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Criador e criatura

Diretor de 'A Era do Gelo 3' fala às vésperas da estreia nos EUA; no Brasil, ele foi lançado na sexta



01/07/2009 | 12:03


Carlos Saldanha conversa com a reportagem pelo telefone. Embora a empresa Blue Sky esteja baseada em Nova York, nesse dia ele está em Los Angeles, discutindo com a cúpula da distribuidora Fox os últimos detalhes do lançamento de "A Era do Gelo 3". O filme estreia hoje nos EUA. No Brasil, estreou na sexta passada, na versão em 3-D. Na sexta-feira, serão mais de 650 cópias em todo o Brasil, das quais apenas 18 serão legendadas.

A Fox acredita no sucesso. "A Era do Gelo" fez 2,4 milhões de espectadores. "A Era do Gelo 2" mais do que duplicou esse número e, com 5.876.826 pagantes, foi o filme mais visto no Brasil em 2006. Mesmo assim, Saldanha não sabe explicar por que A Era do Gelo 3 estreou no Brasil antes do que em qualquer outro lugar do mundo.

Ele conta que o sucesso do primeiro filme foi um tanto inesperado. "Quando nos cobraram o 2, tivemos de começar do zero. No caso do 3, já íamos deixando algumas portas abertas no 2, pensando na possibilidade, bastante concreta, de uma segunda sequência." Ele admite que a Blue Sky já trabalha num "Era do Gelo 4", mas sua participação nesse possível projeto - que depende do mercado - será somente como produtor ou supervisor.

O filme que ele quer fazer e no qual trabalha no roteiro pode muito bem ser um projeto de risco. Saldanha quer contar a história de uma arara brasileira que foi para os EUA, americanizou-se e agora redescobre sua brasilidade ao voltar em férias ao País e aqui se perder para se encontrar.

"Quando começamos a trabalhar no primeiro ‘Era do Gelo', havia a preocupação de evitar dinossauros, porque cronologicamente eles pertencem a outra era. Mas, no 3, resolvemos assumir o risco. Eu adoro dinos e a viagem a esse mundo no interior da Terra nos permite reencontrar os que sobreviveram à era do gelo."

Ele conta que houve todo um trabalho de pesquisa com a imagem e a cor para criar o centro da Terra. "É uma floresta, um mundo tropical e dessa maneira colocou problemas específicos." Ele conta, porém, que os dinos apenas fornecem um fundo, porque a história de verdade prossegue com preocupações esboçadas desde o primeiro filme.

"Em ‘A Era do Gelo', o mamute Manny forma sua família eletiva com a preguiça Sid e o tigre dente de sabre Diego. No segundo, ele estabiliza uma relação com Ellie e agora o casal tem seu bebê, o que provoca uma crise na família afetiva. Os laços de sangue parecem que falam mais alto, Sid e Diego sentem-se excluídos, mas a ideia é justamente promover a reunião das duas famílias."

Outra mudança importante é que Scrat foi ganhando espaço nos filmes. Ele quase não entrou no primeiro filme, onde sua luta pela noz ficou sendo só uma piada pontual. No segundo, Scrat foi incorporado para valer e agora ganha uma subtrama inteira, quando sua amada e ele disputam a noz. A opção de fazer o filme em 3 D é exigência do mercado, até para dificultar a pirataria.

"Isso encarece o produto, porque terminamos tendo de fazer três versões, mas não há como fugir a isso. Nosso planejamento para os próximos cinco anos prevê só animações em 3D, como todo o mercado." A coisa fica maior, mas não chega a haver uma dificuldade técnica. "Na animação, a gente já visualiza as cenas e os personagens em 3D, no computador", explica Saldanha.

Para ele, a dificuldade é incorporar o formato às exigências da narrativa. "Procuramos não exagerar nos efeitos. A história funciona sem o 3D, mas é gostoso trabalhar com esse formato que voltou com força."

Nas cópias de trabalho, Saldanha e sua equipe criaram Scrat e a namorada com um tema romântico de Rachmaninoff de fundo. Mas ele não funcionava nas sessões de teste. "Nosso compositor, John Powell, sugeriu o ‘You'll Never Find Another Love Like Mine', mas eu achava modernoso demais. Ele fez várias versões, incluindo uma em tango, que me convenceram. O público tem adorado."

O tema da família é importante no filme como na vida do animador brasileiro que faz sucesso nos EUA. "Tenho três filhas, que foram nascendo durante o processo de realização de cada filme da série." E elas gostaram? "Pode ser cabotino dizer, mas elas amam."



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