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Os Goulart contra a violência


Mauro Fernando
da Redaçao

16/09/2000 | 15:05


Apenas uma apresentaçao no Grande ABC. Nicette Bruno, Paulo Goulart e Bárbara Bruno Goulart, dirigidos por Antônio Abujamra, encenam a comédia Crimes Delicados somente neste domingo, às 19h, no Teatro Lauro Gomes, em Sao Bernardo. A peça é do dramaturgo José Antônio de Souza.

O texto, nada convencional, trata com humor requintado e non sense, num ritmo frenético, da absurda relaçao entre o casal de classe alta Lila (Nicette) e Hugo (Goulart) e a empregada doméstica Efigênia (Bárbara). Por modismo, influenciado por uma série de homicídios, o casal resolve assassinar a empregada.

Depois de matar peixinhos e um cachorro, marido e mulher (principalmente ela) decidem acabar com Ifigênia. Encaram a tarefa como treinamento para crimes mais importantes, revelando todo o desprezo que nutrem pela empregada.

Ifigênia, entretanto, resiste. Ressuscita várias vezes, até que o casal perca a convicçao de tê-la assassinado. As situaçoes engraçadas que trespassam Crimes Delicados do princípio ao fim derivam desse conflito.

O humor presente no insólito, portanto, é o que move o espetáculo. "O teatro é sempre inusitado. Nele existe a possibilidade de criar processos inusitados, que nao há em outras linguagens como a TV", diz Bárbara.

"A peça foi escrita nos anos 70 para se contrapor à violência política da época", afirma a atriz, referindo-se ao regime militar. "Mas o texto transcendeu, hoje fala sobre a violência humana do dia-a-dia. De certa forma, ficou mais contundente", completa.

"Ifigênia é uma metáfora da força popular. O povo nao perece, por mais que tentem anulá-lo, calá-lo, abafá-lo. E mesmo que nao tenha consciência disso", conclui a atriz.

Se antes significava a resistência política, a empregada hoje representa a resistência social. Sutil - nao se trata de uma comédia escrachada, mas sim inteligente -, Crimes Delicados trabalha no campo do absurdo e do surreal com o objetivo de fazer uma crítica mordaz à sociedade.

A diversidade caracteriza a trilha sonora. André Abujamra utiliza elementos musicais tao díspares quanto ópera e rap. Renato Scripilliti assina a cenografia e Guilherme Bonfanti, a iluminaçao.

É a primeira vez que Bárbara contracena, ao mesmo tempo, com Nicette e Goulart. O espetáculo, que tem 70 minutos de duraçao, estreou em março, durante o Festival de Curitiba, e permaneceu em cartaz em Sao Paulo por três meses.



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