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Mercado de trabalho da região é o pior desde 2007

Valdecir Galor/SMCS Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em 2016, havia 731.238 profissionais com carteira assinada, 53.779 a menos que no ano anterior


Flavia Kurotori
Gabriel Russini

20/10/2017 | 07:19


O mercado de trabalho do Grande ABC registrou o pior desempenho desde 2007. No último dia do ano passado havia nas sete cidades 731.238 profissionais com carteira assinada. Esse patamar fez com que a região retrocedesse quase uma década, quando eram contabilizados 699.903 empregados formais.

Os dados são de levantamento da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), divulgada ontem pelo MTE (Ministério do Trabalho e do Emprego), e considera o número de pessoas que trabalhavam em regime CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) até 31 de dezembro de 2016.

Se comparado a 2015 – quando o estoque de profissionais era de 785.017 pessoas –, a perda foi de 53.779 (6,85%) empregos. Para se ter uma ideia, o volume é equivalente à quantidade de trabalhadores de seis fábricas da Volkswagen, com o quadro atual em São Bernardo.

Na avaliação do professor de Macroeconomia da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) Silvio Paixão, a retração é resultado de uma série de desdobramentos. “Primeiro, o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e, depois, as incertezas com as propostas de reformas trabalhista e previdenciária de Michel Temer (PMDB). Tivemos um vácuo institucional. O País ficou sem comando”, explica o especialista.

A indústria da transformação foi o setor responsável por amargar o maior volume de dispensas. De 213.517 empregados em 2015, o número caiu para 190.736 no ano passado, totalizando 22.781 cortes (-10,66%). Mauro Miaguti, diretor titular do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) São Bernardo afirma que 2016 foi o auge da crise econômica, e o quadro de emprego reflete as dificuldades. “O setor acumula prejuízos há quase cinco anos”, lamenta. Com isso, as empresas que não ampliam faturamento nem têm investimentos dispensam os profissionais.

Na avaliação do economista e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, assim como Miaguti, 2016 foi o pior ano para o emprego desde que a crise começou a se acentuar. “A derrocada do emprego se iniciou no segundo semestre de 2014 e, com os escândalos políticos vindos à tona, a situação acabou se agravando ainda mais.”

Uma vez que a região é dependente das montadoras automotivas, os impactos da economia instável são sentidos antes do que no restante do País, da mesma forma que o alívio também demora mais para chegar. “Elas (as montadoras) vivem bem quando tudo está bem, porém sofrem mais quando tudo vai mal”, observa Paixão, até porque a compra de um carro é adiável em momentos de dificuldade, mas como há toda uma cadeia em torno das fabricantes, o reflexo é intenso. É importante lembrar que a região conta com Ford, Mercedes-Benz, Volkswagen, Scania e Toyota em São Bernardo, além da General Motors, em São Caetano. E, para vaga eliminada em uma fabricante, em torno de três são cortadas em seus fornecedores.

O setor de serviços foi o segundo a apresentar mais demissões, com 17.872 baixas em 2016. O estoque somou 313.340 pessoas no ano passado, ante 331.212 em 2015 (-5,39%). “No caso dos cabeleireiros, as pessoas só vão quando possuem renda disponível. Com a retração do orçamento, por exemplo, cortar o cabelo se tornou uma coisa adiável”, relata o professor da Fipecafi.

Já o comércio foi responsável por dispensar 5.708 trabalhadores – de 146.555 para 140.847 (-3,89%). O estoque da construção civil, por sua vez, passou de 37.734 para 33.663 – diferença de 4.071 (-10,78%) trabalhadores, sendo o setor que, percentualmente, mais demitiu.

Conforme a Rais, raio X mais fidedigno do mercado de trabalho formal, em todo o País foram eliminados 2 milhões de postos de trabalho em 2016, somando 46 milhões, pior resultado em 31 anos. Em 2015, foi acumulado 1,5 milhão de demissões.
 



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Mercado de trabalho da região é o pior desde 2007

Em 2016, havia 731.238 profissionais com carteira assinada, 53.779 a menos que no ano anterior

Flavia Kurotori
Gabriel Russini

20/10/2017 | 07:19


O mercado de trabalho do Grande ABC registrou o pior desempenho desde 2007. No último dia do ano passado havia nas sete cidades 731.238 profissionais com carteira assinada. Esse patamar fez com que a região retrocedesse quase uma década, quando eram contabilizados 699.903 empregados formais.

Os dados são de levantamento da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), divulgada ontem pelo MTE (Ministério do Trabalho e do Emprego), e considera o número de pessoas que trabalhavam em regime CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) até 31 de dezembro de 2016.

Se comparado a 2015 – quando o estoque de profissionais era de 785.017 pessoas –, a perda foi de 53.779 (6,85%) empregos. Para se ter uma ideia, o volume é equivalente à quantidade de trabalhadores de seis fábricas da Volkswagen, com o quadro atual em São Bernardo.

Na avaliação do professor de Macroeconomia da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) Silvio Paixão, a retração é resultado de uma série de desdobramentos. “Primeiro, o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e, depois, as incertezas com as propostas de reformas trabalhista e previdenciária de Michel Temer (PMDB). Tivemos um vácuo institucional. O País ficou sem comando”, explica o especialista.

A indústria da transformação foi o setor responsável por amargar o maior volume de dispensas. De 213.517 empregados em 2015, o número caiu para 190.736 no ano passado, totalizando 22.781 cortes (-10,66%). Mauro Miaguti, diretor titular do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) São Bernardo afirma que 2016 foi o auge da crise econômica, e o quadro de emprego reflete as dificuldades. “O setor acumula prejuízos há quase cinco anos”, lamenta. Com isso, as empresas que não ampliam faturamento nem têm investimentos dispensam os profissionais.

Na avaliação do economista e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, assim como Miaguti, 2016 foi o pior ano para o emprego desde que a crise começou a se acentuar. “A derrocada do emprego se iniciou no segundo semestre de 2014 e, com os escândalos políticos vindos à tona, a situação acabou se agravando ainda mais.”

Uma vez que a região é dependente das montadoras automotivas, os impactos da economia instável são sentidos antes do que no restante do País, da mesma forma que o alívio também demora mais para chegar. “Elas (as montadoras) vivem bem quando tudo está bem, porém sofrem mais quando tudo vai mal”, observa Paixão, até porque a compra de um carro é adiável em momentos de dificuldade, mas como há toda uma cadeia em torno das fabricantes, o reflexo é intenso. É importante lembrar que a região conta com Ford, Mercedes-Benz, Volkswagen, Scania e Toyota em São Bernardo, além da General Motors, em São Caetano. E, para vaga eliminada em uma fabricante, em torno de três são cortadas em seus fornecedores.

O setor de serviços foi o segundo a apresentar mais demissões, com 17.872 baixas em 2016. O estoque somou 313.340 pessoas no ano passado, ante 331.212 em 2015 (-5,39%). “No caso dos cabeleireiros, as pessoas só vão quando possuem renda disponível. Com a retração do orçamento, por exemplo, cortar o cabelo se tornou uma coisa adiável”, relata o professor da Fipecafi.

Já o comércio foi responsável por dispensar 5.708 trabalhadores – de 146.555 para 140.847 (-3,89%). O estoque da construção civil, por sua vez, passou de 37.734 para 33.663 – diferença de 4.071 (-10,78%) trabalhadores, sendo o setor que, percentualmente, mais demitiu.

Conforme a Rais, raio X mais fidedigno do mercado de trabalho formal, em todo o País foram eliminados 2 milhões de postos de trabalho em 2016, somando 46 milhões, pior resultado em 31 anos. Em 2015, foi acumulado 1,5 milhão de demissões.
 

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