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Brasileiros começam a ganhar destaque com
produções de webséries para todos os gostos


Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

11/08/2013 | 07:00


A habilidade brasileira para contar histórias não para de crescer no universo da internet. Se é complicado para que projetos de seriados ganhem forma na televisão, a solução parece ser viabilizar webséries independentes. O fácil acesso à rede e o aumento de visibilidade têm criado um interessante nicho com opções de todos os gêneros.

Pioneiro no setor, o portal mineiro Webseriados (www.webseriados.com) tenta produzir, em média, uma atração por ano. Um dos destaques de seu acervo é 'Heróis' (2011), cujo roteiro viaja pela história de combatentes brasileiros que morreram na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. 'Apocalipze' (2012), sobre um futuro no qual o Brasil enfrenta série de ataques bioterroristas, já teve sessão especial no canal BBC HD, na TV fechada. Seu mais recente título é 'Nascido Morto', na qual um bebê que já havia morrido volta à vida com a ajuda de um relâmpago e dá origem a um personagem sem qualquer compaixão por outras pessoas.

"Já passamos por muitos erros e acertos. Estamos pegando essa experiência para mudar a forma de produção e criação. Todos os manuais de roteiro ainda não levam em consideração essa nova mídia", diz Guto Aeraphe, diretor dos programas, ressaltando a possibilidade de se desenvolver contos dramáticos, históricos ou fantasiosos. "Vamos pelas beiradas pois percebemos que há uma movimentação do público para além do humor."

Uma importante sacada das webséries é atrair a atenção pelo o que não é convencional. Segundo Aeraphe, a opção pode ser fugir de estilos convencionais vistos no cinema nacional, como os chamados ‘filmes favela' e comédias estereotipadas. Outra característica é não poluir a história com um elenco grande. "A ideia é diminuir o número de personagens e se concentrar nos acontecimentos. Não há tempo nem dinheiro para enrolação", afirma.

O dinamismo e um roteiro descolado são os chamarizes de 'A Vida \o/ de Lucas Batista', que acaba de finalizar sua primeira temporada (www.lucasbatista.com.br). Repleto de referências ao universo pop, que vão desde as tiradas da HQ canadense 'Scott Pilgrim Contra o Mundo' e passa por momentos de mockumentary como em 'The Office', que parece ter depoimentos reais), o programa revela as desventuras do protagonista do título em meio a um triângulo amoroso. Os oito episódios foram desenvolvidos por meio de crowdfunding (uma ‘vaquinha' organizada on-line).

"Não tínhamos dinheiro e pagamos bem pouco a equipe. Hoje esse é o nosso trabalho, mesmo que não renda nada financeiramente. Queremos nos inserir no mercado. Foi a questão de darmos o primeiro passo por nós mesmos", relata a diretora Catharina Strobel. "A tendência é esse mercado na web aumentar. A internet está comandando uma mudança comportamental e é o futuro. Hoje estamos 24 horas ligados, seja no computador ou celular. Acho que é uma evolução natural", emenda Leonardo Hwan, roteirista e também diretor, alertando que buscam investidores para o segundo ano.

Com views que chegam à casa dos milhares, o retorno é apenas chegar ao público. "A preocupação não são as visualizações. Com o boca a boca, a mensagem vai se espalhar automaticamente. É uma questão cultural", analisa Guto Aeraphe.  

Investimento em alta qualidade
Enquanto no Brasil as webséries ainda parecem tentar encontrar seu espaço, alguns projetos internacionais têm atraído bom público e chamado a atenção da crítica. O site Netflix (www.netflix.com.br), que oferece opções de filmes, seriados, desenhos, shows e novelas em sua grade via streaming, tenta colocar as mídias no mesmo patamar. Os altos investimentos em produções próprias estão refletindo em programas que não deixam a desejar em comparação a atrações televisivas.

O melhor exemplo desse salto está em 'House of Cards', lançada mundialmente em fevereiro e com orçamento de cerca de US$ 100 milhões. Com o ator Kevin Spacey no elenco, a história revela jogos de interesses nos bastidores de Washington. A trama se desenvolve na medida em que o congressista Frank Underwood (Spacey) está prestes a ser indicado como secretário de Estado, mas ele fica sem o cobiçado cargo que lhe foi prometido.

Logo em sua primeira temporada, a série é uma das fortes concorrentes na edição deste ano do Emmy Awards, a mais prestigiada premiação da televisão e que abre pela primeira vez o evento para atrações feitas na internet. 'House of Cards' disputa em nove categorias, incluindo melhor série dramática, ao lado de sucessos como 'Game of Thrones' e 'Mad Men', e melhor ator em série dramática para Spacey.

O Netflix continua a investir nesse tipo de projeto e já disponibilizou em seu acervo um quarto ano exclusivo da comédia 'Arrested Development' (que havia sido cancelada e tem seus novos episódios exibidos exclusivamente na rede, além de também estar no Emmy), 'Hemlock Grove' e 'Lilyhammer'. A mais recente é a elogiada 'Orange is The New Black', cujo roteiro mescla drama com momentos cômicos para contar a história de Piper (Taylor Schilling), denunciada por transportar dinheiro conseguido por venda de drogas e nova moradora de uma prisão de segurança mínima.

Agora, a filial brasileira da companhia on demand começa a investir em obras nacionais. A primeira a entrar no ar é 'A Toca', disponível desde a madrugada de quinta para sexta e com o astro da web Felipe Neto como protagonista.



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