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Ruivinha do barulho


Carlos Brickmann

18/11/2015 | 07:00


Recordar é viver. A Refinaria de Pasadena, no Texas, chamada de Ruivinha pela extensão de sua ferrugem, foi comprada em 2005 por uma empresa privada belga, a Astra, por US$ 42,5 milhões. Em 2006, a Astra vendeu metade da refinaria à Petrobras por US$ 431,7 milhões. Uma parte do valor, US$ 170 milhões, era o estoque de petróleo. O restante, US$ 261,7 milhões, foi a diferença do preço pago pelos belgas pela refinaria toda e o que receberam da Petrobras por meia refinaria. Mas ainda vai piorar: em 2010, a Petrobras comprou a outra metade por US$ 639 milhões. Os belgas lucraram pouco mais de US$ 900 milhões, limpinhos – se é que a palavra “limpinho” pode ser usada nesse negócio corroído.
Pois o nome da Operação Corrosão, da PF (Polícia Federal), vem da ferrugem da Ruivinha. Agosthilde Carvalho, alto funcionário da Petrobras, fez delação premiada. E contou que o presidente da Petrobras na época, José Sérgio Gabrielli, queria o negócio fechado para honrar compromissos políticos. As denúncias – inicialmente feitas por outro delator, Fernando Baiano – são de que houve US$ 15 milhões de propina belga para fazer o negócio. Eta, pixuleco mais rendoso!
Gabrielli, depois de sair da Petrobras, virou secretário do governo do PT na Bahia. É petista ilustre, com grandes serviços prestados ao partido; é um dos maiores peixes fisgados pela investigação. E surpresas podem surgir: pois foi o Citigroup, segundo a Petrobras, o banco que considerou justo o preço da compra.

Quem? Eu?
O Citibank, pertencente ao Citigroup, está fechando a conta de todos seus correntistas investigados pela PF (Polícia Federal), mesmo de quem não tenha sido sequer denunciado à Justiça. E não comenta o fato: simplesmente usa a resolução 2.025 do Banco Central, que autoriza os bancos a fechar contas sem explicações.

Que crise, cara-pálida?
Por falar em bancos, a crise passa longe de seus guichês. O maior banco brasileiro, Itaú, teve lucro líquido de R$ 17,6 bilhões nos primeiros nove meses do ano. O Bradesco alcançou R$ 12,8 bilhões. O Banco do Brasil, R$ 11,8 bilhões. E como reclamar, se ministros são nomeados por indicação pública de banqueiros?

Quem fiscaliza?
Sim, existe aqui um Banco Central. Mas este caso escandaloso, revelado em O Globo pelo excelente repórter José Casado (http://wp.me/p6GVg3-eq), passou despercebido. Trinta operadores de grandes bancos estrangeiros agiram em conjunto para interferir no câmbio brasileiro, entre 2007 e 2013, lucrando muito, e estão sendo processados nos Estados Unidos. Os bancos: Citigroup, Bank of America, Barclays, Deutsche, HSBC, Merrill Lynch, Morgan Stanley, JP Morgan Chase, Royal Bank of Canada, Nomura, Tokyo-Mitsubishi, Royal Bank of Scotland, Standard, Crédit Suisse e UBS. Cinco já se confessaram culpados: Citigroup, UBS, Royal Bank of Scotland, Barclays e JP Morgan. Já foram multados nos Estados Unidos em US$ 6,4 bilhões (e lá as multas são cobradas e pagas).

O tamanho do prejuízo
No Brasil, as investigações são comandas pelo Cade, Conselho Administrativo de Defesa Econômica. A UBS fez delação premiada, com provas contra os demais envolvidos. E a Associação Brasileira de Comércio Exterior decidiu entrar na ação. Seus cálculos são de que, em seis anos, o Brasil perdeu US$ 50 bilhões e deixou de criar dois milhões de empregos com a manipulação do câmbio.

Também perdemos sem eles
Criminosos estrangeiros lucraram quebrando indústrias brasileiras e prejudicando a geração de empregos. Mas obtemos resultados parecidos agindo sozinhos, sem ajuda de gringos inescrupulosos. O preço dos combustíveis, por exemplo, é fixado no Brasil, e uma empresa estatal, a Petrobras, tem imensa influência no setor. Mas, no terceiro trimestre deste ano, a gasolina – usada preferencialmente para transporte individual de quem pode ter carro – ficou 5,1% mais barata que no mercado internacional. Já o diesel, usado no transporte coletivo, usado na movimentação de carga, custou 15,2% mais caro que no Exterior. A economia que se dane, pagando mais caro pelas cargas; quem usa ônibus que compre um carro. O governo e seu braço petrolífero preferem quem tem carro.



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Ruivinha do barulho

Carlos Brickmann

18/11/2015 | 07:00


Recordar é viver. A Refinaria de Pasadena, no Texas, chamada de Ruivinha pela extensão de sua ferrugem, foi comprada em 2005 por uma empresa privada belga, a Astra, por US$ 42,5 milhões. Em 2006, a Astra vendeu metade da refinaria à Petrobras por US$ 431,7 milhões. Uma parte do valor, US$ 170 milhões, era o estoque de petróleo. O restante, US$ 261,7 milhões, foi a diferença do preço pago pelos belgas pela refinaria toda e o que receberam da Petrobras por meia refinaria. Mas ainda vai piorar: em 2010, a Petrobras comprou a outra metade por US$ 639 milhões. Os belgas lucraram pouco mais de US$ 900 milhões, limpinhos – se é que a palavra “limpinho” pode ser usada nesse negócio corroído.
Pois o nome da Operação Corrosão, da PF (Polícia Federal), vem da ferrugem da Ruivinha. Agosthilde Carvalho, alto funcionário da Petrobras, fez delação premiada. E contou que o presidente da Petrobras na época, José Sérgio Gabrielli, queria o negócio fechado para honrar compromissos políticos. As denúncias – inicialmente feitas por outro delator, Fernando Baiano – são de que houve US$ 15 milhões de propina belga para fazer o negócio. Eta, pixuleco mais rendoso!
Gabrielli, depois de sair da Petrobras, virou secretário do governo do PT na Bahia. É petista ilustre, com grandes serviços prestados ao partido; é um dos maiores peixes fisgados pela investigação. E surpresas podem surgir: pois foi o Citigroup, segundo a Petrobras, o banco que considerou justo o preço da compra.

Quem? Eu?
O Citibank, pertencente ao Citigroup, está fechando a conta de todos seus correntistas investigados pela PF (Polícia Federal), mesmo de quem não tenha sido sequer denunciado à Justiça. E não comenta o fato: simplesmente usa a resolução 2.025 do Banco Central, que autoriza os bancos a fechar contas sem explicações.

Que crise, cara-pálida?
Por falar em bancos, a crise passa longe de seus guichês. O maior banco brasileiro, Itaú, teve lucro líquido de R$ 17,6 bilhões nos primeiros nove meses do ano. O Bradesco alcançou R$ 12,8 bilhões. O Banco do Brasil, R$ 11,8 bilhões. E como reclamar, se ministros são nomeados por indicação pública de banqueiros?

Quem fiscaliza?
Sim, existe aqui um Banco Central. Mas este caso escandaloso, revelado em O Globo pelo excelente repórter José Casado (http://wp.me/p6GVg3-eq), passou despercebido. Trinta operadores de grandes bancos estrangeiros agiram em conjunto para interferir no câmbio brasileiro, entre 2007 e 2013, lucrando muito, e estão sendo processados nos Estados Unidos. Os bancos: Citigroup, Bank of America, Barclays, Deutsche, HSBC, Merrill Lynch, Morgan Stanley, JP Morgan Chase, Royal Bank of Canada, Nomura, Tokyo-Mitsubishi, Royal Bank of Scotland, Standard, Crédit Suisse e UBS. Cinco já se confessaram culpados: Citigroup, UBS, Royal Bank of Scotland, Barclays e JP Morgan. Já foram multados nos Estados Unidos em US$ 6,4 bilhões (e lá as multas são cobradas e pagas).

O tamanho do prejuízo
No Brasil, as investigações são comandas pelo Cade, Conselho Administrativo de Defesa Econômica. A UBS fez delação premiada, com provas contra os demais envolvidos. E a Associação Brasileira de Comércio Exterior decidiu entrar na ação. Seus cálculos são de que, em seis anos, o Brasil perdeu US$ 50 bilhões e deixou de criar dois milhões de empregos com a manipulação do câmbio.

Também perdemos sem eles
Criminosos estrangeiros lucraram quebrando indústrias brasileiras e prejudicando a geração de empregos. Mas obtemos resultados parecidos agindo sozinhos, sem ajuda de gringos inescrupulosos. O preço dos combustíveis, por exemplo, é fixado no Brasil, e uma empresa estatal, a Petrobras, tem imensa influência no setor. Mas, no terceiro trimestre deste ano, a gasolina – usada preferencialmente para transporte individual de quem pode ter carro – ficou 5,1% mais barata que no mercado internacional. Já o diesel, usado no transporte coletivo, usado na movimentação de carga, custou 15,2% mais caro que no Exterior. A economia que se dane, pagando mais caro pelas cargas; quem usa ônibus que compre um carro. O governo e seu braço petrolífero preferem quem tem carro.

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