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A polêmica do arguile

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ritual de fumar o cachimbo d’água já faz parte
da rotina de muitos jovens, mas há vários contras


Marcela Munhoz
Do Diário do Grande ABC

15/09/2013 | 07:00


Nunca o uso do arguile (também chamado de narguilê, narguila, nakla, hookah e shisha) foi tão disseminado. É fácil encontrar grupos fumando, principalmente em casa, festas e reuniões particulares. A sessão com o fumo – criada na Índia no século 17 e parte integrante da vida do povo árabe – foi aceita pela galera como forma de socialização e até maneira de relaxar (leia depoimentos de arguileiros abaixo).

Por outro lado, nunca se combateu tanto a prática com leis e campanhas, incluindo, alertas da OMS (Organização Mundial da Saúde). Em agosto, no Dia Nacional do Combate ao Fumo, o Inca (Instituto Nacional do Câncer) alertou sobre o uso desse tipo de tabaco. De acordo com a Pesquisa Especial sobre Tabagismo, feita pelo Instituto em parceria com o IBGE, já são mais de 300 mil consumidores do cachimbo oriental no País. Desses, muitos são menores de 18 anos (o que é proibido por lei), que são atraídos pelo equipamento, aromas e como a prática pode ajudar a fazer amigos.

Em meio à polêmica que discute qual faz mais mal à saúde – arguile ou cigarro – na verdade, o que mais preocupa os especialistas é a quantidade de monóxido de carbono inalado pelos arguileiros e por quem está próximo durante as rodas de fumo, mesmo nas essências que não possuem tabaco e são constituídas com as pedras aromatizantes.

O fato é que não existe consumo seguro de tabaco nem de outro tipo de fumaça inalada. A fumaça resultante da queima de qualquer substância orgânica (combustível, por exemplo) faz mal. Há centenas de estudos que comprovam isso. No caso do arguile, além da queima do fumo, tem a queima do carvão e tudo isso vai para o sistema respiratório, prejudica a circulação e contém substâncias cancerígenas”, explica o pesquisador e pneumologista Carlos Alberto Viegas, da Universidade de Brasília.

Outro problema é o tabaco, produto processado a partir das folhas de plantas do gênero Nicotiana, ou seja, todo tabaco contém no seu princípio ativo a nicotina, substância que provoca dependência. Dentro das caixinhas de fumo de arguile vêm essências, aromatizantes e o tabaco, por menor quantidade que seja. “Logo, se tem tabaco, tem nicotina. E, embora já tenha se acreditado que a água usada do arguile pudesse filtrar a substância, ficou provado que só absorve 5%. O restante é inalado”, diz Ricardo Meirelles, pneumologista do Inca.

“Fumar cigarro é mais irritante por causa do cheiro e do gosto, mas o arguile é prejudicial e, sem perceber, provoca dependência”, conclui o especialista, que alerta para outro ponto: “Usar a mesma biqueira pode transmitir doenças e espalhar vírus e bactérias em quem a compartilha.”

Do ponto de vista dos arguileiros
Apesar da discussão sobre os males do cachimbo d’água, para os arguileiros, representa paixão. Quando Leonardo Varela, 18 anos, procurou o D+ para falar sobre o assunto, sua intenção era mostrar o outro lado da moeda. “É obrigação saber os dois lados para assumir uma posição antes de julgar. Nós repudiamos, por exemplo, quem mistura bebidas alcoólicas e outras drogas no processo.”
Para Leonardo, o arguile une o grupo do qual faz parte. “Aprende-se valores ligados à amizade. Também é necessário treinar a paciência para montar a sessão.” Eles são conhecedores da história e da cultura do arguile, e vão além: “É como se fosse um filho, digamos assim. Quem gosta fuma com qualidade, e isso custa caro.”

Leonardo conheceu a namorada Amanda Maldi, 18, em uma roda de fumo. Geralmente, eles se reúnem com amigos, especialmente às sextas, aos sábados e domingos, e fazem parte do chamado Clube do Arguile. “A gente começou por moda, como boa parte da galera, mas depois percebemos o quanto o arguile une as pessoas. Afirmo que 95% dos meus melhores amigos eu conheci fumando. É prazeroso”, conta a garota, que acrescenta: “Cada um leva o seu arguile para não precisar dividir a piteira.”

O casal já fumou cigarro normal e não gostou por causa do cheiro ruim na boca e mãos, o que afasta as pessoas. Quando questionados se acham que o arguile faz mal, Leonardo diz: “É óbvio que sim, só que é preciso levar em consideração os produtos usados. Não podem ser de má qualidade.” Mas não concorda na questão da dependência. “Faz parte da minha rotina, mas não vicia. Não fumo para os outros e acho válido ter o arguile no meu dia a dia. Vou fumar enquanto me der vontade.”

O que diz a lei ...
Desde de 2009, é proibida a venda do arguile e de todos os produtos relacionados a menores de 18 anos no Estado de São Paulo, mas a Secretaria de Saúde promoveu um estudo que aponta: 37% dos entrevistados, com idade média de 25 anos, declararam usar arguile. Outros estados sancionaram a mesma lei. Em Cacoal, Rondônia, lei municipal proíbe o uso em locais públicos. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a comercialização de fumo com aditivos (aromas e sabores) no Brasil, o que inclui o tabaco de arguile. O veto começaria a valer em março de 2014, mas algumas regras serão discutidas só após o mensalão.



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A polêmica do arguile

Ritual de fumar o cachimbo d’água já faz parte
da rotina de muitos jovens, mas há vários contras

Marcela Munhoz
Do Diário do Grande ABC

15/09/2013 | 07:00


Nunca o uso do arguile (também chamado de narguilê, narguila, nakla, hookah e shisha) foi tão disseminado. É fácil encontrar grupos fumando, principalmente em casa, festas e reuniões particulares. A sessão com o fumo – criada na Índia no século 17 e parte integrante da vida do povo árabe – foi aceita pela galera como forma de socialização e até maneira de relaxar (leia depoimentos de arguileiros abaixo).

Por outro lado, nunca se combateu tanto a prática com leis e campanhas, incluindo, alertas da OMS (Organização Mundial da Saúde). Em agosto, no Dia Nacional do Combate ao Fumo, o Inca (Instituto Nacional do Câncer) alertou sobre o uso desse tipo de tabaco. De acordo com a Pesquisa Especial sobre Tabagismo, feita pelo Instituto em parceria com o IBGE, já são mais de 300 mil consumidores do cachimbo oriental no País. Desses, muitos são menores de 18 anos (o que é proibido por lei), que são atraídos pelo equipamento, aromas e como a prática pode ajudar a fazer amigos.

Em meio à polêmica que discute qual faz mais mal à saúde – arguile ou cigarro – na verdade, o que mais preocupa os especialistas é a quantidade de monóxido de carbono inalado pelos arguileiros e por quem está próximo durante as rodas de fumo, mesmo nas essências que não possuem tabaco e são constituídas com as pedras aromatizantes.

O fato é que não existe consumo seguro de tabaco nem de outro tipo de fumaça inalada. A fumaça resultante da queima de qualquer substância orgânica (combustível, por exemplo) faz mal. Há centenas de estudos que comprovam isso. No caso do arguile, além da queima do fumo, tem a queima do carvão e tudo isso vai para o sistema respiratório, prejudica a circulação e contém substâncias cancerígenas”, explica o pesquisador e pneumologista Carlos Alberto Viegas, da Universidade de Brasília.

Outro problema é o tabaco, produto processado a partir das folhas de plantas do gênero Nicotiana, ou seja, todo tabaco contém no seu princípio ativo a nicotina, substância que provoca dependência. Dentro das caixinhas de fumo de arguile vêm essências, aromatizantes e o tabaco, por menor quantidade que seja. “Logo, se tem tabaco, tem nicotina. E, embora já tenha se acreditado que a água usada do arguile pudesse filtrar a substância, ficou provado que só absorve 5%. O restante é inalado”, diz Ricardo Meirelles, pneumologista do Inca.

“Fumar cigarro é mais irritante por causa do cheiro e do gosto, mas o arguile é prejudicial e, sem perceber, provoca dependência”, conclui o especialista, que alerta para outro ponto: “Usar a mesma biqueira pode transmitir doenças e espalhar vírus e bactérias em quem a compartilha.”

Do ponto de vista dos arguileiros
Apesar da discussão sobre os males do cachimbo d’água, para os arguileiros, representa paixão. Quando Leonardo Varela, 18 anos, procurou o D+ para falar sobre o assunto, sua intenção era mostrar o outro lado da moeda. “É obrigação saber os dois lados para assumir uma posição antes de julgar. Nós repudiamos, por exemplo, quem mistura bebidas alcoólicas e outras drogas no processo.”
Para Leonardo, o arguile une o grupo do qual faz parte. “Aprende-se valores ligados à amizade. Também é necessário treinar a paciência para montar a sessão.” Eles são conhecedores da história e da cultura do arguile, e vão além: “É como se fosse um filho, digamos assim. Quem gosta fuma com qualidade, e isso custa caro.”

Leonardo conheceu a namorada Amanda Maldi, 18, em uma roda de fumo. Geralmente, eles se reúnem com amigos, especialmente às sextas, aos sábados e domingos, e fazem parte do chamado Clube do Arguile. “A gente começou por moda, como boa parte da galera, mas depois percebemos o quanto o arguile une as pessoas. Afirmo que 95% dos meus melhores amigos eu conheci fumando. É prazeroso”, conta a garota, que acrescenta: “Cada um leva o seu arguile para não precisar dividir a piteira.”

O casal já fumou cigarro normal e não gostou por causa do cheiro ruim na boca e mãos, o que afasta as pessoas. Quando questionados se acham que o arguile faz mal, Leonardo diz: “É óbvio que sim, só que é preciso levar em consideração os produtos usados. Não podem ser de má qualidade.” Mas não concorda na questão da dependência. “Faz parte da minha rotina, mas não vicia. Não fumo para os outros e acho válido ter o arguile no meu dia a dia. Vou fumar enquanto me der vontade.”

O que diz a lei ...
Desde de 2009, é proibida a venda do arguile e de todos os produtos relacionados a menores de 18 anos no Estado de São Paulo, mas a Secretaria de Saúde promoveu um estudo que aponta: 37% dos entrevistados, com idade média de 25 anos, declararam usar arguile. Outros estados sancionaram a mesma lei. Em Cacoal, Rondônia, lei municipal proíbe o uso em locais públicos. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a comercialização de fumo com aditivos (aromas e sabores) no Brasil, o que inclui o tabaco de arguile. O veto começaria a valer em março de 2014, mas algumas regras serão discutidas só após o mensalão.

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