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Teich diz que Brasil não aprende com erros no combate à Covid-19

Fotos Públicas Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


30/06/2020 | 12:23


O ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou que o Brasil não está aprendendo com os erros durante a pandemia do novo coronavírus. Em entrevista à Rádio Eldorado nesta terça-feira, 30, o oncologista defendeu uma reforma completa nas ações de combate à covid-19, com mais "informação e coordenação" entre governo federal, Estados e municípios.

Teich alertou que a atual momento ainda deve se estender por um longo período. "Não temos um aprendizado com o que está acontecendo. O isolamento vai e volta, mas não vejo ninguém explicando por que deu certo ou errado. A discussão do lockdown é pobre, cada vez mais difícil de conseguir. A reação é cada vez mais difícil. Todo mundo deveria tentar criar um programa único (de medidas de distanciamento) e recomeçar do zero. Essa situação da pandemia não tem hora para acabar", disse.

De acordo com Teich, é extremamente prejudicial para o País que haja uma tentativa de minimizar a gravidade da pandemia. "O pior a se fazer é trazer uma imagem de segurança e confiança quando ela não existe. A liderança precisa saber navegar num mar revolto como este. A única coisa que não pode ser feita é achar que o mar está calmo, porque não está."

O ex-ministro pediu demissão após o presidente Jair Bolsonaro pressionar a pasta pela liberação da cloroquina para todos os pacientes da covid-19. Para Teich, investir no medicamento seria um desperdício de recursos, já que não há comprovação científica de sua eficácia contra o coronavírus.

"Quando se incorporam medicamentos e tecnologias sem uma certeza absoluta do benefício, os recursos financeiros e humanos são alocados em coisas que não são as melhores para a sociedade. Sobrecarrega o sistema e pode estar tirando dinheiro de itens básicos, fundamentais. Temos pouco dinheiro. E quanto menos recursos, menos pode desperdiçar. Não era uma discussão específica sobre a cloroquina, mas como se trata essa incorporação de medicamentos e tecnologia", explicou Teich.

A saída do cargo aconteceu há um mês e meio, em 15 de junho. Desde então, Bolsonaro ainda não nomeou um substituto definitivo para a Saúde, com Eduardo Pazuello na condição de interino. Teich considera "muito ruim" a falta de um ministro, pois a pasta precisa assumir a liderança do combate à covid-19.

"Se não tem um ministro apontado, a legitimidade de quem está lá é ruim. Se o Eduardo vai continuar, precisa ser oficializado. O Ministério da Saúde tem que ter a liderança. O líder é o presidente, mas, neste momento, tem que liderar através do Ministério. Ele é fundamental porque tem interação com Estados e municípios. Precisa haver muita informação, com projetos que envolvam os dois. O sistema no Brasil descentralizou, mas não coordenou", analisou o ex-ministro.

O pedido de demissão, reafirmou Teich, se deu em razão de divergências com Bolsonaro nas medidas de contenção do vírus. "Não tinha um alinhamento. O presidente tinha uma forma de conduzir e eu tinha outra, diferente. Se ele é o líder, tem uma forma de conduzir e tenho outra, sendo nomeado por ele, saio eu", justificou.



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Teich diz que Brasil não aprende com erros no combate à Covid-19


30/06/2020 | 12:23


O ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou que o Brasil não está aprendendo com os erros durante a pandemia do novo coronavírus. Em entrevista à Rádio Eldorado nesta terça-feira, 30, o oncologista defendeu uma reforma completa nas ações de combate à covid-19, com mais "informação e coordenação" entre governo federal, Estados e municípios.

Teich alertou que a atual momento ainda deve se estender por um longo período. "Não temos um aprendizado com o que está acontecendo. O isolamento vai e volta, mas não vejo ninguém explicando por que deu certo ou errado. A discussão do lockdown é pobre, cada vez mais difícil de conseguir. A reação é cada vez mais difícil. Todo mundo deveria tentar criar um programa único (de medidas de distanciamento) e recomeçar do zero. Essa situação da pandemia não tem hora para acabar", disse.

De acordo com Teich, é extremamente prejudicial para o País que haja uma tentativa de minimizar a gravidade da pandemia. "O pior a se fazer é trazer uma imagem de segurança e confiança quando ela não existe. A liderança precisa saber navegar num mar revolto como este. A única coisa que não pode ser feita é achar que o mar está calmo, porque não está."

O ex-ministro pediu demissão após o presidente Jair Bolsonaro pressionar a pasta pela liberação da cloroquina para todos os pacientes da covid-19. Para Teich, investir no medicamento seria um desperdício de recursos, já que não há comprovação científica de sua eficácia contra o coronavírus.

"Quando se incorporam medicamentos e tecnologias sem uma certeza absoluta do benefício, os recursos financeiros e humanos são alocados em coisas que não são as melhores para a sociedade. Sobrecarrega o sistema e pode estar tirando dinheiro de itens básicos, fundamentais. Temos pouco dinheiro. E quanto menos recursos, menos pode desperdiçar. Não era uma discussão específica sobre a cloroquina, mas como se trata essa incorporação de medicamentos e tecnologia", explicou Teich.

A saída do cargo aconteceu há um mês e meio, em 15 de junho. Desde então, Bolsonaro ainda não nomeou um substituto definitivo para a Saúde, com Eduardo Pazuello na condição de interino. Teich considera "muito ruim" a falta de um ministro, pois a pasta precisa assumir a liderança do combate à covid-19.

"Se não tem um ministro apontado, a legitimidade de quem está lá é ruim. Se o Eduardo vai continuar, precisa ser oficializado. O Ministério da Saúde tem que ter a liderança. O líder é o presidente, mas, neste momento, tem que liderar através do Ministério. Ele é fundamental porque tem interação com Estados e municípios. Precisa haver muita informação, com projetos que envolvam os dois. O sistema no Brasil descentralizou, mas não coordenou", analisou o ex-ministro.

O pedido de demissão, reafirmou Teich, se deu em razão de divergências com Bolsonaro nas medidas de contenção do vírus. "Não tinha um alinhamento. O presidente tinha uma forma de conduzir e eu tinha outra, diferente. Se ele é o líder, tem uma forma de conduzir e tenho outra, sendo nomeado por ele, saio eu", justificou.

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