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Cemitério municipal de Diadema só tem 20 vagas abertas

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Pandemia exerce pressão e cidades da região buscam autorização para exumação de corpos


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

24/01/2021 | 00:01


A situação dos cemitérios municipais do Grande ABC é crítica e está piorando com o aumento no número de mortes em decorrência da Covid-19. Em Diadema, a Prefeitura informa que restam apenas 20 vagas à disposição e novas sepulturas dependem de ações judiciais para exumação de corpos – concedida após três anos da data do óbito. No total são 3.237 jazigos livres nos cemitérios de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires – Mauá e Rio Grande da Serra não informaram números. 

A situação chega a ser desesperadora no Cemitério Municipal de Diadema, na Vila Conceição, que, segundo a Prefeitura, dispõe de 20 gavetas, dependendo de outras 1.000 que estão sub júdice para retirada dos corpos. Levando em conta dados do Portal da Transparência dos Cartórios, a cidade registrou 2.213 mortes totais em 2020, ou seja, média de seis óbitos diários, o que pode levar a colapso em três dias. Parte da demanda é atendida por equipamento particular, mas a situação também não é confortável. A Prefeitura informa que no Cemitério Jardim Vale da Paz, no Eldorado, são apenas 366 vagas livres.

A pandemia acendeu o alerta para o assunto. A Prefeitura de Diadema informou que fazia cerca de 110 sepultamentos por mês e esse número subiu para 140 desde que o novo coronavírus atingiu a região, em março de 2020.

O vírus elevou em 22,5% o número de óbitos em todo o Grande ABC, quando comparadas as mortes de 2019 e 2020. Em Diadema, foram 1.818 sepultamentos há dois anos e 2.213 no ano passado, ou seja, acréscimo de 21,7%. O maior acréscimo foi em Rio Grande da Serra, que passou de 171 para 239 óbitos – veja os números das sete cidades da região na arte abaixo.

Os 3.237 jazigos livres informados pelas prefeituras de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires são insuficientes para dar conta da demanda atual. De acordo com levantamento feito pelo Diário, em 2020 as cinco cidades contabilizaram 17.626 mortes, ou seja, a quantidade de vagas suportaria cerca de 67 dias se os números se mantivessem no mesmo patamar do ano passado, com aproximadamente 48 óbitos por dia – foram excluídas das contas cremações a pedido das famílias.

Questionadas, as administrações regionais explicam que podem abrir vagas ao retirar corpos depois de três anos da data do óbito. Primeiro é informado aos familiares do prazo e, se não houver manifestação, o serviço é realizado por meio de ordem judicial. 

Segundo a Prefeitura de Santo André, os cinco cemitérios da cidade dão conta de 16,3 mil famílias concessionárias, com 1.546 vagas disponíveis. A média de sepultamentos, conforme a administração, é de 330 por mês.

Já São Bernardo possui quatro cemitérios municipais. Deste total, três deles (Vila Euclides, Baeta Neves e Paulicéia) os jazigos são de concessão de uso perpétuo, sem intervenção do município. No cemitério do bairro dos Casa (Vila Carminha), também administrado pela Prefeitura, os jazigos são temporários e existem, em média, 620 vagas para os novos sepultamentos.

São Caetano dispõe de três cemitérios, com 5.166 sepulturas perpétuas e 4.674 temporárias, sendo que há 981 disponíveis. Em Ribeirão Pires, que tem somente o Cemitério Municipal São José, a capacidade é para até 61,3 mil corpos, sendo que há rotatividade entre jazigos, com 70 abertos.

Embora Mauá não tenha respondido aos questionamentos do Diário, a equipe de reportagem esteve na sexta-feira no local e não observou covas livres. Em Diadema, funcionários, em condição de anonimato, afirmaram que estão trabalhando “no limite”. “Temos poucas gavetas vazias hoje. A cidade todo dia manda ofício para a Justiça liberar exumação de corpos que a família não tomou providência. Mas não temos espaço para uma emergência”, afirmou um coveiro, lamentando ainda que o município não amplia o serviço, deixando o único cemitério público “sufocado”. 



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Cemitério municipal de Diadema só tem 20 vagas abertas

Pandemia exerce pressão e cidades da região buscam autorização para exumação de corpos

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

24/01/2021 | 00:01


A situação dos cemitérios municipais do Grande ABC é crítica e está piorando com o aumento no número de mortes em decorrência da Covid-19. Em Diadema, a Prefeitura informa que restam apenas 20 vagas à disposição e novas sepulturas dependem de ações judiciais para exumação de corpos – concedida após três anos da data do óbito. No total são 3.237 jazigos livres nos cemitérios de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires – Mauá e Rio Grande da Serra não informaram números. 

A situação chega a ser desesperadora no Cemitério Municipal de Diadema, na Vila Conceição, que, segundo a Prefeitura, dispõe de 20 gavetas, dependendo de outras 1.000 que estão sub júdice para retirada dos corpos. Levando em conta dados do Portal da Transparência dos Cartórios, a cidade registrou 2.213 mortes totais em 2020, ou seja, média de seis óbitos diários, o que pode levar a colapso em três dias. Parte da demanda é atendida por equipamento particular, mas a situação também não é confortável. A Prefeitura informa que no Cemitério Jardim Vale da Paz, no Eldorado, são apenas 366 vagas livres.

A pandemia acendeu o alerta para o assunto. A Prefeitura de Diadema informou que fazia cerca de 110 sepultamentos por mês e esse número subiu para 140 desde que o novo coronavírus atingiu a região, em março de 2020.

O vírus elevou em 22,5% o número de óbitos em todo o Grande ABC, quando comparadas as mortes de 2019 e 2020. Em Diadema, foram 1.818 sepultamentos há dois anos e 2.213 no ano passado, ou seja, acréscimo de 21,7%. O maior acréscimo foi em Rio Grande da Serra, que passou de 171 para 239 óbitos – veja os números das sete cidades da região na arte abaixo.

Os 3.237 jazigos livres informados pelas prefeituras de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires são insuficientes para dar conta da demanda atual. De acordo com levantamento feito pelo Diário, em 2020 as cinco cidades contabilizaram 17.626 mortes, ou seja, a quantidade de vagas suportaria cerca de 67 dias se os números se mantivessem no mesmo patamar do ano passado, com aproximadamente 48 óbitos por dia – foram excluídas das contas cremações a pedido das famílias.

Questionadas, as administrações regionais explicam que podem abrir vagas ao retirar corpos depois de três anos da data do óbito. Primeiro é informado aos familiares do prazo e, se não houver manifestação, o serviço é realizado por meio de ordem judicial. 

Segundo a Prefeitura de Santo André, os cinco cemitérios da cidade dão conta de 16,3 mil famílias concessionárias, com 1.546 vagas disponíveis. A média de sepultamentos, conforme a administração, é de 330 por mês.

Já São Bernardo possui quatro cemitérios municipais. Deste total, três deles (Vila Euclides, Baeta Neves e Paulicéia) os jazigos são de concessão de uso perpétuo, sem intervenção do município. No cemitério do bairro dos Casa (Vila Carminha), também administrado pela Prefeitura, os jazigos são temporários e existem, em média, 620 vagas para os novos sepultamentos.

São Caetano dispõe de três cemitérios, com 5.166 sepulturas perpétuas e 4.674 temporárias, sendo que há 981 disponíveis. Em Ribeirão Pires, que tem somente o Cemitério Municipal São José, a capacidade é para até 61,3 mil corpos, sendo que há rotatividade entre jazigos, com 70 abertos.

Embora Mauá não tenha respondido aos questionamentos do Diário, a equipe de reportagem esteve na sexta-feira no local e não observou covas livres. Em Diadema, funcionários, em condição de anonimato, afirmaram que estão trabalhando “no limite”. “Temos poucas gavetas vazias hoje. A cidade todo dia manda ofício para a Justiça liberar exumação de corpos que a família não tomou providência. Mas não temos espaço para uma emergência”, afirmou um coveiro, lamentando ainda que o município não amplia o serviço, deixando o único cemitério público “sufocado”. 

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