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Morte violenta leva a depressão familiar


Adriana Ferraz
Do Diário do Grande ABC

06/05/2007 | 07:02


Culpa, tristeza e raiva. Sentimentos distintos e aproximados por uma sensação universal: o luto. A morte de um parente por doença, acidente ou violência reflete de maneira traumática no seio familiar. Sem estrutura, o grupo quebra e libera emoções involuntárias. O convívio com a dor leva a quadros agudos de depressão e estresse. Em determinados casos, a comoção pode se tornar pública, a exemplo do que aconteceu com o garoto João Hélio Fernandes, morto depois de ser arrastado de carro pelas ruas do Rio de Janeiro.

A psiquiatra do Hospital Mário Covas Fernanda Piotto Fralonardo comenta que a morte de um filho é marco para os pais e a família. “Para o casal, o conflito, às vezes guardado por anos, aparece nesse momento e torna-se gota d’água para o fim da relação. É preciso buscar ajuda, de preferência com uma pessoa de fora, que tenha um olhar diferente para a situação”, acredita.

O efeito traumático requer terapia familiar, com foco nas angústias de cada pessoa da casa. “A depressão tem dois fatores: biológico e ambiental. Este último inclui ações que não estavam planejadas, como acidentes fatais, seqüestros ou assassinatos. São situações extremas, que desencadeiam uma mudança de rumo”, acrescenta Fernanda.

De acordo com a professora-doutora em Psicologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Maria Helena Pereira Franco, o luto é a mais desorganizadora e assustadora experiência que vive o ser humano. Nesse momento, o sentido dado à vida é repensado, as relações são refeitas a partir de uma avaliação de seu significado e a identidade pessoal se transforma.

“É muito freqüente, por exemplo, que a pessoa enlutada se sinta culpada pela morte do ser amado. No caso dos pais, esse sentimento pode ser intensificado, já que cabe a eles o cuidado com o filho, cabe a eles oferecer condições seguras para que ele se desenvolva e, portanto, a morte pode ser interpretada como um fracasso”, explica.

O agravante é que não há fórmulas, respostas ou remédios para se enfrentar a perda. Apenas conselhos e gestos que devem priorizar o recomeço e, sobretudo, a vida.



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Morte violenta leva a depressão familiar

Adriana Ferraz
Do Diário do Grande ABC

06/05/2007 | 07:02


Culpa, tristeza e raiva. Sentimentos distintos e aproximados por uma sensação universal: o luto. A morte de um parente por doença, acidente ou violência reflete de maneira traumática no seio familiar. Sem estrutura, o grupo quebra e libera emoções involuntárias. O convívio com a dor leva a quadros agudos de depressão e estresse. Em determinados casos, a comoção pode se tornar pública, a exemplo do que aconteceu com o garoto João Hélio Fernandes, morto depois de ser arrastado de carro pelas ruas do Rio de Janeiro.

A psiquiatra do Hospital Mário Covas Fernanda Piotto Fralonardo comenta que a morte de um filho é marco para os pais e a família. “Para o casal, o conflito, às vezes guardado por anos, aparece nesse momento e torna-se gota d’água para o fim da relação. É preciso buscar ajuda, de preferência com uma pessoa de fora, que tenha um olhar diferente para a situação”, acredita.

O efeito traumático requer terapia familiar, com foco nas angústias de cada pessoa da casa. “A depressão tem dois fatores: biológico e ambiental. Este último inclui ações que não estavam planejadas, como acidentes fatais, seqüestros ou assassinatos. São situações extremas, que desencadeiam uma mudança de rumo”, acrescenta Fernanda.

De acordo com a professora-doutora em Psicologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Maria Helena Pereira Franco, o luto é a mais desorganizadora e assustadora experiência que vive o ser humano. Nesse momento, o sentido dado à vida é repensado, as relações são refeitas a partir de uma avaliação de seu significado e a identidade pessoal se transforma.

“É muito freqüente, por exemplo, que a pessoa enlutada se sinta culpada pela morte do ser amado. No caso dos pais, esse sentimento pode ser intensificado, já que cabe a eles o cuidado com o filho, cabe a eles oferecer condições seguras para que ele se desenvolva e, portanto, a morte pode ser interpretada como um fracasso”, explica.

O agravante é que não há fórmulas, respostas ou remédios para se enfrentar a perda. Apenas conselhos e gestos que devem priorizar o recomeço e, sobretudo, a vida.

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