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Saúde da Família atende a 1,2 mi de pessoas no Grande ABC

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

08/05/2017 | 07:00


O PSF (Programa Saúde da Família) atende a cerca de 1,2 milhão de pessoas no Grande ABC. A iniciativa, que mantém equipes responsáveis por atendimentos residenciais, ainda não alcançou 100% de cobertura em nenhuma das sete cidades.

A estimativa tem como base dados fornecidos pelas prefeituras de Santo André, de São Bernardo, de Mauá e de Ribeirão Pires. As demais cidades não informaram a respeito do assunto. Contudo, a equipe do Diário obteve dados referentes a estes municípios – datados de dezembro de 2016 – no portal do Ministério da Saúde.

Entre os serviços ofertados pelo programa na região estão consultas médicas e odontológicas e, principalmente, visitas dos agentes de Saúde (responsáveis por conferir vacinas e observar demais aspectos relacionados à saúde dos integrantes) à casa das pessoas que precisam de atendimentos. Os grupos prioritários são formados por hipertensos, diabéticos, acamados, gestantes e crianças de até 2 anos.

São Bernardo é a cidade com maior número de pessoas assistidas, cerca de 460 mil, o que representa 150 mil famílias. São realizadas, em média, cerca de 5.000 visitas mensais, totalizando 60 mil anuais. Ao todo são 135 equipes integradas por um médico, um enfermeiro, dois técnicos de enfermagem, e média de cinco a oito agentes comunitários. A estimativa é que a rede de atenção básica do município mantenha 2.280 funcionários. Segundo o diretor do departamento de atenção básica e gestão do cuidado da cidade, Rodolfo Strufaldi, cada família é visitada em média uma vez por mês. “Depende da demanda e da necessidade que se tenha. A grande vantagem deste programa é que ele resgata o papel daquele médico generalista. Ele entende criança, adulto, idoso e acamados.”

Em Santo André são 165,6 mil pessoas cadastradas, correspondendo à aproximadamente 41,4 mil famílias. As responsáveis pelos atendimentos são 50 equipes de Estratégia Saúde da Família e duas equipes de Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde. Após o cadastro, as famílias passam a receber mensalmente visita domiciliar destes profissionais. Somados todos procedimentos, a atenção básica realiza 164.262 atendimentos por meio de 486 profissionais.

Mauá realiza cerca de 400 visitas mensais à população assistida. Foram feitos 826.690 atendimentos no ano passado. Ao todo são 533 profissionais trabalhando no Saúde da Família, integrando 77 equipes. Na cidade são atendidas 78.485 famílias, considerando a média do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de três pessoas por família.</CW>

Em Ribeirão Pires há 110 profissionais atuando na Estratégia de Saúde da Família, integrando o total de dez equipes. “O programa cobre 75% da cidade. Há equipes em sete das dez unidades de saúde da atenção básica do município. Em Ribeirão Pires, o programa atende a cerca de 10,6 mil famílias”, informou a administração, por meio de nota.

As demais cidades não se pronunciaram em relação aos detalhes do programa da área da Saúde até o fechamento desta edição.


Relação entre moradores e agentes é de amizade

“Trabalhar como agente de Saúde não é somente ensinar prevenção e orientar as pessoas. Está entre uma das profissões mais gratificantes, porque também é saber ouvir o outro.” A frase é de Giselda Ferreira de Souza, 69 anos, conhecida como Dona Dete. A agente de Saúde é responsável por 166 famílias na região do Jardim Petrônio, em São Bernardo, e atua na área há 17 anos.

A pernambucana viúva, mãe de dois filhos e avó de cinco netos conhece cada uma das pessoas que mora nas casas atendidas. Ela, que começou a participar de movimentos sociais na década de 1980, aprendeu que a profissão é muito mais do que a área da Saúde.“Tem uma casa que eu ia sempre de manhã e a mulher nunca abria. Um dia passei à tarde e ela me atendeu. Quando questionei se ela dormia até tarde, respondeu que sim porque somente conseguia fazer uma refeição para os filhos. Então, toda a família acordava na hora do almoço.”

É fácil perceber o carinho que a comunidade tem por Dona Dete. “Ela é a segunda mãe da minha família”, resumiu a amiga e moradora do bairro Simone da Silva, 40. A diarista mora com cinco filhos em casa construída pela Fundação Salvador Arena, e além de ter problema no braço, devido a uma queda, descobriu ser diabética. “Ela sempre insistiu muito para ir ao hospital e eu não queria. Um dia passei mal por conta da minha diabete. Aprendi a lição e hoje faço todo o acompanhamento”, disse. A vida da mãe de família que fatura cerca de R$ 500 por mês não é fácil.

A filha de 21 anos chegou a parar de estudar por causa da obesidade. Por meio do programa, a jovem conseguiu colocar uma prótese no quadril e hoje faz exames para verificar possibilidade de uma cirurgia bariátrica. “Ela viu os meus filhos crescerem. Confio muito nela”, afirma Simone.

Na região do Macuco e do Alto do Boa Vista, em Mauá, uma das agentes mais queridas é Maria Brasil, 53. Conhecida popularmente pelo sobrenome, ela participa do programa desde o início, em 1998. Atualmente, ela cuida de cerca de 200 famílias. “Tem muitas coisas que deixam a gente chocada, como espancamento da criança, ausência da mãe e falta de alimento em uma casa. Às vezes, é muito difícil de separar. Tenho ligação muito forte com a área.”

Brasil não consegue estimar o quanto anda, já que dizem que ela “tem rodinhas nos pés.” Ela é casada e mãe de dois filhos. “Muitas vezes passa das 17h e eu ainda estou conversando. E eles dizem: ‘mãe, você não está mais trabalhando’. Mas eu faço com prazer.”

Os bairros Parque Miami e o Núcleo Pintassilgo, em Santo André, são mais carentes e periféricos. Responsável por 196 famílias, Maria do Socorro Sales, 50, é mãe solteira de duas jovens e encara com amor a jornada dupla. Mesmo assim, ela assume que o trabalho não é fácil. E lembra quando teve de lidar com a morte de quatro pacientes acamados que acompanhava. “Fiquei um dia chorando porque não tem como não se envolver. Você está lá todo dia, com esperança. É um grande crescimento emocional. Sou apaixonada pelo o que faço porque é gratificante. Não é somente trabalho, é mais que isso”, afirmou.

Uma das exigências para a contratação do agente comunitário é que ele resida no bairro de atuação.

Municípios da região pretendem expandir programa

Para que o atendimento às famílias cresçam, as cidades do Grande ABC pretendem investir no PSF (Programa Saúde da Família). São Bernardo tem meta de 80% de cobertura em até dois anos.

Conforme o diretor do departamento de atenção básica e gestão do cuidado, Rodolfo Strufaldi, o objetivo deve ser alcançado, principalmente com a contratação de mais agentes de Saúde. “Abriremos licitação para 60 novos agentes comunitários e mais 100 para daqui a dois anos. Temos hoje 760 profissionais que estão dando conta. Ainda há áreas descobertas, porém eles mesmos acabam se organizando atender”, disse.

Entre as barreiras para se chegar a 100% de cobertura, o diretor destaca a dificuldade de entrada dos profissionais em áreas como condomínios. A estimativa é que no período de dois anos, cinco equipes sejam adicionadas. “Elas iriam para a região do Areião. E, provavelmente, teríamos uma nova no (bairro) Farina.”

Santo André afirmou ter uma proposta de aumento da Estratégia de Saúde da Família, mas não forneceu detalhes sobre o assunto. Já Mauá afirmou que mudanças nas equipes ou no programa estão em estudos de viabilidade. Ribeirão Pires não se posicionou sobre o assunto, enquanto as demais cidades não responderam aos questionamentos.

Para a gestora do Curso de Enfermagem da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Luz Alcira Avila Rincon Alves, as administrações municipais devem investir na ampliação do serviço. “Até porque é política do próprio Ministério da Saúde dar uma estratégia ampliada para essas famílias. Na medida em que se investe na contratação de profissionais está se trabalhando na redução de índices como a mortalidade infantil e demais doenças. Municípios com baixas coberturas (do programa) têm tendência a ter número maior de problemas relacionados à Saúde publica”, completou.
 



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Saúde da Família atende a 1,2 mi de pessoas no Grande ABC

Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

08/05/2017 | 07:00


O PSF (Programa Saúde da Família) atende a cerca de 1,2 milhão de pessoas no Grande ABC. A iniciativa, que mantém equipes responsáveis por atendimentos residenciais, ainda não alcançou 100% de cobertura em nenhuma das sete cidades.

A estimativa tem como base dados fornecidos pelas prefeituras de Santo André, de São Bernardo, de Mauá e de Ribeirão Pires. As demais cidades não informaram a respeito do assunto. Contudo, a equipe do Diário obteve dados referentes a estes municípios – datados de dezembro de 2016 – no portal do Ministério da Saúde.

Entre os serviços ofertados pelo programa na região estão consultas médicas e odontológicas e, principalmente, visitas dos agentes de Saúde (responsáveis por conferir vacinas e observar demais aspectos relacionados à saúde dos integrantes) à casa das pessoas que precisam de atendimentos. Os grupos prioritários são formados por hipertensos, diabéticos, acamados, gestantes e crianças de até 2 anos.

São Bernardo é a cidade com maior número de pessoas assistidas, cerca de 460 mil, o que representa 150 mil famílias. São realizadas, em média, cerca de 5.000 visitas mensais, totalizando 60 mil anuais. Ao todo são 135 equipes integradas por um médico, um enfermeiro, dois técnicos de enfermagem, e média de cinco a oito agentes comunitários. A estimativa é que a rede de atenção básica do município mantenha 2.280 funcionários. Segundo o diretor do departamento de atenção básica e gestão do cuidado da cidade, Rodolfo Strufaldi, cada família é visitada em média uma vez por mês. “Depende da demanda e da necessidade que se tenha. A grande vantagem deste programa é que ele resgata o papel daquele médico generalista. Ele entende criança, adulto, idoso e acamados.”

Em Santo André são 165,6 mil pessoas cadastradas, correspondendo à aproximadamente 41,4 mil famílias. As responsáveis pelos atendimentos são 50 equipes de Estratégia Saúde da Família e duas equipes de Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde. Após o cadastro, as famílias passam a receber mensalmente visita domiciliar destes profissionais. Somados todos procedimentos, a atenção básica realiza 164.262 atendimentos por meio de 486 profissionais.

Mauá realiza cerca de 400 visitas mensais à população assistida. Foram feitos 826.690 atendimentos no ano passado. Ao todo são 533 profissionais trabalhando no Saúde da Família, integrando 77 equipes. Na cidade são atendidas 78.485 famílias, considerando a média do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de três pessoas por família.</CW>

Em Ribeirão Pires há 110 profissionais atuando na Estratégia de Saúde da Família, integrando o total de dez equipes. “O programa cobre 75% da cidade. Há equipes em sete das dez unidades de saúde da atenção básica do município. Em Ribeirão Pires, o programa atende a cerca de 10,6 mil famílias”, informou a administração, por meio de nota.

As demais cidades não se pronunciaram em relação aos detalhes do programa da área da Saúde até o fechamento desta edição.


Relação entre moradores e agentes é de amizade

“Trabalhar como agente de Saúde não é somente ensinar prevenção e orientar as pessoas. Está entre uma das profissões mais gratificantes, porque também é saber ouvir o outro.” A frase é de Giselda Ferreira de Souza, 69 anos, conhecida como Dona Dete. A agente de Saúde é responsável por 166 famílias na região do Jardim Petrônio, em São Bernardo, e atua na área há 17 anos.

A pernambucana viúva, mãe de dois filhos e avó de cinco netos conhece cada uma das pessoas que mora nas casas atendidas. Ela, que começou a participar de movimentos sociais na década de 1980, aprendeu que a profissão é muito mais do que a área da Saúde.“Tem uma casa que eu ia sempre de manhã e a mulher nunca abria. Um dia passei à tarde e ela me atendeu. Quando questionei se ela dormia até tarde, respondeu que sim porque somente conseguia fazer uma refeição para os filhos. Então, toda a família acordava na hora do almoço.”

É fácil perceber o carinho que a comunidade tem por Dona Dete. “Ela é a segunda mãe da minha família”, resumiu a amiga e moradora do bairro Simone da Silva, 40. A diarista mora com cinco filhos em casa construída pela Fundação Salvador Arena, e além de ter problema no braço, devido a uma queda, descobriu ser diabética. “Ela sempre insistiu muito para ir ao hospital e eu não queria. Um dia passei mal por conta da minha diabete. Aprendi a lição e hoje faço todo o acompanhamento”, disse. A vida da mãe de família que fatura cerca de R$ 500 por mês não é fácil.

A filha de 21 anos chegou a parar de estudar por causa da obesidade. Por meio do programa, a jovem conseguiu colocar uma prótese no quadril e hoje faz exames para verificar possibilidade de uma cirurgia bariátrica. “Ela viu os meus filhos crescerem. Confio muito nela”, afirma Simone.

Na região do Macuco e do Alto do Boa Vista, em Mauá, uma das agentes mais queridas é Maria Brasil, 53. Conhecida popularmente pelo sobrenome, ela participa do programa desde o início, em 1998. Atualmente, ela cuida de cerca de 200 famílias. “Tem muitas coisas que deixam a gente chocada, como espancamento da criança, ausência da mãe e falta de alimento em uma casa. Às vezes, é muito difícil de separar. Tenho ligação muito forte com a área.”

Brasil não consegue estimar o quanto anda, já que dizem que ela “tem rodinhas nos pés.” Ela é casada e mãe de dois filhos. “Muitas vezes passa das 17h e eu ainda estou conversando. E eles dizem: ‘mãe, você não está mais trabalhando’. Mas eu faço com prazer.”

Os bairros Parque Miami e o Núcleo Pintassilgo, em Santo André, são mais carentes e periféricos. Responsável por 196 famílias, Maria do Socorro Sales, 50, é mãe solteira de duas jovens e encara com amor a jornada dupla. Mesmo assim, ela assume que o trabalho não é fácil. E lembra quando teve de lidar com a morte de quatro pacientes acamados que acompanhava. “Fiquei um dia chorando porque não tem como não se envolver. Você está lá todo dia, com esperança. É um grande crescimento emocional. Sou apaixonada pelo o que faço porque é gratificante. Não é somente trabalho, é mais que isso”, afirmou.

Uma das exigências para a contratação do agente comunitário é que ele resida no bairro de atuação.

Municípios da região pretendem expandir programa

Para que o atendimento às famílias cresçam, as cidades do Grande ABC pretendem investir no PSF (Programa Saúde da Família). São Bernardo tem meta de 80% de cobertura em até dois anos.

Conforme o diretor do departamento de atenção básica e gestão do cuidado, Rodolfo Strufaldi, o objetivo deve ser alcançado, principalmente com a contratação de mais agentes de Saúde. “Abriremos licitação para 60 novos agentes comunitários e mais 100 para daqui a dois anos. Temos hoje 760 profissionais que estão dando conta. Ainda há áreas descobertas, porém eles mesmos acabam se organizando atender”, disse.

Entre as barreiras para se chegar a 100% de cobertura, o diretor destaca a dificuldade de entrada dos profissionais em áreas como condomínios. A estimativa é que no período de dois anos, cinco equipes sejam adicionadas. “Elas iriam para a região do Areião. E, provavelmente, teríamos uma nova no (bairro) Farina.”

Santo André afirmou ter uma proposta de aumento da Estratégia de Saúde da Família, mas não forneceu detalhes sobre o assunto. Já Mauá afirmou que mudanças nas equipes ou no programa estão em estudos de viabilidade. Ribeirão Pires não se posicionou sobre o assunto, enquanto as demais cidades não responderam aos questionamentos.

Para a gestora do Curso de Enfermagem da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Luz Alcira Avila Rincon Alves, as administrações municipais devem investir na ampliação do serviço. “Até porque é política do próprio Ministério da Saúde dar uma estratégia ampliada para essas famílias. Na medida em que se investe na contratação de profissionais está se trabalhando na redução de índices como a mortalidade infantil e demais doenças. Municípios com baixas coberturas (do programa) têm tendência a ter número maior de problemas relacionados à Saúde publica”, completou.
 

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