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Plantar árvore para compensar a emissão de CO2 vira moda


Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

17/03/2007 | 18:12


Em tempos de efeito estufa, a moda é neutralizar. Artistas, empresários e até sua santidade Bento XVI entraram na onda de plantar mudas de árvores para neutralizar as emissões de CO2 causadas por suas ações. A idéia, que é assunto de qualquer colunista antenado e da internet, tema de séries na TV, está ganhando as ruas e mentes ecologicamente corretas. Consiste em calcular quanto gás carbônico você emite na atmosfera e plantar a quantidade de árvores necessárias para absorver o gás. Mas será que isso funciona?

O efeito estufa é a primeira grande ameaça que nossa civilização enfrenta cuja solução passa por todos nós. Se durante a Guerra Fria o fim do mundo estava nas mãos de alguns poucos líderes mundiais, agora impedir que a temperatura mundial atinja níveis catastróficos depende de ações simples e individuais de todos os cidadãos, como economizar energia e evitar usar o carro.

"Nesse sentido, de conscientização sobre o problema, a moda da neutralização é bem-vinda”, diz o coordenador da Campanha de Clima do Greenpeace, Guilherme Leonardi. “Mas o combate ao problema é uma questão mais complexa”, diz o ambientalista.

A Inglaterra, berço de diversas modas que também tomaram o mundo, é o país de origem da neutralização. Foi no fim dos anos 90 que grupos ambientalistas começaram a plantar mudas de árvores para retirar da natureza os poluentes que eles mesmos emitiam. Hoje, grupos de rock americanos, como o Foo Fighters e o Pearl Jam, neutralizam suas operações comerciais. O ator Leonardo DiCaprio neutralizou sua participação no Oscar deste ano. Os brasileiros seguem no embalo: de Sandy & Jr. ao grupo de pagode Jeito Moleque, artistas se esforçam para mostrar-se ligados nas questões ambientais e não levar sua parte da culpa pelo aquecimento global. Sem contar a infinidade de empresas que se anunciam como ecologicamente neutras.

Seriam essas ações pura estratégia de marketing? Pode ser que sim. Mas especialistas no assunto garantem que é um marketing do bem. “As empresas que optam por serem ecologicamente corretas e reduzirem as emissões de carbono agregam valor na sua marca e têm como resultado crescimento no valor de suas ações na bolsa de valores. Ações em alta atraem mais investidores e a empresa cresce”, diz o engenheiro florestal e mestre em florestas pela Universidade de Oxford no Reino Unido, Paulo Braga, da consultoria MaxAmbiental. Mesmo que os empresários tenham esse raciocínio e saibam que neutralização pode resultar em verdinhas (dinheiro, não plantas), eles acabam fazendo sua parte a ajudando a combater o problema.

SOLUÇÕES REAIS - A não ser que você tenha um megaquintal em casa, dificilmente será economicamente viável adotar a neutralização que os artistas anunciam fazer. Não se pode sair por aí plantando árvores em locais públicos. É preciso autorização das prefeituras.

Mas se ficar fora da moda incomoda, há saídas mais simples, fáceis e que, assim como no caso das empresas, poderão fazer o salário durar um pouco mais. Não deixar a luz acesa quando sair de casa, economizar água, tentar andar mais de bicicleta são ações ecologicamente corretas até mais eficientes do que a neutralização, de acordo com o ambientalista Leonardi, do Greenpeace. “Se teu carro é flex, por que não só abastecê-lo com álcool? Por que não organizar esquema de carona ao trabalho?” questiona o engenheiro florestal Braga.

"A solução passa por essas duas frentes: retirada da poluição na atmosfera e a redução da emissão de poluentes na atmosfera”, afirma o ambientalista Leonardi, do Greenpeace. “Em 50% em escala global”, alerta.

Além do plantio de árvores – vitais para a retirada dos poluentes presentes na atmosfera – o que precisa ser emplacada para encarar o efeito estufa de frente é a diminuição da emissão de poluentes.

Por isso, se perguntarem se “você já neutralizou”, questione se a pessoa recicla o lixo, toma banho rápido e apaga a luz de fora da casa na hora de dormir. Aí, quem sabe, você cria outra moda: consciência ambiental séria.



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Plantar árvore para compensar a emissão de CO2 vira moda

Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

17/03/2007 | 18:12


Em tempos de efeito estufa, a moda é neutralizar. Artistas, empresários e até sua santidade Bento XVI entraram na onda de plantar mudas de árvores para neutralizar as emissões de CO2 causadas por suas ações. A idéia, que é assunto de qualquer colunista antenado e da internet, tema de séries na TV, está ganhando as ruas e mentes ecologicamente corretas. Consiste em calcular quanto gás carbônico você emite na atmosfera e plantar a quantidade de árvores necessárias para absorver o gás. Mas será que isso funciona?

O efeito estufa é a primeira grande ameaça que nossa civilização enfrenta cuja solução passa por todos nós. Se durante a Guerra Fria o fim do mundo estava nas mãos de alguns poucos líderes mundiais, agora impedir que a temperatura mundial atinja níveis catastróficos depende de ações simples e individuais de todos os cidadãos, como economizar energia e evitar usar o carro.

"Nesse sentido, de conscientização sobre o problema, a moda da neutralização é bem-vinda”, diz o coordenador da Campanha de Clima do Greenpeace, Guilherme Leonardi. “Mas o combate ao problema é uma questão mais complexa”, diz o ambientalista.

A Inglaterra, berço de diversas modas que também tomaram o mundo, é o país de origem da neutralização. Foi no fim dos anos 90 que grupos ambientalistas começaram a plantar mudas de árvores para retirar da natureza os poluentes que eles mesmos emitiam. Hoje, grupos de rock americanos, como o Foo Fighters e o Pearl Jam, neutralizam suas operações comerciais. O ator Leonardo DiCaprio neutralizou sua participação no Oscar deste ano. Os brasileiros seguem no embalo: de Sandy & Jr. ao grupo de pagode Jeito Moleque, artistas se esforçam para mostrar-se ligados nas questões ambientais e não levar sua parte da culpa pelo aquecimento global. Sem contar a infinidade de empresas que se anunciam como ecologicamente neutras.

Seriam essas ações pura estratégia de marketing? Pode ser que sim. Mas especialistas no assunto garantem que é um marketing do bem. “As empresas que optam por serem ecologicamente corretas e reduzirem as emissões de carbono agregam valor na sua marca e têm como resultado crescimento no valor de suas ações na bolsa de valores. Ações em alta atraem mais investidores e a empresa cresce”, diz o engenheiro florestal e mestre em florestas pela Universidade de Oxford no Reino Unido, Paulo Braga, da consultoria MaxAmbiental. Mesmo que os empresários tenham esse raciocínio e saibam que neutralização pode resultar em verdinhas (dinheiro, não plantas), eles acabam fazendo sua parte a ajudando a combater o problema.

SOLUÇÕES REAIS - A não ser que você tenha um megaquintal em casa, dificilmente será economicamente viável adotar a neutralização que os artistas anunciam fazer. Não se pode sair por aí plantando árvores em locais públicos. É preciso autorização das prefeituras.

Mas se ficar fora da moda incomoda, há saídas mais simples, fáceis e que, assim como no caso das empresas, poderão fazer o salário durar um pouco mais. Não deixar a luz acesa quando sair de casa, economizar água, tentar andar mais de bicicleta são ações ecologicamente corretas até mais eficientes do que a neutralização, de acordo com o ambientalista Leonardi, do Greenpeace. “Se teu carro é flex, por que não só abastecê-lo com álcool? Por que não organizar esquema de carona ao trabalho?” questiona o engenheiro florestal Braga.

"A solução passa por essas duas frentes: retirada da poluição na atmosfera e a redução da emissão de poluentes na atmosfera”, afirma o ambientalista Leonardi, do Greenpeace. “Em 50% em escala global”, alerta.

Além do plantio de árvores – vitais para a retirada dos poluentes presentes na atmosfera – o que precisa ser emplacada para encarar o efeito estufa de frente é a diminuição da emissão de poluentes.

Por isso, se perguntarem se “você já neutralizou”, questione se a pessoa recicla o lixo, toma banho rápido e apaga a luz de fora da casa na hora de dormir. Aí, quem sabe, você cria outra moda: consciência ambiental séria.

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