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Quem não vê a cara, vê o crachá: projeto visa humanizar UTI

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Linha de frente do Hospital Brasil, em Santo André, usa identificação no atendimento a pacientes da Covid-19; fotos foram escolhidas por eles


Marcela Ibelli
Do Diário do Grande ABC

25/04/2020 | 00:01


Acordar de um coma não é algo fácil em nenhuma situação. Ainda mais quando se foi infectado por novo vírus que parou o mundo. Despertar de um tempo entubado, porém, pode ser pouco menos apavorante ao saber quem é a pessoa que está cuidando, mesmo que ela esteja completamente protegida por máscara, luvas e avental. Esta é a principal proposta da Rede D’Or ao colocar em prática projeto que identifica cada colaborador da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com crachá bem aparente.

A identificação tem o primeiro nome, a área de atuação e foto escolhido por cada funcionário. “É algo tão simples, mas que tem impacto muito positivo para todos. Quem precisa usar a paramentação não consegue nem demonstrar o sorriso. Então, eles fizeram questão de escolher as melhores fotos, nas quais se sentem bem, bonitos e alegres. A ideia era fugir do padrão de foto de crachá de empresa, 3 por 4”, explica Kelly Magalhães, responsável pelo relacionamento médico do Hospital Brasil, em Santo André, onde o programa foi colocado em prática para cerca de 100 colaboradores. A inspiração, segundo ela, veio de um hospital nos Estados Unidos. “Conforme eles se paramentam, ficam irreconhecíveis. É também forma de homenageá-los. Agora não se sentem mais anônimos nesta guerra.”

“A equipe ficou feliz com o crachá. Apesar da tensão por causa da pandemia, quando recebemos a notícia foi momento em que demos relaxada, nos sentimos valorizados”, conta Gabriela Dametto, 30 anos, enfermeira há 11. A situação tem sido complicada, de acordo com Cecília Fonseca, 41, na profissão há 19, mas ela acredita ser importante humanizar cada vez mais a relação com o paciente, especialmente o que fica em estado grave pela Covid-19. “É tratamento demorado, então criamos vínculo. Por isso, é essencial que eles ‘nos enxerguem’ por trás da roupa.”

“Além da parte técnica, temos de trabalhar bem o lado da humanização, que a enfermagem sempre teve, mas que agora é ainda mais essencial. É enorme desafio para todos oferecer este suporte emocional, porque eles estão sozinhos, não poder ver as famílias, estão com medo”, descreve Gabriela. Para as enfermeiras, os momentos mais especiais têm sido quando os pacientes mais graves recebem alta.

Os profissionais sonham com o dia em que a pandemia será controlada. “Vamos continuar dando nosso melhor e tenho certeza de que vamos poder salvar muita gente”, resume Cecília. A colega de hospital vai além: “Apesar de tudo, temos esperança na nossa equipe, que está muito motivada. Quando passar, vamos evoluir como pessoas e profissionais da saúde”.  



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Quem não vê a cara, vê o crachá: projeto visa humanizar UTI

Linha de frente do Hospital Brasil, em Santo André, usa identificação no atendimento a pacientes da Covid-19; fotos foram escolhidas por eles

Marcela Ibelli
Do Diário do Grande ABC

25/04/2020 | 00:01


Acordar de um coma não é algo fácil em nenhuma situação. Ainda mais quando se foi infectado por novo vírus que parou o mundo. Despertar de um tempo entubado, porém, pode ser pouco menos apavorante ao saber quem é a pessoa que está cuidando, mesmo que ela esteja completamente protegida por máscara, luvas e avental. Esta é a principal proposta da Rede D’Or ao colocar em prática projeto que identifica cada colaborador da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com crachá bem aparente.

A identificação tem o primeiro nome, a área de atuação e foto escolhido por cada funcionário. “É algo tão simples, mas que tem impacto muito positivo para todos. Quem precisa usar a paramentação não consegue nem demonstrar o sorriso. Então, eles fizeram questão de escolher as melhores fotos, nas quais se sentem bem, bonitos e alegres. A ideia era fugir do padrão de foto de crachá de empresa, 3 por 4”, explica Kelly Magalhães, responsável pelo relacionamento médico do Hospital Brasil, em Santo André, onde o programa foi colocado em prática para cerca de 100 colaboradores. A inspiração, segundo ela, veio de um hospital nos Estados Unidos. “Conforme eles se paramentam, ficam irreconhecíveis. É também forma de homenageá-los. Agora não se sentem mais anônimos nesta guerra.”

“A equipe ficou feliz com o crachá. Apesar da tensão por causa da pandemia, quando recebemos a notícia foi momento em que demos relaxada, nos sentimos valorizados”, conta Gabriela Dametto, 30 anos, enfermeira há 11. A situação tem sido complicada, de acordo com Cecília Fonseca, 41, na profissão há 19, mas ela acredita ser importante humanizar cada vez mais a relação com o paciente, especialmente o que fica em estado grave pela Covid-19. “É tratamento demorado, então criamos vínculo. Por isso, é essencial que eles ‘nos enxerguem’ por trás da roupa.”

“Além da parte técnica, temos de trabalhar bem o lado da humanização, que a enfermagem sempre teve, mas que agora é ainda mais essencial. É enorme desafio para todos oferecer este suporte emocional, porque eles estão sozinhos, não poder ver as famílias, estão com medo”, descreve Gabriela. Para as enfermeiras, os momentos mais especiais têm sido quando os pacientes mais graves recebem alta.

Os profissionais sonham com o dia em que a pandemia será controlada. “Vamos continuar dando nosso melhor e tenho certeza de que vamos poder salvar muita gente”, resume Cecília. A colega de hospital vai além: “Apesar de tudo, temos esperança na nossa equipe, que está muito motivada. Quando passar, vamos evoluir como pessoas e profissionais da saúde”.  

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