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Poder da afetividade sob a ótica de Arap



29/09/2007 | 07:05


Ao dirigir a primeira montagem de O Assalto, em 1969 no Rio, Fauzi Arap não só tirou do ineditismo o talentoso dramaturgo José Vicente (1945-2007) como salvou da falência o Teatro Ipanema, de Rubens Corrêa, que teve grande importância na década 1970. Sempre atuante, dirigiu shows e peças, escreveu, interpretou. Em 1997, voltou a José Vicente, com a peça Santidade, e chamou atenção para o talento de ator do dramaturgo Mário Bortolotto.

Fauzi Arap é assim, sempre capaz de jogar o foco sobre algo que merece ser visto, sobre um tema pelo qual vale refletir. É o que volta a fazer hoje,

desta vez como autor, com a peça Chorinho, escrita ano passado, que estréia

no Espaço dos Parlapatões com Cláudia Mello e Caio Blat no elenco. A si próprio,

Fauzi reserva o papel de co-diretor, em parceria com Marcos Loureiro, conhecido

por quem acompanha a cena teatral pela ótima direção de Hotel Lancaster, de Bortolotto.

No palco, Cláudia e Caio vivem dois personagens que se encontram numa praça pública, espaço por excelência da convivência de diferentes classes sociais. No caso da peça, a relação que sutilmente vai nascendo, não sem poucos atritos, entre uma mulher de classe média e um morador de rua, muda a vida de ambos.

Não, o autor não escorrega numa nostalgia utópica. A praça em questão nada tem do antigo espaço de convivência. Trata-se de uma praça cercada por grades e o rapaz vivido por Caio só consegue dormir ali porque se esconde à noite.

Ela, uma mulher solitária, mora na vizinhança, conversa com as plantas e assim desperta o carinho do rapaz, que reconhece nela alguém que cuida de ‘sua casa’.

Mas, como a maioria dos mortais, ela preferiria que ele se mandasse com seus trapos e sua figura que ‘enfeia’ o local e estraga o prazer de quem, como ela, por ali quer caminhar em paz.

No início do ano, a peça foi lida por Cláudia e Caio no auditório do Masp. “Eu nem estava presente, mas disseram que a reação do público foi de muito riso no início, e forte emoção nas cenas finais”, conta Fauzi. Tal reação, claro, estimulou a luta pela montagem. Uma série de coincidências, a suspensão do programa A Diarista, no qual Cláudia Mello trabalha, e o adiamento do início das gravações de um filme no qual Caio Blat teria grande participação, possibilitaram iniciar agora a temporada na vaga que também surgiu por acaso no teatro dos Parlapatões.

“Sou de um tempo em que conversávamos na praça sem medo”, diz Fauzi. A julgar pelo ensaio, o que comove na peça é a clareza com que se detecta, na ação e não no discurso, o poder de cura de uma troca afetiva. A praça apenas permite o encontro de diferentes. “É o espaço de um psicodrama espontâneo”, observa Fauzi.

Chorinho – No Espaço Parlapatões – Praça Franklin Roosevelt, 158. Tel.: 3258-4449. Ingr.: R$ 30. Sáb., 21h; dom., 20h. Até 11 de novembro.


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Poder da afetividade sob a ótica de Arap


29/09/2007 | 07:05


Ao dirigir a primeira montagem de O Assalto, em 1969 no Rio, Fauzi Arap não só tirou do ineditismo o talentoso dramaturgo José Vicente (1945-2007) como salvou da falência o Teatro Ipanema, de Rubens Corrêa, que teve grande importância na década 1970. Sempre atuante, dirigiu shows e peças, escreveu, interpretou. Em 1997, voltou a José Vicente, com a peça Santidade, e chamou atenção para o talento de ator do dramaturgo Mário Bortolotto.

Fauzi Arap é assim, sempre capaz de jogar o foco sobre algo que merece ser visto, sobre um tema pelo qual vale refletir. É o que volta a fazer hoje,

desta vez como autor, com a peça Chorinho, escrita ano passado, que estréia

no Espaço dos Parlapatões com Cláudia Mello e Caio Blat no elenco. A si próprio,

Fauzi reserva o papel de co-diretor, em parceria com Marcos Loureiro, conhecido

por quem acompanha a cena teatral pela ótima direção de Hotel Lancaster, de Bortolotto.

No palco, Cláudia e Caio vivem dois personagens que se encontram numa praça pública, espaço por excelência da convivência de diferentes classes sociais. No caso da peça, a relação que sutilmente vai nascendo, não sem poucos atritos, entre uma mulher de classe média e um morador de rua, muda a vida de ambos.

Não, o autor não escorrega numa nostalgia utópica. A praça em questão nada tem do antigo espaço de convivência. Trata-se de uma praça cercada por grades e o rapaz vivido por Caio só consegue dormir ali porque se esconde à noite.

Ela, uma mulher solitária, mora na vizinhança, conversa com as plantas e assim desperta o carinho do rapaz, que reconhece nela alguém que cuida de ‘sua casa’.

Mas, como a maioria dos mortais, ela preferiria que ele se mandasse com seus trapos e sua figura que ‘enfeia’ o local e estraga o prazer de quem, como ela, por ali quer caminhar em paz.

No início do ano, a peça foi lida por Cláudia e Caio no auditório do Masp. “Eu nem estava presente, mas disseram que a reação do público foi de muito riso no início, e forte emoção nas cenas finais”, conta Fauzi. Tal reação, claro, estimulou a luta pela montagem. Uma série de coincidências, a suspensão do programa A Diarista, no qual Cláudia Mello trabalha, e o adiamento do início das gravações de um filme no qual Caio Blat teria grande participação, possibilitaram iniciar agora a temporada na vaga que também surgiu por acaso no teatro dos Parlapatões.

“Sou de um tempo em que conversávamos na praça sem medo”, diz Fauzi. A julgar pelo ensaio, o que comove na peça é a clareza com que se detecta, na ação e não no discurso, o poder de cura de uma troca afetiva. A praça apenas permite o encontro de diferentes. “É o espaço de um psicodrama espontâneo”, observa Fauzi.

Chorinho – No Espaço Parlapatões – Praça Franklin Roosevelt, 158. Tel.: 3258-4449. Ingr.: R$ 30. Sáb., 21h; dom., 20h. Até 11 de novembro.

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