de música. “Para o resto, cada um deu dois reais e compramos papel, plástico etc, para compor o cenário. De fantasias, foram usadas aquelas que já tínhamos mesmo”, relata. Queremos continuar fazendo esses projetos”, declara ela. “Só esperamos ter mais recursos para os próximos com a repercussão deste. Fazer um filme sem dinheiro até que dá, mas dois não”, brinca.

Com as cenas intercaladas por músicas cantadas pelos próprios atores, O Feitiço narra a história de Lilith, bruxa interpretada por Larissa que cria a ‘poção da discórdia’, capaz de separar casais. Ao ver o que a personagem má pretende fazer, Andy, o ‘Anjo da Esperança’, vivido por Nayara Camarozano, aparece para tentar impedi-lá.

O que as duas não esperavam é que os dois camponeses para os quais o feitiço estava sendo feito se separassem antes mesmo da bruxa fazer sua poção. “Eu ando frustrada. Agora, quando vou acabar com um casal, eles terminam antes”, esperneia Lilith.

É exatamente nesse contexto que entra uma referência sociológica na produção. O pensador polonês Zygmunt Bauman e sua teoria da modernidade líquida são tomados como base para o roteiro.

De acordo ele, no mundo moderno, tudo é descartável e se troca. Nada dura. Troca-se o celular, a mobília e até as pessoas. O ser humano entra e sai de relacionamentos muito rapidamente. “Quando a bruxa nem precisa fazer a magia para separar o casal, é quando fazemos alusão ao sociólogo e mostramos como as relações estão pouco duradouras hoje em dia”, explica Larissa.



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Passagem inesperada por Bollywood

Produzido em Santo André, curta
‘O Feitiço’ se destaca em festival indiano

Gustavo Cipriano

06/07/2014 | 07:00


Produzir um filme é sempre algo difícil. Roteiro, filmagem, edição. Imagine fazer tudo isso quase sem recurso nenhum. Pois a professora Larissa Barreto, de Santo André, e seus amigos, conseguiram. O resultado foi o inusitado reconhecimento internacional.

No dia 14 de dezembro, o grupo recebeu certificado de excelência de Bollywood, maior indústria cinematográfica do mundo em quantidade de produções, com média de mais de mil obras desenvolvidas por ano na Índia e deixando para trás o mercado de Hollywood – a qual o nome faz referência. Com pouco investimento financeiro e muita criatividade, O Feitiço foi selecionado entre os melhores do ano pelo Festival de Filme Infantil Internacional da Índia e já foi exibido em diversas mostras em Mumbai, mais importante cidade do país.

“Sem querer, acabamos fazendo uma produção nos moldes que Bollywood gosta: baixo recurso e muitas canções. Ficamos surpresos e felizes com as indicações”, declara ela.

Larissa é formada em rádio e TV e trabalhou durante seis meses como estagiária de televisão no canal ABC dos Estados Unidos. Há nove anos, dá aulas de audiovisual e rádio em universidade de São Paulo e já lecionou também na Fefisa (Faculdades Integradas de Santo André) para pessoas da terceira idade.

Após toda experiência profissional, ela resolveu produzir seu próprio filme com o objetivo de testar conhecimentos de audiovisual e sociologia.

CASEIRO E CABEÇA

O Feitiço tem 17 minutos – um curta-metragem tem no máximo 30 minutos de duração – e pode ser visto na internet no site oficial do projeto (www.ofeitico.com.br). A produção de 2013 é assinada pela andreense em parceria com seus ex-alunos e conhecidos.

O projeto teve custo total de aproximadamente R$ 1.500. A maior parte do dinheiro, cerca de R$ 1.000, foi gasto com estúdio de música. “Para o resto, cada um deu dois reais e compramos papel, plástico etc, para compor o cenário. De fantasias, foram usadas aquelas que já tínhamos mesmo”, relata. Queremos continuar fazendo esses projetos”, declara ela. “Só esperamos ter mais recursos para os próximos com a repercussão deste. Fazer um filme sem dinheiro até que dá, mas dois não”, brinca.

Com as cenas intercaladas por músicas cantadas pelos próprios atores, O Feitiço narra a história de Lilith, bruxa interpretada por Larissa que cria a ‘poção da discórdia’, capaz de separar casais. Ao ver o que a personagem má pretende fazer, Andy, o ‘Anjo da Esperança’, vivido por Nayara Camarozano, aparece para tentar impedi-lá.

O que as duas não esperavam é que os dois camponeses para os quais o feitiço estava sendo feito se separassem antes mesmo da bruxa fazer sua poção. “Eu ando frustrada. Agora, quando vou acabar com um casal, eles terminam antes”, esperneia Lilith.

É exatamente nesse contexto que entra uma referência sociológica na produção. O pensador polonês Zygmunt Bauman e sua teoria da modernidade líquida são tomados como base para o roteiro.

De acordo ele, no mundo moderno, tudo é descartável e se troca. Nada dura. Troca-se o celular, a mobília e até as pessoas. O ser humano entra e sai de relacionamentos muito rapidamente. “Quando a bruxa nem precisa fazer a magia para separar o casal, é quando fazemos alusão ao sociólogo e mostramos como as relações estão pouco duradouras hoje em dia”, explica Larissa.

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