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Maxwell capricha no conto hollywoodiano


Do Diário do Grande ABC

04/12/2011 | 07:00


* Perfil: Maxwell Cândido Silva, 17 anos, de São Bernardo - "Sinto que sei que sou um tanto bem maior!". A frase da trupe Teatro Mágico guia Max, que deseja que todos sejam maiores diante da vida. O estudante sonha em se tornar escritor e jornalista. Suas principais inspirações são sua professora de português Rita de Cassia Bordoni, amigos que o apóiam e o bom e velho William Shakespeare.

 

DEVORE-ME!

A visão do rosto dela... Com a fragrância enlouquecedora de comida, focaram nele emoções fortíssimas de ternura e fome. Foi assim que os vi nesta cena hollywoodiana. Pareciam esquecer o mundo à volta, como se não houvesse ninguém, como se aquele instante fosse o último, assim em meio a metrópole, sem problemas existentes na face da Terra.

Ele de traje esporte. Ela de vestido simples, azulado. Ambos se olhavam por repetidas vezes, com movimento lateral do rosto, só sendo distraídos por uma barraca de hot dog que subitamente entrou na frente dos dois. Ele, discretamente, deixou-se distrair pelo cheiro inevitável da comida.

Estampados em sua face, dois únicos desejos: a insaciável fome e a vontade de beijá-la, o que falava mais alto perante a beleza da amada. Os olhos exalavam sua louca vontade de agarrá-la e envolvê-la com seus braços na trama ardente que é o amor, ao mesmo tempo, de acabar de vez com a fome que o atormentava.

A mulher o espera imóvel, como uma mosca aguarda seu fim diante da tão temida aranha. E ele se aproxima calculando cada movimento, cada passo, cada palavra... Fome! Voltava a lembrar de sua mais primitiva necessidade. O cheiro do carrinho de hot dog ao lado subia ao seu nariz como uma sinfonia aos ouvidos de Beethoven, em meio a todas as outras fragrâncias, nem sempre muito aceitáveis.

Em um lance rápido, surge uma ideia, uma chance para a conquista: coloca a mão no bolso, retira em um movimento duas notas ligeiramente amassadas. Um pedido. Uma cena tipicamente americana em meio à metrópole bem mais que brasileira, espremendo-se e lutando por um local mais livre entre a imensa multidão.

"Um completo, por favor!", disse o rapaz, acenando logo em seguida com a cabeça, pegando seu pedido e indo confiante em direção a ela. Silêncio. Coração acelera. Ele chega perto. As palavras somem; mais um aceno. Na cabeça correm rápido todas as suas estratégias, que subitamente somem, desaparecem, mas voltam como um Déjà vu.

"Olá?!", disse ele para ela que, afoita, se embaraça e, com um jogar de cabelos, responde um singelo, porém, belo: "Oi!". Ambos desconcertados com a presença alheia. "Eu trouxe para você", disse ele, entregando-lhe um singelo pão de centeio, cortado em duas fatias, com condimentos e uma imensa e gordurosa salsicha que, naquele momento, tinha um único significado: ele a quer, mas será que ela o quer mesmo? "Obrigada! Ainda se lembra dos meus gostos", disse ela com um sorriso no canto dos lábios. "É, ainda me lembro bem do seu gosto", agora é ele quem diz, com um malicioso olhar: Fome!... novamente o seu eu primitivo lembrava-o de sua necessidade. Mas agora ele só pensava em cortejá-la.

"Eu te amo!", ela disse subitamente, abraçando-o; ele inerte, sem fala, e ainda com fome, balbuciando duas únicas palavras: "Me beije". Dois desejos saciados em um: foi fatal! ... e assim, da mesma forma que cheguei, vi o movimento da cena: era o ônibus andando, o sinal abriu. Escuto o som barulhento do motor; buzinas; despedia-me daquela cena do belo amor de momento - como apelidei - que ia passando lentamente pelos meus olhos, como as nuvens cortam o céu. E fui retornando à minha vida com a cena shakespeariana mais brasileira que já vi.

* Gostou do texto de Maxwell? Você também pode mandar os seus. Envie contos, poesias, opiniões e até histórias em quadrinhos para d+@dgabc.com.br.



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Maxwell capricha no conto hollywoodiano

Do Diário do Grande ABC

04/12/2011 | 07:00


* Perfil: Maxwell Cândido Silva, 17 anos, de São Bernardo - "Sinto que sei que sou um tanto bem maior!". A frase da trupe Teatro Mágico guia Max, que deseja que todos sejam maiores diante da vida. O estudante sonha em se tornar escritor e jornalista. Suas principais inspirações são sua professora de português Rita de Cassia Bordoni, amigos que o apóiam e o bom e velho William Shakespeare.

 

DEVORE-ME!

A visão do rosto dela... Com a fragrância enlouquecedora de comida, focaram nele emoções fortíssimas de ternura e fome. Foi assim que os vi nesta cena hollywoodiana. Pareciam esquecer o mundo à volta, como se não houvesse ninguém, como se aquele instante fosse o último, assim em meio a metrópole, sem problemas existentes na face da Terra.

Ele de traje esporte. Ela de vestido simples, azulado. Ambos se olhavam por repetidas vezes, com movimento lateral do rosto, só sendo distraídos por uma barraca de hot dog que subitamente entrou na frente dos dois. Ele, discretamente, deixou-se distrair pelo cheiro inevitável da comida.

Estampados em sua face, dois únicos desejos: a insaciável fome e a vontade de beijá-la, o que falava mais alto perante a beleza da amada. Os olhos exalavam sua louca vontade de agarrá-la e envolvê-la com seus braços na trama ardente que é o amor, ao mesmo tempo, de acabar de vez com a fome que o atormentava.

A mulher o espera imóvel, como uma mosca aguarda seu fim diante da tão temida aranha. E ele se aproxima calculando cada movimento, cada passo, cada palavra... Fome! Voltava a lembrar de sua mais primitiva necessidade. O cheiro do carrinho de hot dog ao lado subia ao seu nariz como uma sinfonia aos ouvidos de Beethoven, em meio a todas as outras fragrâncias, nem sempre muito aceitáveis.

Em um lance rápido, surge uma ideia, uma chance para a conquista: coloca a mão no bolso, retira em um movimento duas notas ligeiramente amassadas. Um pedido. Uma cena tipicamente americana em meio à metrópole bem mais que brasileira, espremendo-se e lutando por um local mais livre entre a imensa multidão.

"Um completo, por favor!", disse o rapaz, acenando logo em seguida com a cabeça, pegando seu pedido e indo confiante em direção a ela. Silêncio. Coração acelera. Ele chega perto. As palavras somem; mais um aceno. Na cabeça correm rápido todas as suas estratégias, que subitamente somem, desaparecem, mas voltam como um Déjà vu.

"Olá?!", disse ele para ela que, afoita, se embaraça e, com um jogar de cabelos, responde um singelo, porém, belo: "Oi!". Ambos desconcertados com a presença alheia. "Eu trouxe para você", disse ele, entregando-lhe um singelo pão de centeio, cortado em duas fatias, com condimentos e uma imensa e gordurosa salsicha que, naquele momento, tinha um único significado: ele a quer, mas será que ela o quer mesmo? "Obrigada! Ainda se lembra dos meus gostos", disse ela com um sorriso no canto dos lábios. "É, ainda me lembro bem do seu gosto", agora é ele quem diz, com um malicioso olhar: Fome!... novamente o seu eu primitivo lembrava-o de sua necessidade. Mas agora ele só pensava em cortejá-la.

"Eu te amo!", ela disse subitamente, abraçando-o; ele inerte, sem fala, e ainda com fome, balbuciando duas únicas palavras: "Me beije". Dois desejos saciados em um: foi fatal! ... e assim, da mesma forma que cheguei, vi o movimento da cena: era o ônibus andando, o sinal abriu. Escuto o som barulhento do motor; buzinas; despedia-me daquela cena do belo amor de momento - como apelidei - que ia passando lentamente pelos meus olhos, como as nuvens cortam o céu. E fui retornando à minha vida com a cena shakespeariana mais brasileira que já vi.

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